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Quarta-Feira, 29 de Agosto de 2007, 12h:13 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

A "PTcopatia" na Beócia

     O que de mais interessante a semana ainda nos reserva é o 3º congresso nacional do PT que será realizado no domingo em São Paulo. Ironia do destino ou mandinga mesmo, exatamente alguns dias após o STF aceitar a denúncia contra a cúpula do PT por corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, cada um na sua especialidade. Um dos assuntos que serão tratados no congresso é a ética, com poderes para mudar o estatuto e programa do partido.
     Sim senhor, o PT vai discutir a ética, e como o partido não punirá os denunciados, possivelmente teremos a conclusão de que roubar deixará de ser um ato ilícito e se tornará "uma ação de interesse relevante para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária". Esse é um discurso típico desses PTcopatas.
     Para debochar ainda mais da população, será realizado um jantar na quinta-feira. Motivo? Ah, um simples jantar de desagravo aos denunciados. Cardápio? Rodízio de pizzas. Isso mesmo: pizza. Sei não, mas tenho a impressão de que se Fernandinho Beira-mar e Abadia fossem a esse congresso seriam agraciados com a medalha de honra ao mérito.
     O que é isso? Que congresso é esse que deseja discutir a ética enquanto os presentes se lambuzam na falta dela? Vão discutir o ser petista enquanto ser petista, isto é, o ser concebido como tendo uma natureza comum que é inerente a todos e a cada um dos seres?
     Claro que não! Já sei que ao final teremos um documento em que acusarão a mídia burguesa de inventar o mensalão. Terão o descaramento de desmentir todas as provas descobertas, de dinheiro na cueca a diversos documentos e depósitos que comprovaram a sua existência de corrupção.
     Ah, mas atacar a mídia é um tema recorrente, sempre atual nesses congressos, e que foi escolhido pelos intelectuais petistas (aqueles que não estão no banco de réus). A mídia. A abominável "mídia burguesa que é pior que a inquisição e produz apenas simulacros", segundo a musa da PTcopatia, Marilena Chauí.
     Outro que reclama da famigerada mídia, do "jornalismo nativo" e dos "jornalões reacionários", é o charmosérrimo Mino Carta. Mino, a reencarnação de Narciso, o herói do território de Téspias na Beócia, da mitologia grega. Ele não se cansa de acusar a mídia de ter dado repercussão a uma "fantasia jeffersoniana" chamada "mensalão". É verdade, o mensalão não existe para Mino Carta, assim como não existe para Marilena Chauí, que publicou dias atrás um artigo chamado "A invenção da crise".
     Aliás, Mino, o herói da Beócia, critica a mídia, mas se farta recheando sua revista com propagandas do governo federal. Mino reclama em seu blog dos "refinados representantes da elite cansada" que organizaram o movimento "Cansei". Acusa-os de não serem clientes do Bolsa Família, como se só esses pudessem reclamar da corrupção do PT, recrimina-os dizendo que comem caviar, mas adora comentar em seu blog sobre filés de enchovas, salames italianos e vinhos que devem custar boas Bolsas Família.
     Ai, ai, ai. Ah esses "burgueses do dinheiro público"... os vejo horas sentados à mesa de um sofisticado restaurante burguês, e entre um gole e outro de um vinho Romanée-Conti, ao custo aproximado de R$ 6.000,00 a garrafa, criticando a elite burguesa do nosso país.

Adriana Vandoni é economista, especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ (avandoni@gmail.com Site / www.prosaepolitica.com) Cuiabá - MT

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