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Quarta-Feira, 30 de Maio de 2007, 10h:56 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

A casa pode cair

     Há pouco afirmei em artigo, que o calcanhar-de-aquiles do governador Blairo Maggi é a Segurança Pública. Não que eu seja "adivinhão", "bidu", ou coisa que o valha. São os fatos. Contra fatos não existem argumentos.
     Tortura e pistolagem no Araguaia, praticados por policiais. Em Cuiabá e Várzea Grande, policial militar assaltante de banco. Em Rondonópolis esta tragédia, que pelo despreparo, irresponsabilidade e descaso, tira a vida de uma criança de 11 anos, fere mais nove pessoas, podendo fazer mais uma vítima fatal, a professora que foi baleada no rosto, atingida no olho.
     Por questão salarial, cujos projetos estão tramitando na Assembléia Legislativa, da a entender que a hierarquia está sendo quebrada, criando uma turbulência na corporação com desdobramentos imprevisíveis.
     Pelos fatos ocorridos na região do Araguaia trocou-se o comando estadual da Polícia Militar. Acompanhei algumas entrevistas do novo comandante. Se teorias ajudassem a eliminar bandidos, diminuir a violência e a criminalidade, o governador teria nomeado o oficial adequado para a função.
     No entanto, na prática a coisa é diferente. Basta ver o desnorteamento em que se encontra o secretário Carlos Brito. Nada pessoal contra o secretário. Trata-se apenas de analisar sua atuação administrativa. Carlos, "puxa seu carro daí". Você não é do ramo. Se o governador quer lhe prestigiar, que lhe dê uma função para qual você tenha aptidão e conhecimento, caso contrário, você sairá do governo mais "frito do que lambari para tira-gosto".
     No que se refere à tragédia de Rondonópolis, Carlos Brito disse que houve no mínimo negligência, que os fatos serão apurados e os responsáveis punidos. Santa ingenuidade! Negligência. E a vida da criança, da professora, das pessoas aterrorizadas como é que fica? Que assistência receberão do governo? Os traumas, as seqüelas. Quem pagará por isso? São feridas que não se cicatrizam. Os cinco meses do segundo mandato da "turma da botina", está atingindo um nível de desfavorecimento ao governo, que não enxerga ou finge não enxergar, que a continuar, não resta outra alternativa a não ser caminhar rumo ao cadafalso. Se descambar "a casa pode cair".
     O governo Maggi tem convivido com fatos negativos que acabam desbancando a "áurea" de governo sério, governo de visão, quebrador de paradigmas, que se acreditava ser verdadeira.
     Na questão do entrevero com o Poder Legislativo, afirmou: "Walter Rabello e Zé Carlos do Pátio não podem ver um banquinho ou um caixote que querem subir para discursar". Será que esse tipo de declaração do chefe maior do Poder Executivo contribui em alguma coisa?
     Na Sema, secretaria cuja agilidade é de suma importância para o desenvolvimento, o clima é de instabilidade e incerteza no seio de todo quadro de funcionários. No Detran, acusações de que um diretor usa o carro oficial para suas horas de lazer na sua chácara.
     No Cepromat, o Ministério Público Estadual denuncia que a administração estadual está pagando mais de 100% que as empresas privadas pagam a empresas de telecomunicações. O que cheira (ou fede) a superfaturamento e corrupção, com dispensa de licitação. O presidente do órgão, segundo consta, até então é homem de confiança do governador.
     Todos estes fatos estão tirando o sono da "turma da botina", requintado ainda, com o labirinto percorrido por Luiz Antônio Pagot, na busca de assumir o comando nacional do Dnit. Uns dizem que está garantido, outros não acreditam.
     Imagino eu que o povo que escolheu o empresário, cidadão, político, quer que Blairo Maggi assuma o governo, defina as regras, respeite a independência e a harmonia entre o Legislativo e o Executivo, sem "fugir da raia", passando a bola para o vice.
     O êxito ou fracasso do seu governo depende única e exclusivamente de suas atitudes e decisões. Se deixar o desgaste descambar a "casa pode cair" e o fim será melancólico, para o grupo que fez o discurso de que iria mudar Mato Grosso, recebendo por duas vezes a confiança do eleitorado mato-grossense.

José Arimatéia é ex-deputado estadual

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