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Sexta-Feira, 08 de Junho de 2007, 11h:47 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Além do que eu vejo

     Um dos grandes problemas que temos hoje é do relacionamento interpessoal. Um fato: a partir da TV, deixamos de aprender a conviver com pessoas, de sentar à calçada com nossos vizinhos e assim por diante. Em verdade, pessoas precisam conhecer mais sobre pessoas. Pessoas precisam viver mais com mais pessoas. As pessoas são como diamantes que só se lapidam com elas mesmas. Não há outra forma. Eu sempre digo que, quando estamos dentro de uma empresa, prestando serviço pra ela, temos mais responsabilidade e dever de entender o cliente do que ele a nós. Encosta sua cabecinha no meu ombro e chora.
     Assim é que devíamos estar preparados para atender o nosso cliente (seja ele interno, seja ele externo). E, para nos prepararmos para isso, precisamos entender um pouco mais sobre o comportamento humano. E mais, para entender um pouco mais sobre o comportamento humano, é preciso praticar o exercício proposto pelo macaco sábio do filme infantil Rei Leão III, quando ele diz para o personagem Timão: "é preciso ver além do que eu vejo". Isto é uma grande verdade, é preciso ver além do que eu vejo, é preciso ouvir além do que eu ouço. É como diz Gonzaguinha na canção Sangrando: "quando eu soltar a minha voz, por favor entenda, eis aqui uma pessoa se entregando".
     Quantas vezes o cliente dispara em uma secretária ou em uma atendente toda a sua ira vivida minutos atrás no trânsito, em sua casa, no seu emprego. Às vezes ocorrem situações em que as pessoas não conseguem resolver o cerne de seus problemas e quem paga a conta é a atendente. Não estou defendendo, nem tampouco dizendo que está correta esta atitude. Só estou dizendo que precisamos entender e tirar o que há de verdadeiro nos fatos que ocorrem quando há um atrito, uma exacerbação, uma revolta de um cliente. O inverso da relação também é válido. Quantas vezes o marido ou a esposa ou mesmo os filhos sofrem as conseqüências de um atrito seu com seu chefe. O estouro acontece no lado onde as conseqüências parecem ser menores - famílias, amigos, etc - (e sabemos que não são).
     Às vezes as pessoas brigam conosco, mas precisam de colo. Nos agridem, mas precisam de um afago. Nos ferem, mas precisam de ternura. Tentam nos matar porque precisam saber que estão vivas. Perceber essa necessidade e oferecê-la em resposta é o que Cristo quis dizer com "ofereça a outra face". Oferecer a outra face não é virar o rosto pra apanhar de novo, é oferecer o pedido subentendido que vem com agressão. Veja o que diz Gonzaguinha, ainda em Sangrando: "E se eu chorar e sol molhar o meu sorriso, não se espante, cante que o teu canto é minha força pra cantar". Ele quer dizer que se ele chorar e perder o sorriso, não é para a companheira chorar também, mas pra cantar, pra trazê-lo de volta, pra trazer um novo encanto para a vida. O canto da companheira é capaz de trazer o sorriso dele de volta, o choro dela não. E ele ainda continua: "quando eu soltar a minha voz, por favor entenda, é apenas o meu jeito de viver o que é amar". Aqui ele diz que, quando recobrar a força pra cantar (viver, ser feliz etc.), esse cantar não é apenas cantar, mas o jeito de viver o amor. Cantar, para ele, é apenas o jeito de "viver" o que é amar. Eu acho muito interessante que muita gente cante "é apenas o meu jeito de "dizer" o que é amar". Mas Gonzaguinha é muito claro: ele canta "de "viver" o que é amar". É muito mais rico e muito mais profundo, já que "dizer" é uma coisa, mas "viver" é algo bem mais grandioso. Portanto, no próximo "momento da verdade" que viver, traga essa relação para a consciência, viva o momento sabendo o que está fazendo. Dê ao outro o que ele precisa para mudar, não o que ele precisa pra ser punido.
     Da mesma forma que alguém chega e, com sua carranca, com seu mau humor, pode mudar um ambiente, uma pessoa que chega com alegria, que oferece amor, pode mudar um ambiente ruim e de desavenças e transformá-lo em alegria. E, pra isso, é preciso entender o outro, é preciso enxergar além do que eu vejo.

Claudinet Antônio Coltri Júnior é professor universitário, consultor empresarial nas áreas de marketing, gestão de pessoas e escreve em A Gazeta às quintas-feiras ( junior@coltri.com.br )

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