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Segunda-Feira, 23 de Abril de 2007, 12h:15 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

A absolvição de Collor

O senador e ex-presidente Collor fez um pronunciamento – aliás, sua estréia – no senado da República, no qual em longa exposição deu a sua versão dos fatos que levaram à sua renúncia, que acabou não o salvando do impeachment. Conseguiu o senador uma quase unanimidade de apoio entre os seus pares, mesmo entre alguns que o condenaram na época.
   Aqueles que o defenderam por ocasião do impeachment, alguns como deputados, outros ainda sem mandatos, sentiram-se vitoriosos. Outros entre os que o condenaram, comportaram-se como madalenas arrependidas tal a emoção que Collor passou aos senadores presentes. Todos os brasileiros que acompanharam pela televisão o pronunciamento ficaram com a impressão, a certeza, que Collor, ao final do seu discurso, havia ganhado além de absolvição política e moral não somente da sociedade brasileira, mas também da história.
   Um dos poucos senadores que não se mostraram arrependidos de ter participado da CPI, do julgamento que condenou Collor, foi Pedro Simon. De um homem da estatura moral dele não se poderia esperar outro comportamento. O senador Pedro Simon é de uma raça em extinção, um daqueles extraordinários gaúchos que o Rio Grande deu ao Brasil.
   O senador Fernando Collor tem direto de recomeçar, reconstruir sua vida política. Porém, esse recomeço não pode ser alicerçado numa grande mentira, sob pena de já se iniciar com mal de umbigo. Na verdade, no governo Collor aconteceu sim o esquema do PC Farias, o crime do confisco da poupança e contas bancárias que destruiu milhares de pessoas e muita coisa mais.
   A grande verdade é que os grandes pecados do ex-presidente foram sendo absorvidos, mitigados porque os governos que o sucederam – com exceção do Itamar Franco – não somente continuaram com a corrupção, mas a roubalheira cresceu. A decadência moral dos nossos políticos e administradores é tão grande, que quem entra reabilita quem sai.
   O governo Fernando Henrique, com os escândalos das privatizações e a compra da reeleição; o governo Lula, com mensalão, sanguessuga, a roubalheira nos ministérios, o tapa-buracos, o assalto que a Infraero faz aos cofres da nação, além da absoluta falta de critério no aspecto moral por parte do presidente Lula ao nomear um ministro, acrescido do loteamento do seu governo com partidos políticos, sendo que alguns se transformaram em verdadeiras quadrilhas organizadas, é que estão absolvendo Collor de Mello.
   Como bem se referiu Clovis Rossi em artigo na Folha de São Paulo, Collor é simplesmente o político padrão do Brasil. Fora do padrão é gente como o senador Pedro Simon, o senador Marco Maciel e outros gatos pingados, teimosos, que ainda acreditam que podem mudar o Brasil.
   Quero me solidarizar com aquela senhora de Brasília que, em correspondência ao jornal Folha de São Paulo, protesta com a maldosa ligação que se faz das maracutaias dos políticos que, por força de imperativo constitucional exercem seus cargos na capital federal, com a população ordeira e trabalhadora do Distrito Federal a respeito da homenagem feita em Londres, ao se dar o nome de Brasília a um bordel.
   Na verdade, Brasília recebe tanto gente boa, de qualidade, como recebe os picaretas do Brasil inteiro.

* PEDRO LIMA é analista político e advogado.

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