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Sexta-Feira, 19 de Janeiro de 2007, 07h:48 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Briga, tendência e privilégio

   Em artigo nesta sexta (19) em A Gazeta, o professor Louremberg Alves discorre sobre a disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. Leia reprodução a seguir.
    A briga pela Mesa Diretora da Câmara Federal parece ficar mais acirrada, com os parlamentares se dividindo entre as três candidaturas postas, o que pode mudar todo o cenário anteriormente apresentado, quando se dizia que o atual presidente da Casa seria tranqüilamente reeleito, uma vez que contava e ainda conta com apoio da administração Lula da Silva. Tal situação, agora, está totalmente descartada, pois outros dois deputados entraram na disputa, e, por conta disso, fala-se já na possível existência de segundo turno.

   O segundo turno vale dizer, só é possível caso um dos candidatos não consiga a metade mais um do total dos votos existentes na Casa e/ou o primeiro e o terceiro colocados, juntos, obtenham 257 apoios dos 515 deputados federais, a exemplo do que se presenciou na eleição do deputado Severino Cavalcante (PP/PE), pois este, na segunda votação, recebeu os votos que haviam sidos dirigidos ao terceiro colocado na primeira eleição. Isso é possível repetir-se. Aliás, o candidato à reeleição, Aldo Rebelo (PC do B/SP), aposta muito nessa hipótese, daí a sua persistência em manter-se na briga, muito embora até o presidente Lula da Silva, via ministra da Casa Civil, já o sondou sobre a possibilidade de abrir caminho para que Arlindo Chinaglia (PT/SP) prevaleça na cena política como candidato único do governo à presidência da Câmara; em troca poderia ser contemplado com um ministério.

    O quadro, portanto, ainda está indefinido. O petista se encontra na dianteira, seguido pelo comunista e, um pouco depois, pelo deputado Gustavo Fruet (PSDB/PR) tentando arregimentar os votos oposicionistas. Acontece que nenhum deles tem um projeto de trabalho para a administração da Câmara, no sentido de reconquistar a credibilidade popular e sepultar de vez o "papelão" de vários deputados envolvidos em "mensalão", "sanguessugas", "vampiros dos medicamentos" e, enfim, todos os expedientes que desrespeita a Casa e agride a população.

   Trata-se, dessa forma, de uma disputa por visibilidade particular, por cargos e, estrategicamente, por poder de mando, com o fim de melhor barganhar com o governo federal. Razão pela qual o oposicionista PFL se mantém ao lado do deputado Rebelo, a despeito de todas as vicissitudes; também se posicionam os deputados do chamado "baixo clero"; e, igualmente, se coloca a bancada peemedebista que está totalmente dividida, com parte deles apoiando o presidente-candidato e a outra identificada com o líder petista, embora se saiba que uma meia dúzia confessa nos bastidores votar no candidato da terceira via. Não é diferente com os chamados representantes das siglas pequenas, tampouco o é o posicionamento dos peessedebistas, que já se colocaram inicialmente favoráveis à candidatura Arlindo Chinaglia e, agora, com a entrada de um de seus na disputa, se acham divididos em dois grupos: com o primeiro, liderado pelos governadores Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais, não se mostrando muito entusiasta com a candidatura do deputado Fruet, em razão de seus interesses estaduais; e o segundo, capitaneado pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso, defensor intransigente do candidato do PSDB.

 O debate está posto, com as candidaturas investindo nas próprias campanhas e apostando, cada qual, em seu poder de sedução na conquista dos 513 eleitores. Estes não formam um eleitorado fiel, tende, pelo menos grande parte deles, a apostar em quem lhes garanta os privilégios, tais como os altos salários e as regalias do tipo de gastos sem controle, e, isso, leva-o ora para um lado, ora para outro. Há, aqui, a nítida volatilidade de votos, e isso, evidentemente, não se deve em razão de programas de trabalho para possibilitar a celeridade das atividades parlamentares, com o fim de favorecer a vida da imensa maioria dos brasileiros.

Lourembergue Alves é professor da Unic e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos (lou.alves@uol.com.br)

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