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Terça-Feira, 13 de Março de 2007, 08h:44 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Boa notícia para a agricultura

   O professor Alfredo da Motta Menezes, em artigo em A Gazeta desta terça (13) discorre sobre dados do Departamento de Agricultura dos EUA e conclui que o documento interessa a MT. Confira reprodução abaixo.

   Saiu um documento que interessa de perto ao setor agrícola de Mato Grosso. Aliás, do Brasil inteiro. É a análise do Departamento de Agricultura dos EUA (ou USDA, na sigla em inglês) para o setor até o ano 2016 ou para os próximos dez anos. O estudo é de fevereiro de 2007 e tem 116 páginas. Tem um resumo de oito páginas que dá uma idéia global do trabalho que fizeram. É nele que baseio este artigo.

O estudo começa a análise com o crescimento econômico no mundo e nos EUA naquele período. Passa para a projeção populacional, também o valor do dólar e o aumento da demanda e do preço do petróleo.

Comenta muito a produção agrícola do Brasil, Argentina, Canadá e Rússia. São os países que os EUA consideram competidores nesse ou naquele setor agrícola. Vou pinçar o que acho que é mais interessante para Mato Grosso.

O estudo fala bastante do Energy Policy Act de 2005. Ele é a base para a nova política de energia daquele país e ela afeta enormemente a produção agrícola dos EUA e mundial. Esta nova política determina que se deve usar o biodiesel e também o etanol como energia alternativa.

Diz o estudo que continuarão a existir subsídios à produção de biocombustível naquele país e que também "as taxas de importação do etanol continuarão naquele período". É o próprio Departamento de Agricultura do governo Bush que fala que a taxa de importação deve permanecer. Derrubá-la será uma enorme batalha no Congresso dos EUA.

O estudo mostra que os EUA devem produzir 12 bilhões de galões (um galão é 3,7 litros) de etanol de milho por ano. O biodiesel aumentaria para 700 milhões de galões até 2011. Fala ainda que o aumento da produção do etanol do milho afetará a cadeia produtiva de grãos daquele país.

A produção de soja não crescerá muito. O milho está tomando terras de sua produção. A fabricação de etanol de milho naquela quantidade atingiria ainda os preços das carnes de frango e porco. Se o preço do milho vai subir porque boa parte dele estará destinada ao etanol é óbvio que os preços daquelas proteínas animais também subirão.

Diz o estudo que o preço do óleo vegetal vai também subir. Parte dele é usado na fabricação do biodiesel. Menos óleo, preço maior. No Brasil, no momento, isso já vem acontecendo. Em números redondos o preço do óleo degomado pela bolsa de Chicago é hoje algo como 600 dólares a tonelada. O preço desse óleo internamente está em cerca de 700 dólares a tonelada.

O preço da carne de frango, porco e gado nos EUA também subirá um pouco. O uso do milho na fabricação do etanol afeta a cadeia alimentar daqueles animais. O que abrirá mercado externo para o Brasil naqueles produtos.

Em síntese, estudo do Departamento de Agricultura dos EUA mostra que será um bom negócio plantar soja. A notícia é boa para Mato Grosso. A soja terá preço, pois aquele país usaria menos terras na sua produção. Se por acaso acontecer lá naquele período um problema climático o preço da soja melhoria ainda mais.

O óbvio manda aceitar também que se terá preço bom para o milho. Mais milho de lá para o etanol fará o preço do produto crescer no mundo. Como exemplo disso a Amaggi está financiando pela primeira vez esse tipo de produção e até já exportou umas 300 toneladas de milho.

Outro dado abordado pelo estudo e que dá força ao setor agrícola estadual é na questão do etanol e do biodiesel. Mesmo os EUA produzindo o tanto que irão produzir, seu consumo interno é pantagruélico. Ele não terá condições de ser grande exportador para o mundo. O espaço pode ser do Brasil e aí sobraria uma parcela para Mato Grosso.

Para não encompridar conversa, um estudo dos EUA diz que a coisa pode ficar boa para a produção agrícola em nosso estado. O setor agrícola pode se preparar para ter ganhos nos próximos anos. Quem sobreviveu ao cataclismo econômico dos últimos dois anos pode se dar bem de agora para frente.

Alfredo da Mota Menezes escreve em A Gazeta às terças, quintas e aos domingos (pox@terra.com.br)

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