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Sábado, 28 de Fevereiro de 2009, 21h:44 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:22

Artigo

A Ordem e a Amagi

  Em 2350 a.C., reconhecidos por muitos, como o primeiro registro histórico de codificação de normas, e também a primeira reforma social temos o Código de Urukagina ou Uruinimgina. Auto-denominado de Rei de Lagash ou Sumer, cidade da antiga Mesopotâmia.

  Historiadores renomados apontam o texto de Urukagina como um dos mais precisos documentos de combate à tirania e a opressão do poder da história humana, em todos os possíveis sentidos, e também, como o primeiro registro da concepção da idéia de liberdade, pela palavra amagi, epistemologicamente definida como o “retorno para a mãe”. Assim muito mais que uma empresa, o significado da palavra amagi presente na história é o de valor universal da liberdade.

    É este valor universal que sustenta tantos outros valores como a democracia, a justiça e a possibilidade de um jornalista manifestar tanto o seu pensamento bem como as informações que recebe. Pois é da ética do jornalista que extraímos o direito de sigilo da fonte, e constatamos cada vez menos o dever corajoso do não sigilo da informação. É desta mesma ética de fazer da verdade um norte que temos a diferença fulcral das indiretas e das diretas, se em uma tudo passa as claras, na outra nada passa senão de futricas obscuras.

    Questiono-me o quanto a OAB/MT deveria colaborar com a concreção deste valor, e o quanto realmente colabora? Não se trata de discutir o quanto que a Diretoria desta instituição gasta com a propaganda oficial, mas sim o quanto luta para que a liberdade de expressão do pensamento seja efetivada em todos os seus sentidos.

    Ao lançar uma ofensiva contra o dever ético de um jornalista noticiar as informações que recebe, o presidente da OAB/MT mais uma vez, pelos menos ao que me parece, esqueceu de seu dever institucional de se preocupar primeiro com a compostura digna de um presidente da OAB e se veredou em reiterada patética defesa de seus momentâneos interesses pessoais. Mas ao advogado, o que isto interessa? Tudo, pois é da liberdade do jornalista em informar que também advém a nossa liberdade de peticionar. È da mesma mãe que nasce a notícia e a petição.

    Ao final o que fica é o quanto lutamos por nosso propósito, e acredito que todos sabem que a história esculpiu a OAB com o propósito de ser defensora e não ofensora da liberdade. Ora, ou sejamos íntegros em nosso propósito ou falharemos já no início com a missão de cada um dos advogados e jornalistas em defender a liberdade. Não tememos se ao final desta luta houver falhas, pois devemos saber que a glória não é a vitória a todo custo como alguns pensam, mas sim que o custo da derrota da liberdade é pago por todos, e exatamente este preço que devemos evitar.

   Nós lancemos na chuva para que possamos nos molhar por este propósito de liberdade, e nos juntemos ao vento da mudança. Não sejamos meros expectadores de uma gestão que privilegia as ofensivas à liberdade de pensamento ao invés de reflexivamente ser capaz de demonstrar um equilíbrio proporcional à altura do valor universal da liberdade. Não deixemos que o lodo do autoritarismo cubra a mais linda das flores do jardim da sociedade livre: a possibilidade de informar e sermos informados; e principalmente protegemos a nossa rosa dos ventos: a corajosa liberdade do pensamento crítico.

   Bruno J. R. Boaventura é advogado (www.bboaventura.blogspot.com)

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Comentários (4)

  • Jacyara | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Pensei que fosse ler um artigo explicando a funcral formulação do nome de André Maggi em confeccionar a marca do seu grupo.

    Mas, ofuscado por artigo tão profundo sobre a OAB, farei o meu retorno aos braços de minha mãe.

  • Coxipones | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    A liberdade tão pregada pelo autor Bruno está provada com a divulgação de sua escrita..


    Agora, bem que ele poderia ser menos puxa saco do Governador e não invocar o significado etimologico da palavra Amaggi, o qual garanto que os próprios proprietários desconheciam... É muita rasgação de seda para pouca crítica.. Sei o que o senhor Bruno quer: criticar a gestão Faiad com a simpatia do Governador.. Agora, como os dois (Faiad e Blairo) estão do mesmo lado, não sei se surte efeito esse tipo de estratégia..
    Bruno, seja mais maduro e vá estudar um pouco mais sobre liberdade, talvez lendo Stuart Mill, Tocqueville, Benjamim Constant, Rosseau e outros mais... Falta base teórica e política em seu artigo.. Infelizmente, muito fraco e cheio de premissas inconsistentes....

  • David Ben-Gurion | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    “Amagi” é tão livre que transformou o sentido de liberdade em escravidão. Uma “palavra-rainha” que subtrai esse significado de liberdade da história para dominar cerca de 300 mil hectares de terra, gerando um lucro incalculável por mês para somente algumas pessoas. Veja bem, só pode ter um verdadeiro sentido: Imperialismo. Vamos somar os fatos, concentração de renda, pífia geração de empregos, infraestrutura estatal prioritariamente para empresas particulares, monocultura, desagregação do valor dos recursos naturais, desmatamento desenfreado e é claro o indigno e velado incentivo fiscal. Resultado dessas conjunturas factuais é a esclarecedora má distribuição de renda e conseqüente instabilidade social (fome). Os mato-grossenses estão sofrendo na mão desses reis da soja e ainda tem uns advogados do diabo que os defendem.

  • Mauricio Pedreira | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Bem, confesso que fiquei meio confuso, não entendi bem onde quer ou pretende chegar o glorioso Doutor Bruno, que foi buscar numa palavra de 2350 ac que atualmente na moda em Mato Grosso amagi, bonito, liberdade ou se ta querendo dar uma puxada de saco e arranjar uma teta para uma mamadinha ou se realmente ta na bronca com a Diretoria da OAB. Mas acho que mesmo é que o Doutor Bruno esta meio sem o que fazer, olhar fazer uma pesquisa dessa, cá entre nós.

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