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Domingo, 16 de Setembro de 2007, 07h:49 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

TRANSPORTE

Consórcios dão calote e governo assume o ônus



Produtores definem trajeto, priorizando suas propriedades, postergam pagamento de parcelas e levam Estado a cobrir rombo e a comprometer o Fethab; deputado faz alerta
  

   Os 34 consórcios rodoviários que estabeceram parcerias com o governo estadual para construção de rodovias estão inadimplentes. Como não quitam as parcelas, o ônus fica com o Estado, que acaba destinando toda a arrecadação do Fundo Estado de Transporte e Habitação (Fethab) para cobrir o rombo, com exceção das casas populares. O alerta é do deputado Percival Muniz (PPS). Ele vai propor uma audiência pública para debater o assunto. Na sua avaliação, o governo não pode se sujeitar às regras de alguns empresários e produtores rurais que, dentro dos consórcios, defiram trechos a serem asfaltados -alguns desviados para proximidades de suas fazendas -, agora postergam pagamento do custo da obra, obrigando o Estado a arcar com toda a dívida. O governador Blairo Maggi se vê num rabo de foguete. Vai ter de cobrar judicialmente os consórcios rodoviários e, para não interromper os projetos, o Estado se vê obrigado a tocá-los sozinho, comprometendo o Fethab.

   "Esses consórcios precisam ser revistos. O governo cometeu erro estratégico. O resultado é a inadimplência. Além do mais, essa parceria só beneficiou uma pequena região em detrimento das demais", destaca o deputado Muniz. Ele observa, porém, que Maggi teve boa intenção quando propôs parcerias com a iniciativa privada no sentido de acelerar os programas rodoviários. O problema, diz, é que quase todos começaram a obra, com o compromisso de bancar 50% dos custos e, depois, recuaram.

   Privilégios

  Percival Muniz acusa produtores rurais de mudar trechos das rodovias para contemplar fazendas em detrimento dos locais com maior número de habitantes. Ele cita o caso da MT-235, a qual classifica de "rodovia do Eraí", numa referência a Eraí Maggi, primo do governador e que já é chamado de o novo rei da soja. A MT-235 deveria ligar três municípios: São José do Rio Claro-Nova Maringa-Nova Mutum. Como os produtores assumiram compromisso de bancar 50% das obras, o governo aceitou que a classe definisse o traçado. Assim, a estrada avançou para fazendas, deixando isolado São José do Rio Claro e Nova Maringá.

    Pelos cálculos de Muniz, dos cerca de 2 mil km de asfalto pavimentados até agora nestes quase cinco anos de mandato de Maggi, metade ficou concentrado no "eixo da soja", de Nova Mutum a Sinop. O deputado observa que no primeiro mandato do atual governo, a região do Araguaia, que representa um terço do território mato-grossense, só teve um consórcio para asfaltamento de 28 km na chegada de Canarana."Como a região não tem cacife e coragem ficou excluída".

   O parlamentar calcula que, em oito anos a gestão Maggi arrecadará R$ 2,5 bilhões com o Fethab. Excluindo o que se deve gastar com habitação, sobrariam entre R$ 600 milhões a R$ 800 milhões. "No jeito que  vai esse dinheiro ficará concentrado numa única região, num raio de apenas 200 km, entre Nova Mutum a Sinop, em detrimento das regiões Sul, que não conseguiu viabilizar um consórcio, do Araguaia e da Baixada Cuiabana, exceto a MT-010, que liga Acorizal a Rosário Oeste", alerta o deputado.

   Percival Muniz reconhece que, quanto ao programa de habitação popular, houve distribuição equitativa das casas em todas as regiões. Ele defende que o governo exige conclusão das obras pelos consórcios, concentre novos projetos em regiões não atendidas até agora.

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Comentários (7)

  • calixto guimaraes | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    DOR DE COTUVELO! O senhor,Percival Muniz,despeitado por ter sido apiado da caravana do governo estradeiro,agora, destila seu odio de opositor despeitado.Sem nenhuma pespectiva de sobrevivencia politica,seria melhor que esse baiano viesse em definitivo para o Xingu,cuidar de sua fazenda.

  • julio augusto de oliveira soares | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Este tipo de atitude não causa surpresa alguma,haja vista que há muito tempo os interesses privados falam mais alto que o público em Mato Grosso,só lamento que o ilustre deputado Percival Muniz não chamou atenção para este grave problema quando participava do lauto banquete da turma da "botina" que ajudou a eleger,inclusive com a sua digníssima esposa ocupando importante secretaria que mesmo com gravíssimas denúncia foi sustentada no cargo pelo Blairo Maggi.Temos que esperar as próximas eleições para tentar apear das nossas ancas estes senhores que transformaram o Estado em uma grande fazenda com o povo valendo menos que seu gado ou pé de soja.

  • ASSUT-MT | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Parte dos recursos do FETHAB deveriam ser usados para subsidiar o transporte coletivo da Capital.
    Jean M. Van Den Haute
    Coordenador Técnico ASSUT-MT

  • Nelson Freitas | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    É o Sr. Percival, cuspindo no prato qu comeu..

  • Augusto | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    É por isso que Blairo quer vender a dívida do Estado, e entregar o pepino ao seu sucessor. Agora, que o buraco é mais embaixo, e está prestes a quebrar o estado, fica falando que perdeu o prazer de governar ...

  • César de Oliveira | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    "NÃO É CUSPIR NO PRATO"

    A questão não é cuspir no prato que comeu, pois a exemplo do Deputado Percival todos nós fomos enganados pelas peseudos promessas de mudança apregoadas pelos botinudos.

    Ainda bem, que o Deputado Percival acordou e tem a coragem de se opor aos "desgovernantes" que desejam mandar no Estado. "Antes tarde do que nunca". Espero que outros deputados e outras lideranças também acordem, para o bem de Mato Grosso. Fora os botinudos.

  • Dito Souza Filho | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas.
    Queira, por gentileza, refazer o seu comentário.

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