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Domingo, 12 de Agosto de 2007, 08h:47 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

A missão de ser pai

    Naquela  fatídica  manhã   de quinta feira de  1962, eu, com apenas  cinco anos de idade,  acordo  e  deparo com uma situação  no mínimo inusitada. Vejo  pessoas chorando na modesta salinha da minha casa, onde se encontra um pequeno caixão, que para mim, parecia mais uma caixa como outra qualquer. Naquela época era comum os velórios  acontecerem nas próprias residências.

    Me aproximo das pessoas com pouco ou nenhum  entendimento do que  estava acontecendo, porém dá para perceber que a situação era grave . Vou em direção a meu pai, que chora copiosamente. Ele me diz:  "perdemos  algo importante  das  nossas vidas". Era Robertinho, apelido do meu terceiro irmão.

    Até  aquele momento eu nunca havia percebido meu pai chorar, até porque ele sempre dizia em tom de brincadeira que homem não chora. Eu fiquei sem entender nada mais a dor era tão intensa como  se perfurasse o meu coração. Aí meu pai, homem simples de linguajar arraigado na forma mais provinciana de falar, mantendo a cuiabania ribeirinha,  na fala simples, chorando, me diz: "vamos nos unir e  guardar a lembrança do Robertinho em nossas mentes como se ele não tivesse partido".

    Neste  momento, quem chora sou eu de orgulho, por ter um pai que, embora tivesse pouquíssimo estudo, quase nenhum, soube conduzir com maestria naquele momento de  tamanha dor, encontrando forças para nos criar, pois  naquela  época nos sobrará  uma carroça  de rodas de madeira que era usada para transportar materiais para as  construções, ele  tinha uma égua chamada negrita a qual dispensava maior carinho, mesmo sendo um animal. Até hoje meu pai  quando lembra dela  vem às lágrimas, de um tempo difícil porém o sentido de humanidade era muito maior.

    Meu pai redobrou os esforços. A partir daí passou a tirar pedras cangas  para serem usadas nas construções para obter o nosso sustento. Lembro-me  bem. Ele chegava em casa quebrado, mesmo assim ainda tinha disposição para brincar com agente. Éramos cinco irmãos. Nunca faltou um litro de leite sequer para mim e meus irmãos. Quando ele lembra desse episódio chora.
                                
     Ainda hoje quando lembro desse acontecimento,  por ser o primogênito, passa todo aquele filme triste na minha cabeça. Porém, aumenta ainda mais o orgulho que sinto pelo meu pai. Neste momento as lágrimas estão caindo. Não são lágrimas de tristeza, mais sim de alegria por ter nascido no seio de uma família humilde, porém com formação pautada na honestidade, sinceridade e grandeza de espírito.

     Todos  os dias do  nascer ao pôr do sol dou graças a Deus por ter tido um pai tão bom quanto o meu. Não sei se sou um bom pai mais busco na figura do meu. Carrego comigo os exemplos de fé, determinação, perseverança, honestidade e firmeza de caráter e, por isos, peço que valorize seus pais, dando-lhes o maior presente de todos: obediência e respeito, pois, talvez no próximo ano, eles não estejam mais entre nós ou nós no meio deles. 

      Neste mundo de modernidade, o ser humano deu lugar às máquinas e as pessoas deixaram de sentir  afeto, carinho e amor e passaram a se ligar muito mais aos bens materiais, aos rótulos, aos dogmas. Por isso valorize seu pai enquanto pode, pois o amanhã  poderá não existir.
                            
Lício Antonio Malheiros é geógrafo e pós-graduado em didática do ensino superior (liciomalheiros@yahoo.com.br)  
   

                                    

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