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Domingo, 04 de Fevereiro de 2007, 08h:37 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Assembléia Legislativa e a História

   Para o jornalista Onofre Ribeiro, a Assembléia Legislativa está em débito com a sociedade. Confira artigo abaixo, publicado neste domingo (4) no Diário de Cuiabá.

    A Câmara Federal deu posse a uma legislatura que entra sob fortes suspeitas de continuar o corporativismo e os favoritismos anteriores. O presidente eleito vem de um DNA suspeito, o Partido dos Trabalhadores e suas alopradas trapalhadas dos últimos dois anos. Mas o que vai pesar mesmo é a compreensão dos ilustres parlamentares de que eles representam um Brasil real, encravado numa ilha de fantasia chamada Brasília.
    Mato Grosso contribuiu majoritariamente, com sua bancada de deputados em todos os escândalos surgidos desde 2005: dos mensaleiros, dos bingos, da corrupção e dos sanguessugas. Teve ilustres representantes. O maior tempo dos nossos parlamentares tem sido dedicado ao despacho de emendas parlamentares com recursos pulverizados aqui e ali nos municípios num autêntico caça-votos. Como tudo é caro, inclusive a manutenção do mandato, somada com o custo da obtenção, as emendas acabam se tornando um poderoso caça-níquel generalizado.
    Enquanto isso, nada de importante se vota. Ou, o pouco que se vota passa batido na maioria absoluta das vezes, ou filtrado pelos interesses dos líderes de bancada ou dos negócios generalizados. É uma verdade muito cruel, porque os parlamentares deixam de legislar e de fiscalizar o Executivo, que são as suas principais tarefas.
    Aqui no estado, a Assembléia Legislativa está em débito com a sociedade. Produz pouco e segue a mesma cartilha corporativa da bancada federal. O poder Executivo exerce poder absoluto sobre o Legislativo, que não reage porque mobiliza uma poderosa máquina de interesses primários e secundários.
   O deputado Sergio Ricardo, eleito presidente da Assembléia Legislativa de Mato Grosso, principalmente por ser um homem de comunicação, somado com a sua juventude, tem o dever absoluto de trazer a chamada Casa do Povo para a realidade da sociedade.
   O distanciamento da sociedade, a elitização dos interesses votados, a negociação de projetos com o Executivo estadual ou com prefeitos, por votos, muitos em conversas inconfessáveis é um ciclo que chega ao fim. A avaliação parlamentar dentro da sociedade é péssima. Nesta semana ouvi de um professor da Universidade Federal de Mato Grosso, da área de ciências humanas, esta definição: “os bons não entram na política para não se sujarem no lamaçal”.
   Ora, como disse pesquisa publicada na revista “Veja” da semana passada, “não se pode viver sem os deputados”, por exigência do sistema democrático. Por si só, isto bastaria para que o exercício parlamentar fosse mais transparente. Do lado de cá do balcão o respeito é muito pouco comparado com a importância institucional do Parlamento.
   Foi pequena a renovação da Assembléia Legislativa, mas seria muito útil que a Mesa Diretora folheasse a história passada da Casa do Povo, para rememorar que foi possível, em tempos muito mais difíceis dos que o atual, manter a sociedade dignamente representada. E nada cobra mais duro do que a História. Hoje tudo pode parecer muito conveniente, mas a História é um juiz muito crítico. 

Onofre Ribeiro é articulista do Diário de Cuiabá e da revista RDM (
onofreribeiro@terra.com.br
)

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