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Segunda-Feira, 23 de Abril de 2007, 10h:03 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Arranjos políticos

    Estão um alvoroço as conversas políticas em Cuiabá. Tem muita fofoca também. Esta coluna tem a mania de recolher alguns comentários e enfeixá-los num faz-de-conta político. Começar por onde?
    Ah, o Luiz Pagot falou que não há candidaturas definitivas do PR para a prefeitura de Cuiabá. O deputado Sérgio Ricardo parece que não gostou desse posicionamento novo. Ele quase foi para o DEM. Ao ir para o PR parecia que sacramentara sua candidatura à prefeitura de Cuiabá. E agora apareceram os comentários do Pagot.
    Para apimentar ainda mais o assunto, o governador tenta se aproximar do PT. Apesar de alguns no PT chiarem contra, essa aproximação deve acontecer. Não só por fatores locais. Como é que há uma união nacional entre o PR e o PT e aqui não? Isso pode até desembocar num apoio do PR a uma candidatura do PT à prefeitura da capital. Nesse caso, o PT passaria a ser o aliado preferencial do PR e não mais o DEM.
    A fala do Jaime Campos com acusações ao governo deu o motivo para o começo do distanciamento entre os dois interesses políticos. Além de que o DEM, junto com o PPS e o PSDB, é oposição ao governo Lula. E o PR, do qual o Blairo é presidente nacional, é aliado próximo. O quadro de alianças está mudando no estado, portanto. E isso já está gerando alternâncias políticas novas e interessantes.
    Dias atrás o mesmo Luiz Pagot e o deputado Riva andaram se estranhando. Ficou algo no ar também entre o PR e o PP. Não demorou e lá estava o Pagot batendo crista com o Valtenir Pereira do PSB.
    O Pagot está se expondo demais. Começa a crescer no meio da classe política opinião não muito favorável à atuação dele. Acho que ele vai submergir. As bordoadas vão aumentar, ele não vai agüentar ser o pára-choque de toda celeuma. Também o Percival Muniz, do PPS, numa entrevista à TV Record, abriu a caixa de ferramentas contra o governo Maggi e o PR. Alguns deputados já estão arrepiando também com o governador.
    Há um início de distanciamento entre antigos aliados. É um fato natural. Todos se juntaram para enfrentar o PSDB de Dante de Oliveira, que era o grupo mais forte na época. Agora começa o pari-gato interno. Há gente achando que até pode haver uma união de muitos partidos contra o grupo agora no poder. Que poderiam se unir DEM, PSDB, PDT, PPS, PSB e até o PMDB. Ou, se não tanto, esses partidos tendem a se afastar do PR. Será que o Blairo tem embocadura e vontade política para enfrentar essa nova fase que se avizinha?
    Fala-se também numa hipotética candidatura do Blairo à presidência. Mas nem todos acreditam nisso. Uns argúem que Mato Grosso não tem votos para isso. Que o Blairo teria que realizar uma administração revolucionária e que esse fato chegasse ao grande público do litoral.
    Outros mostram que ele seria candidato do agronegócio. Um terceiro rebate que o brasileiro dos grandes centros urbanos não liga para as coisas do campo e é lá que se elege gente. Um quarto comentário é para dizer que já virou rotina falar em candidatura de alguém daqui à presidência. Júlio Campos foi um, Dante outro e agora o Blairo.
    Tem argumentos também para mostrar que com a ida do Pagot para o Dnit o cacife do Blairo cresce nacionalmente. Que líderes políticos de outros lugares, se precisarem daquele órgão, poderão recorrer ao Blairo como intermediário. E todo favor político é cobrado mais tarde.
    Mais comentários. Há uma tentativa de aproximação entre o PSDB e o DEM na capital. Wilson Santos é candidato natural à reeleição. Nesse caso, o DEM o apoiaria? Como fica a eleição de 2010?
    Jaime Campos é candidato ao governo. Se o Wilson for reeleito deve ser candidato também naquela eleição. E viria ancorado em uma candidatura forte à presidência com o Aécio Neves ou José Serra. O grupo do Jaime abre mão de uma candidatura ao governo? Uma candidatura que vem sendo trabalhada há oito anos?
    Em política algumas coisas se encaixam mais tarde, outras saem pelo ralo. Duvido que alguém saiba qual será o quadro político estadual daqui a seis meses.

Alfredo da Mota Menezes escreve em A Gazeta. E-mail: pox@terra.com.br

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