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Sábado, 25 de Outubro de 2008, 23h:11 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:21

Artigo

A campanha em Cuiabá

  A pesquisa Ibope em Cuiabá dá 18 pontos de vantagem de Wilson Santos nos votos válidos, que é o que realmente interessa.

  No segundo turno, diferente do primeiro, a eleição tem uma característica que a cada voto conquistado “dos votos válidos”, são dois, porque você está retirando um do oponente. O que as campanhas dos candidatos devem ter em mente é a fidelização de cada candidato, pois, do potencial que cada um tem em mudar de voto deve-se saber quem mudará ou não seu voto. Um candidato com baixa fidelização é facilmente abatido. O contrário não. Não tenho esses dados, mas no geral podemos observar isso quando uma candidatura mantém os mesmos números em pesquisas subseqüentes e quando não há nada “novo” para alterar esse quadro.

   Em Cuiabá, no primeiro turno, tudo encaminhava para uma vitória, apertada, mas uma vitória de WS já no primeiro turno. Havia um crescimento lento, mas constante da sua candidatura, e era ele quem conquistava os votos perdidos por Walter Rabello. Por incrível que pareça foram seus próprios marqueteiros que resolveram criar “um fato novo” e permitiram esse segundo turno. Aprenderam isso no segundo turno, mas apenas em parte. No segundo turno apareceram com outro fato novo, mas acabaram não usando no programa eleitoral, e passaram pra uma revista. Hoje o fato novo é a máquina que o governo estadual e federal irão colocar aqui em Cuiabá. A saída de Gilberto Carvalho de SP, jogando a toalha lá, abriu novos campos de batalhas para o petismo atuar, e isso deve ajudar MM neste final de campanha.

   Dezoito pontos significam no segundo turno 9 pontos a serem retirados do adversário. Em São Paulo isso é praticamente impossível, seriam alguns milhões de votos, mas em Cuiabá isso pode até ser realizado, mas depende do tamanho da máquina que está se montando. Como eu disse de manhã, pode significar uma bela distribuição de renda.

   A campanha na TV de WS estava bem superior à de MM. Na TV, MM teve uma qualidade da cor inferior, fria com o candidato sendo um verdadeiro desastre para se adaptar com a câmera. Fiquei impressionada como ele saiu-se bem nos debates, e como isso, ele falando de “improviso”, não foi utilizado em seu programa eleitoral. Mas fui saber de um entendido no assunto o porquê da imagem, da cor, estar tão ruim, e este me informou que o estúdio era o melhor, a câmera era a melhor, mas pode ter sito o “tratamento” da imagem. Não sei ao certo, mas o programa de WS tinha uma imagem melhor.

   Fora isso, a qualidade da imagem, o conteúdo das duas campanhas era “pra baixo”.

   Acompanhei a campanha em duas cidades. Em Cuiabá e em São Paulo. Aprendi a diferença de uma campanha pra cima como a do Kassab. Sua candidatura ficou leve, a alegria nas caminhadas era real. Acabaram criando um líder político, com um perfil, já que Kassab ainda não tinha disputado uma eleição majoritária, e agora é uma nova liderança, leve, na capital e estado de São Paulo.

   Em Cuiabá as duas candidaturas foram pesadas, e como era esse o espírito, a alegria que apareceu nas ruas foi forjada, artificial. Por isso as campanhas daqui são sempre caras. É impossível se criar ondas a favor em situações assim. Por isso paga-se por elas. Em 2004 a onda não foi pró Wilson, mas anti PT. Nesta não tivemos. E isso se torna impossível em campanhas desse tipo. Se as campanhas tem jingles “pra cima”, o restante do horário eleitoral leva o espectador pra baixo. Denuncismos tomam o lugar, e ao invés de criarem ondas a favor de um candidato, tentam criar ondas contrárias aos adversários.

   Sobre isso tem outro detalhe. Se um candidato tem uma boa aprovação, isso pode até ser tentado, porque é natural que os votos acabem migrando pra ele. Mas quando não é isso o que ocorre, é necessário primeiro mudar a percepção do eleitor, fazer ele gostar do candidato ou administração. Tendo feito isso se dá o outro passo. Isso deve ser construído, e é perda de tempo realizar um passo antes do outro. Se não se tem uma melhora na aprovação do candidato, só se pode ir contra o adversário quando há pouco tempo, e as alternativas usadas não deram certo. É o momento do desespero, que como ocorreu com Marta em São Paulo, pode dar certo ou se mostrar um desastre.

   Quer saber? Como disse de manhã, ainda creio na vitória de WS, mas a máquina de MM, e como nesta eleição não temos aquele sentimento anti PT, pode dar um trabalho danado.

   Adriana Vandoni é economista, especialista em administração pública pela Fundação Getúlio Vargas (www.adrianavandoni.com.br)

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