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Segunda-Feira, 29 de Outubro de 2007, 08h:13 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:19

Artigo

Brisas e vendavais

     Acabou o aval político ao governador Blairo Maggi, conseguido após a sua primeira eleição em 2002. As recentes atitudes da Assembléia Legislativa indicam uma rebeldia sem volta. Quando se aprovou a CPI da Sema, o Governo do estado entrou na conversa de que a CPI lhe daria um respaldo político para sair do atoleiro ambiental. Atolada em atribuições e tecnicamente despreparada para lidar com o tamanho dos problemas ambientais existentes, a secretaria deixou a maré solta levar os pedidos de  licenças ambientais e outras encrencas pesadas como aprovar os projetos de manejo sustentado da madeira, para citar dois exemplos.
     A CPI teria o papel de destravar a Sema e abrir espaço para um tratamento mais transparente das questões ambientais, herança de uma relação promíscua com o Ibama e a própria Fema, que antecedeu a Sema. Aberta a caixa preta da secretaria, um vendaval varreu os assuntos ambientais e, por mais que o relatório final possa ser atenuado, o prejuízo de imagem para o governo é certo.
     Agora os deputados ameaçam com uma CPI dos incentivos fiscais. Eles sabem que o governo tem segredos na manga e não pode se expor sem prejuízos imensos à sua imagem. No correr desta semana jogou uma carta errada, quando enviou o secretário de Fazenda à Assembléia Legislativa para prestar esclarecimentos, e ele saiu com ameaças particulares e genéricas. Pronto. Passou o atestado que os parlamentares queriam. O negócio agora é entrar em longos entendimentos e salvar o que tiver para ser salvo.
     Mas o leitor deve estar se perguntando o porquê de repentina rebeldia de legislaturas tão mansas como têm sido as últimas no estado. Simples. No ano que vem haverá eleições municipais e se precisa construir discursos e formar alianças. Tudo isso custa dinheiro e prestígio. Então, é preciso negociar o que for do interesse dos parlamentares e do governo.
     De novo, cabe perguntar por que tanta confusão. Claro que o governador Blairo Maggi precisará compor-se com Deus e com o Diabo para passar pelas eleições de 2008, porque elas serão a ponte para 2010, quando ele próprio estará pensando na sua sucessão e no seu futuro político. O vácuo de 2002 quando ele se elegeu e de 2006 quando se reelegeu sem muito esforço partidário, não se repetirá mais. As forças opositoras tiveram tempo para se reagrupar e, pior: estão dentro da aliança de sua base partidária.
     A oposição que virá de fora será apenas a do PSDB, liderada pelo prefeito de Cuiabá, Wilson Santos. O deputado José Riva com o PP e aliados poderá ser uma segunda força, dependendo de composições. O DEM, o PMDB, e o PT, os mais perigosos adversários no conjunto e em separado, estão na base de apoio partidário do governador. Traduzido, isso significa dizer que acabou o tempo de unidade exclusiva do PPS do primeiro mandato e agora do PR. Ele terá que dividir poder e espaços políticos com os piores inimigos de sua vida, travestidos de aliados. Certamente, os dois próximos anos a partir de 2008, serão anos de calvário para o governador, porque o tabuleiro de 2010 estará posto, de olho no governo do estado, nas duas vagas de senador, nas oito de deputados federais e nas 24 de estaduais. E não existem articulações pacificadoras. Ao contrário, as CPIs já mostram a disposição dos ânimos predatórios dos aliados e dos adversários daqui para a frente. Acabou a brisa, começarão os vendavais.

 

Onofre Ribeiro é articulista deste jornal e da revista RDM (onofreribeiro@terra.com.br)

 

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