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Quinta-Feira, 26 de Julho de 2007, 09h:15 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

Além da prisão, a verdade e a punição

      Finalmente foi preso o assassino, ou co-assassino de Sávio Brandão Jr.
     Embora este fato seja meritório, o é na medida em que, os Órgãos Policiais e sua estruturação, continuamente reivindicadas por eles,    são sempre relegados a outros planos políticos mais importantes, porém, esse é  apenas um pequeno pedaço desse emaranhado sórdido que virou o assassinato do jovem empresário.
     É preciso que a verdade venha à tona, independentemente de quem ela possa atingir.
     Juízes, promotores e policiais  corajosos e deliberados,  tiveram papel essencial na busca da verdade sobre o caso. Mas, os interesses de alguns “líderes políticos” continuam intactos. São os intocáveis. Os homens que se pautam na vida pública, pela exacerbada intenção de nos furtar, não sendo para eles, nem por um minuto importante, a vida de um ser humano.
     São homens que brilham na constelação politiqueira e asquerosa de meu Estado e do meu País. Gente, que às vezes, em cargos públicos, eleitos ou não, se apoderam deles e constroem verdadeiros impérios, sobrepondo à verdade e à justiça, os recursos que acumulam,  frutos da corrupção.
    Já ouvi muitos falarem sobre a “vida problemática” de Savinho,  no entanto, nenhum deles teve a coragem de vir a público, falar sobre o assunto. Mentiras só podem ser ditas nos arcabouços e bastidores do mundo político, no qual gente decente, embora consiga se eleger, é alijado dos processos decisórios. Todos sabem de muitos corruptos e sujeiras que escorrem nos corredores do Poder, no entanto silenciam, quando podem falar, ou por coragem ou por comandar órgãos de imprensa.
    A Imprensa, como quarto poder, não pode ter cor ou ideologia. Não deve atender apenas a interesses deste ou daquele. Ela deve ser isenta e honesta.
    O pensamento é: está comigo, ou está contra mim. Mim quem? Certamente não o povo.
    O assassinato de Sávio foi covarde, como são todos os crimes, encomendados ou não. Teve motivação torpe e monstruosa, prova inconteste da degenerescência humana e da rasteira base sobre a qual estão construindo este País.
    Se alguém me dissesse hoje, que mataria ou mandaria fazê-lo, uma determinada pessoa, porque esta lhe ofendeu, roubou seus bens, arrasou sua moral, destruiu sua família, ainda assim, condenaria, porque a Justiça formal dos homens existe para fazer cumprir as Leis, que nossos Legisladores elaboram e aprovam. Imagine então, o que fizeram a esse jovem empresário, que castigo merece?
    Privei da companhia de Savinho durante o curso de Direito. Embora um tanto introspectivo, era decidido e sabia o que queria da vida. Poucos sabem.
    É sempre incômodo ver nossos inimigos crescerem não é? Mais ainda, saber de coisas que não deveria. Mais ainda, falar e escrever sobre o fato. Mais ainda, mesmo sabendo que poderia morrer pelas mãos de algum assassino inescrupuloso , andar sem segurança pessoal.
    Como me disse, ainda ontem, um amigo Jornalista,  do qual me abstenho em citar o nome, por não ter seu consentimento: resistir e tomar atitudes  são palavras essenciais, quase em desuso, mas ter coragem de assumir riscos e posições, essa possibilidade é ainda bem menor, se não, raríssima.
    Sempre atuais, as palavras do Cacique Seattle, escrita em 1855 e enviada ao então Presidente dos Estados Unidos, Francis Pierce, que propôs a compra das terras indígenas: “Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem”.
    Dignidade, honradez, decência, princípios morais e honestidade são importantes e estão em extinção, tanto quanto a coragem, empalidecida e destroçada, por uma sociedade de “zumbis”, que um dia também morrerão,   pelas mãos de Deus ou pelas  mãos de  suas próprias criaturas.
    Espero viver e sobreviver o bastante, para assistir a punição dos que mataram Sávio e a palidez dos que não tiveram a coragem de sair em sua defesa porque afinal, que não se repita o que aconteceu a Totó Paes, seu antepassado, justiçado apenas 100 anos depois de sua morte. Que a história não se repita.

Oriana Paes de Barros é Procuradora Federal aposentada, pecuarista e pantaneira      

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