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Segunda-Feira, 14 de Dezembro de 2009, 18h:27 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:25

Rumo a 2010

Autuar sim, atuar não!

   Não é de hoje que a população tem informações e promessas de que o trânsito de Cuiabá vai receber intervenções profundas como parte dos preparativos da Capital para os eventos da Copa 2014. Na cabeça dos nossos gestores – no caso o prefeito Wilson Santos e o secretário de Transportes (SMTU), Edivá Alves – dar tempo, aguardar por maiores investimentos nos anos que virão pode parecer normal, afinal, para o primeiro, a campanha eleitoral sucessória ou é ou lhe parece ser mais importante e, para o segundo, protelar soluções deve parecer mais lógico e racional. Para os motoristas, seguramente, não! 

   Andei conversando com muita gente sobre o tema, alguns dos quais de fora, do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba. Foi de um engenheiro de trânsito curitibano, ex-integrante da equipe do ex-prefeito e governador Jaime Lerner, que me veio o diagnóstico e a receita para atenuar o estresse do dia-a-dia nas ruas de Cuiabá. O diagnóstico é o que todos sofremos no dia-a-dia. E a solução é apenas torcer para que a SMTU faça o que todos sabem que deve ser feito: algumas poucas intervenções estruturais (engenharia, obras) e apenas a ordem para o seu pessoal trabalhar, que é o que parece estar faltando mesmo.

   Os agentes de trânsito da Capital, os “amarelinhos”, se apresentam tão somente com o ministério de autuar, lavrar multas. Atuar, orientar, agir mesmo, nada! Ora, os 5.100 agentes de trânsito do Rio de Janeiro (cidade com uma frota urbana para lá de dois milhões de veículos), os "marronzinhos", saem nas horas de "rush" para as esquinas a orientar motoristas e pedestres. Em São Paulo, o pessoal da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), com cerca de 5,5 mil agentes , está nas ruas entre 11h e 13h e das 17 às 19 horas, apitando, se agitando, gesticulando, mandando parar esta fila, liberando aquela ali. Resultado? Por mais problemático que seja o trânsito, os engarrafamentos se reduzem e o fluxo de veículo é vencido pela presença dos agentes de trânsito. É claro que São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte e Rio têm lá suas características e maior volume de veículos e demandas. A diferença é que os setores de trânsito são operacionais e a tarefa de monitorar e ordenar o trânsito é rotina. Aqui não!

   Algumas intervenções que a SMTU tem feito nas avenidas de Cuiabá parecem ter sido elaboradas com o fito de congestionar, de abarrotar as ruas de veículos, de torturar motoristas. Veja o exemplo da Miguel Sutil, cujos engarrafamentos se prolongam a cada dia. Na Carmindo de Campos, até na Morada do Ouro e da Serra (Grande CPA), as filas são torturantes. Esse cenário é fruto da infertilidade, falta de iniciativa e preguiça de quem está sendo pago para resolver problemas e os afasta, indolente ou sonolento. A avenida do CPA tem mais semáforos que a lógica deve permitir: quase 20, de um lado ao outro, em uma extensão de cinco quilômetros. É um sinaleiro a cada 40 ou 50 metros, quando em alguns pontos simples passarelas dariam fim ao problema e permitiriam o fluxo normal de veículos. O secretário de Transporte não aprende que em frente à rodoviária, por exemplo, uma simples passarela, suprimindo o semáforo, acabaria com um tormento que começa às 17 horas e se prolonga até às 19 ou 20 horas, diariamente.

   Ao contrário das outras capitais, os agentes de trânsito de Cuiabá são vistos, geralmente, em duplas ou trios, sob o aconchego das árvores, emboscados, escondidos, sorrateiros, a distribuir multas. Apenas isso. Não são obrigados (quando deveriam) a ir para as rotatórias e pontos mais conflituosos para melhorar a vazão do trânsito, como fazem os seus colegas em outras cidades. Como se vê, a política do "deixa como está para ver como é que fica" sobreleva sobre a obrigação da SMTU e dos agentes que têm o dever de dar respostas e oferecer soluções às pessoas que lhes pagam os proventos e esperam ter muito além que multas e inatividade.

   Esperar por recursos que devem chegar com o advento da Copa é acomodação demais. Ou, para ser mais exato, é embromação pura e simples. Como disse o engenheiro de Curitiba, melhorar o trânsito requer apenas disposição, criatividade e comprometimento. Nenhum dos três predicados provêm da tal secretaria. Até agora!

   Jorge Maciel é jornalista em Cuiabá.

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