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Segunda-Feira, 21 de Setembro de 2009, 15h:20 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:24

EDITORIAL

Com internet, campanha eleitoral nunca mais será mesma

  Com a permissão da internet na campanha eleitoral, estou convicto de que as eleições nunca mais serão as mesmas e por múltiplas razões. Até agora, revistas, jornais, rádio e TV eram quem estabeleciam a chamada comunicação de mão única, ou seja, deles para os eleitores. Agora, o debate é outro. O eleitor, que estará mais mobilizado e proativo, já começou a transformar a internet numa comunicação de mão dupla ou, quem sabe, até tripla. É o começo de um aprendizado de cidadania e de forma responsável.

   Os eleitores vão poder comunicar direto com os candidatos e também entre si, como já se evidencia aqui nos comentários postados no site-blog RDNews. A cada matéria, principalmente as com conteúdos mais polêmicos, "chove" de comentários. Cada um quer dar o seu "pitaco". As autoridades, assessores e correligionários começam a produzir os clippings diários acompanhados dos comentários. Assim, leitores/eleitores, anônimos ou não, acabam interferindo em muitas decisões e até mudando indiretamente o rumo de ações administrativas.

    Nossa luta agora é no sentido de conscientizar esse leitor/eleitor da necessidade de contribuir para a qualificação do debate. Muitos apaixonados por este ou aquele candidato se "desmancham" em elogios e, por um lado, disparam ofensas aquele com o qual não demonstra simpatia ou afinidade. Assim não vale. O que se propõe é o debate de ideias, análises de perfil, trajetória, prestação de serviços e até vasculhar a vida pregressa de quem se coloca no páreo para ser representante político do povo. Não podemos deixar prosperar denúncias infundadas contra candidatos e partidos.

    Como o Senado aprovou um projeto que não estabelece qualquer restrição às redes sociais, apesar da Câmara dos Deputados ainda ter de votar a mensagem até 3 de outubro, a campanha já começou em Orkut, Facebook, MySpace, Uolk e Twitter. Assim, não é mais preciso a gente esperar as convenções partidárias ou escolha de candidatos que acontecem, conforme o calendário eleitoral, entre 10 e 30 de junho de 2010.

    A difusão é imediata e todos se veem expostos. Quem terá de distinguir mentira da verdade na rede mundial de computadores será o próprio eleitor. Vamos ter disputa dentro da própria internet, com confrontos de blogs e sites, enfim, de rede contra rede, transformando-a numa arena. É preciso reconhecer que rádio e televisão atingem mais brasileiros do que a internet. Por outro lado, é pequeno ainda o universo de pessoas que contam com computadores conectados à rede em casa, mas o crescimento é o maior de todas as mídias. Existem ainda as lan houses.

   Estamos diante de fatores interessantes com a liberação da internet na campanha eleitoral, como o aumento da participação das pessoas no processo eleitoral e, ao mesmo tempo, de estímulo para novos usuários no dia a dia da internet, além de motivar a inclusão do jovem na política, afinal eles representam mais de  20% dos eleitores. Diante dessa nova janela para o mundo e da liberdade de expressão a todos, os partidos e candidatos vão ter de apresentar propostas específicas, por exemplo, para os jovens. Assuntos como mercado de trabalho, oferta e redução de emprego atraem a juventude para a discussão.

   Candidatos, por sua vez, vão ter à disposição ainda o trunfo de poder usar a internet para montar infraestrutura de campanha, em busca, por exemplo, do financiamento popular. Muitos devem copiar o exemplo do hoje presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que arrecadou mais de 70% das doações milionárias por meio eletrônico. (Romilson Dourado)

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Comentários (2)

  • carlos vieira | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Parabéns o site continua sendo inovador e pioneiro em discutir temas que interferem no nosso dia à dia. A possibilidade do livre uso da internet na campanha a meu ver, é de suma importância para fortalecer a nossa democracia e do controle externo por parte da sociedade

  • Bntonio Brito | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    PARABENS ROMILSON PELA VALORIZAÇÃO DO TEMA, É ISSO AÍ, UM ABRAÇO.

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