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Quinta-Feira, 19 de Julho de 2007, 08h:52 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

Comunitários choram perda de Daliberto, baluarte da luta popular de Cuiabá

     Daliberto Ferreira, 67 anos, considerado na história do movimento comunitário de Mato Grosso, um dos mais aguerridos militantes. De origem humilde, o baiano migrou para nosso Estado, na década de 70, justamente na época em que surgiam, na Capital, manifestações mais fortes de cunho comunista contra o regime de exceção.
     Não demorou para que Daliberto viesse a se alistar nas hostes revolucionárias, onde participava com destemor das suas ações às quais buscavam melhor qualidade para a popular, especialmente em prol dos menos favorecidos.
As reivindicações sucessivas nas áreas de educação, saúde, saneamento básico e moradia popular significavam bandeiras de luta do movimento revolucionário, em Cuiabá.
     As ocupações de áreas ociosas, na Capital, por aqueles que encabeçavam o movimento, deram origem ao surgimento de bairros periféricos, como Canjica, Jardim Leblon, Barbado, Santa Isabel e outros.
     O cenário político e ideológico local davam conta de dois grupos absolutamente antagônicos: os governistas (Prefeitura e Estado) e os considerados comunistas (MR8, PC do B e MDB), que incluíam, além do jovem Daliberto Ferreira, na época com 43 anos, o nome de Antônio Valentin, Valmir Cardoso, João Batista Cavalcanti, Dito do Canjica, Francisco de Almeida (Bié), Sebastião Caldas, Jorge Dias, João Lira, Antônio Barbosa e outros.
     Valmir de Souza Vieira orientou à época Valmir Cardoso para criar, de direito, a Federação Mato-Grossense de Associações de Moradores de Bairros (Femab), que existia até então apenas de fato, representada por seu presidente, Vinícius Abraão Coutinho Dânin, e seu vice-presidente Nélio Marques de Araújo.
     Vale registrar que, pouco antes da visita a Cuiabá do então ministro do Interior, Mário Andreazza, em fins da década de 70, os dois grupos decidiram se aliar; momento em que se promoveu a maior manifestação jamais vista na historia da Capital, com cerca de 10 mil presentes; assistida pelo ministro que, de imediato, determinou ao governador Garcia Neto que tomasse providências urgentes para resolver o problema fundiário urbano da Capital.
     Mais uma vez lá estava o jovem Daliberto Ferreira e todo um movimento popular, apoiado por Valmir Cardoso e seu vice Francisco ‘Bié’ Almeida e, ainda, Gilson de Barros, Dante de Oliveira, Paulo Nogueira, Isaías Rezende, alguns dos principais políticos da época.
     Não foi diferente no caso de ocupação da área que resultou no surgimento do atual bairro Santa Isabel, mesclada de comícios relâmpagos, confrontos com a Polícia e manifestação ardorosa do povo.
Daliberto Ferreira partiu de maneira violenta, embora tenha sido responsável pela criação do Conselho de Segurança Comunitária do Santa Isabel.
     Daliberto nos deixou após nos dar exemplo de luta incansável, em prol da qualidade de vida de seu povo; população de seu bairro, da sua cidade e do Estado que adotou como sua verdadeira terra natal.

João Lira é bacharel em Direto e ex-presidente da Federação Mato-Grossense de Associações de Moradores de Bairros (Femab) e-mail joaolira5@yahoo.com.br

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