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Terça-Feira, 09 de Janeiro de 2007, 07h:14 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Chocadeiras da violência (3)

 O jornalista Onofre Ribeiro, no Diário de Cuiabá desta terça (9) observa que "o banditismo sabe que a sociedade é fraca, desorganizada e não acredita no Estado e nem nas instituições estatais defensoras da ordem pública". Confira a seguir:

     O banditismo que hoje cerca as cidades como nos tempos medievais quando a defesa era ficar dentro dos muros à espera do cansaço dos atacantes, tem história e não vai abandonar o ataque. Ele sabe que a sociedade é fraca, desorganizada e não acredita no Estado e nem nas instituições estatais defensoras da ordem pública. Os esquemas de interesses que se armaram em torno da atividade policial são responsáveis por significativa parte da violência atual. A violência interessa à poderosa banda podre das polícias civil e militar. E olhe que não é pouca gente que se esconde dentro dessa banda!
     Estatísticas de São Paulo, publicadas na revista Veja, desta semana, mostram que 7,7% da população já foram vítimas de roubo e que 55% não acionaram a polícia. Em Minas Gerais foram 9,2% assaltados e 73% não acionaram a polícia. Isso significa descrédito. No Rio de Janeiro as milícias estão substituindo os traficantes nas favelas e ressuscitando a figura dos “esquadrões da morte”, dos anos 70/80, quando policiais civis de elite, a serviço do regime militar matavam bandidos perigosos, gostaram a se organizaram dentro das polícias como matadores profissionais legalizados.Acabaram mas deixaram herança viva até hoje.
    Recebi muitos e-mails. Está claro que a segurança pública em Mato Grosso é caso de políticas sociais começando, obrigatoriamente, pela educação, com a vaga esperança de obter resultados práticos e estancar as ordas de novos bandidos não antes de dez anos. É claro que a classe média também tem a sua marginália juvenil, tão violenta quanto as periféricas, porque tem a certeza da impunidade, pela influência dos pais e a proteção de bons advogados. As razões dessa violência são diferentes, mas também estão ligadas à desestruturação familiar.
    Porém, a cruel associação entre policiais, carcereiros, advogados e marginais presos, gerou organizações perigosíssimas como o PCC, porque dá cabeça e gestão a um tipo de criminoso pé-de-chinelo que esteja do lado de fora da prisão. Mas quem alimenta esses chefes são policiais e carcereiros. Recordo o desabafo que ouvi recentemente de um dirigente prisional em Mato Grosso: “os carcereiros dão mais trabalho do que os bandidos”. 
   Quando todos os ingredientes sociais, policiais, prisionais se somam com ingredientes sociais como falta de lazer nos bairros, falta de trabalho, falta de creches, escolas públicas semi-abandonadas e geridas com pouquíssimo interesse pedagógico, e o ambiente de permissividade que tudo isso gera, o resultado é mesmo a violência que temos hoje. 
    Por isso, a tese de que a violência não é mais caso de polícia está cada vez mais verdadeira. Do lado de dentro do muro da moderna cidade feudal do século 21, quem tem, gasta muito e se esconde para se defender dos que não têm. E quem está fora, sabe que com um pouco de organização pode sitiar a cidade e dominar a população endinheirada pelo medo. O Estado olha com perplexidade e não tem preparo para compreender a situação, não tem quadros profissionais com visão e formação social. Só tem revólveres de mais e de munição social de menos. No caso de Mato Grosso, a marginália se conta em centenas, contra as grandes metrópoles brasileiras onde se contam aos milhões.

* ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM (onofreribeiro@terra.com.br)

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