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Sexta-Feira, 25 de Maio de 2007, 09h:44 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Colarinhos brancos à solta

     A corrupção sempre esteve presente na história brasileira, desde a chegada dos europeus por aqui até os dias atuais, e, pelo "andar da carruagem", tudo indica que continuará a ocupar muitas de suas páginas, construindo longos capítulos de dilapidação do patrimônio nacional. Cada vez mais, e isso é evidente, cresce o montante dos valores desviados; com os bandos de "colarinhos brancos" quase sempre a utilizarem-se da mesma tática e estratégica para arrombar o já vulnerável cofre público, retirando dele o dinheiro que bem poderia ser investido em setores da administração com enormes dificuldades e carências, tais como a educação escolarizada, saúde e segurança dos brasileiros.
     Situação complicada. Agravada dia-a-dia, o que prende o país nas primeiras colocações entre os Estados mais desiguais. E isso, não há dúvidas, aumenta as desesperanças da população que, diga-se de passagem, até por conta do baixo rendimento dos Parlamentos, também alimenta a descrença em seus representantes. Não é para menos, pois em todas as falcatruas ou ações de corrupção, do presente e do pretérito, políticos aparecem na lista dos denunciados. Vários deles costumam marcar presença em mais de uma, levando como recompensas boladas cada vez maiores. Nesse sentido, os pegos na "Operação Navalha" não se diferencia dos chamados "sanguessugas"; e estes, tampouco, se mostram distintos dos "vampiros dos medicamentos"; pois todos dilapidam o bem público, via orçamento da União, tal como fizeram os "anões", pegos por uma CPI de 1993, e continuarão a fazer em períodos posteriores a esta última, assim como estiveram presentes em falcatruas registradas anteriormente muitas "aves de rapina" ainda desconhecidas pela Polícia Federal.
     Não se quer dizer com isso que essa corporação policial é incompetente. Nada disso. Ninguém pode, nem tem razão em duvidar de sua capacidade investigativa, pois ela conta com um aparato tecnológico adequado e agentes muitíssimos habilidosos no trato com o objeto investigado. Contudo, valem observar, alguns de seus relatórios divulgados levantam suspeitas, pois trazem resultados pífios. Um exemplo destes, e isso é oportuno relembrar, é o "desconhecimento da origem do dinheiro" destinado ao pagamento do dossiê contra tucanos em 2006, quando se sabe que ela, a Polícia Federal, saberia desvendar o tal "mistério do dinheiro" no máximo em três horas, até pela sua potencialidade investigativa.
     Trata-se, portanto, ou pelo menos se deduz, que há privilegiados mesmo em uma "Operação Navalha" destinada a "cortar" inclusive quem se "enterra nas marés baixas", ou seja, sob o manto do cargo ocupado e de suas prerrogativas. Contrariando, assim, o preceito constitucional que iguala a todos diante da lei. Aliás, próprio do sistema democrático, no qual é inadmissível a figura do cidadão especial. A menos que se esteja em uma democracia de faz-de-conta, sustentada pelo alicerce de uma "república de bananas", onde não há limites entre o público e o privado, com aquele primeiro sendo utilizado como extensão deste último. Metamorfose em que vale tudo para o usufruto desse processo de dilapidação do Estado. Leva mais quem pode com a carga desejada, sem arcar com conseqüência alguma, pois o desviar dinheiro público não é tão arriscado assim. Mesmo porque se vive sob o signo da máxima de que "a polícia prende e a Justiça solta". O fundo da realidade, aqui, torna-se verdade por inteira, quando o preso é alguém influente, sobretudo com a prerrogativa de foro privilegiado, uma vez que jamais se viu o STF condenar uma única alma. Institucionalizando-se, então, a impunidade.

Lourembergue Alves é professor da Unic e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos.

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