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Segunda-Feira, 30 de Novembro de 2009, 14h:02 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:24

VIOLÊNCIA

A PM dá tiros como abordagem

  A recente investida de PMs contra o advogado José Luiz de Carvalho Júnior, onde foram disparados tiros contra o jurista sem que este tenha esboçado nenhum tipo de disposição ao confronto armado, não foi o foi primeiro ato de covardia e não será a última exposição de exagero de força dos quase 6.000 fardados que integram a chamada segurança militar de Mato Grosso.

   Não é, igualmente, um ato isolado. Acontece todos os dias. No caso específico, é porque se trata de alguém com graduação, filho de desembargador. Na periferia, jovens e trabalhadores são freqüentemente humilhados por guarnições que mais assustam e violam os direitos individuais do que protegem, a razão constitucional de existirem.  Lembram daquele jovem, em Rondonópolis, abatido impiedosamente por um PM?  Lembrem-se de tantos quantos já partiram desta por conta de excessos, truculência e despreparo de policiais! Recentemente, os assassinos do camelô, no Shopping Goiabeiras, gozaram os panos quentes dos policiais que atenderam à ocorrência, embora, corporativamente, o comando da PM tenha havido com o lenga-lenga do IPM (Inquérito Policial Militar) e a justiça nos tenha oferecido mesmices e ritualismos.

    Alguém - já que este governo não foi capaz, embora não tenha inventado a violência policial - precisa estancar a sangria gerada por policiais maus. Sangue ruim mesmo, desabilitados, inaptos! Onde já se viu abrir fogo contra um cidadão pelo simples fato de este imprimir fuga, sem acenar para o paralelo armado? Pelo que consta na lógica e na escritura regulamentar, o policial deve perseguir um suspeito ou foragido em todos os limites, só utilizando-se das armas como último recurso ou para o revide. Ou, claro, se o fugitivo estiver colocando em perigo a vida de outras pessoas.  Para a PM, tem sido atirar primeiro para depois abordar. Aí vêm assessores de imprensa, porta-vozes, IPMs fajutos a justificar a barbárie, enquanto pais, irmãos, filhos e amigos pranteiam e sepultam suas  vítimas.

    Mas a toda regra cabe exceção e não se trata da maioria. A minoria, banda podre da maldade e do avesso de função, entretanto, prevalece tornando a corporação o espelho do medo. Qual criança não treme ao avistar uma viatura? Há quem diz às crianças: “se você não parara eu vou chamar a polícia”. A Polícia Militar, principalmente nos bairros mais afastados, é referência para assustar crianças. Onde foram parar as campanhas que tencionavam aproximar o policial do cidadão? Pelos efeitos do criminoso desleixo governamental e de gestão, a secular corporação vem se tornando uma espécie de milícia do pavor.

    O policial de rua, mesmo trabalhando em elevado nível de tensão, precisa ser reciclado, moldado. Precisa, antes de qualquer coisa, aprender que o cidadão é que lhe paga o soldo, e que dele emana o sentido de sua responsabilidade. O comando da corporação precisa agir, retirar da rua (e do seu seio) elementos que agem ou patrocinam atos tão repugnantes. À sociedade, pelos seus cidadãos e seus clubes de serviço, cabe a tarefa de exigir, por variados meios e recursos, que se puna com rigor quem pratica desvio de conduta, e exigir, também, que os gestores, de âmbito geral, preparem aqueles que vão zelar pela sociedade. Nunca devemos permitir que a ferocidade seja particularidade de uma corporação que, pelo estado de direito, tem a responsabilidade de ser justa, educada, equilibrada e preparada.

     Jorge Maciel é jornalista em Cuiabá

 

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