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Domingo, 25 de Março de 2007, 09h:53 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Cotoveladas políticas

     Em artigo em A Gazeta deste domingo (25), o professor e cientista político Alfredo da Mota Menezes discorre sobre a crise política entre o senador Jaime Campos (PFL) e o governador Blairo Maggi. Leia abaixo

    Será que Jaime Campos vai mesmo para a oposição ao governo Maggi? Diferente do que supunha esta coluna, acontecimentos recentes sugerem que ele quer criar logo a cara de oposição ao atual governo. Se vai dar certo ou não é outra história.

    Ele já trilhou antes esse caminho. Parece que quer repeti-lo. O PMDB foi ao governo em março de 1987 com Carlos Bezerra. Júlio Campos era o líder da oposição. Ele não gostava de dar espaço político a ninguém.

    Falava-se até que ele poderia ser outra vez candidato a governador em 1990. Mas saíra desgastado do governo. Pessoas do grupo político dele conseguiram, com algum esforço, que ele abrisse mão para uma futura candidatura do Jaime em 1990.

    Nascia o slogan "Pedra 90". Ele, Jaime, fez campanha durante quatro anos para aquela eleição. Talvez queira repetir aquilo. Começar cedo seu trabalho rumo à eleição de 2010. Merece algumas considerações.

    O governo Bezerra teve alguns problemas. Em cima dos erros, o Jaime fez dura campanha. Quer repetir a dose agora.

    Se o atual governo não destrambelhar administrativamente será um pouco mais difícil para o Jaime usar seu estilo de ataques para fazer campanha. É que, como mostram alguns estudos, se a agricultura for bem o governo pode ter recursos para não ficar tão mal na fita.

    Se, hipoteticamente, o governo Lula ajudar o Blairo, o espaço para o estilo Jaime de fazer política, como fez na época do PMDB no governo, pode não funcionar. Ficaria pior ainda para ele se o Luís Pagot fosse para o Dnit. Se isso tudo acontecer, vai ter gente do grupo do Jaime o aconselhando a modificar sua maneira de atuar politicamente. O duro é controlar esse seu estilo.

    Mas, por outro lado, o Jaime não tem outra opção a não ser ir para a oposição mesmo. Se ficar atrelado ao governo perde espaço político, não cria cara de alternativa de poder. E, ao mesmo tempo, o PR é que se iria fortalecendo para o pleito de 2010. Frente a essa situação, o entrevero político parece que já começou e vai aumentar em 2008. Depois desta eleição os estilingues serão disparados.

    Se o Jaime assumir o papel de oposição ao governo, não adianta o grupo no poder dizer que o ajudou a se eleger e também a outros do grupo dele. E que agora recebe essa espécie de ingratidão. Besteira.

    Um grupo usou o outro. Não há inocentes nesse jogo. Pare enfrentar Dante de Oliveira juntaram-se todos. Passado isso, as garras começam a ser mostradas. Talvez mais cedo do que se esperava.

    Outra pergunta do momento é saber se o estilo Jaime Campos de bater duro no adversário, seja publicamente ou em conversas particulares, funcionaria hoje. Antes funcionava. Será que as pessoas no estado aceitam ainda essa maneira de atuação política?

    Na verdade, o Jaime atua melhor politicamente se for no ataque. Sua escola foi essa. O que não se sabe é se isso funciona agora como funcionou antes.

    Será interessante observar também como vai reagir Blairo Maggi aos ataques do Jaime e de outras lideranças. Até agora, ele navegou em águas tranqüilas na política estadual. Seu teste político é agora. Será que tem embocadura para receber e dar pancadas nos adversários? Ou se recolhe e, por baixo do pano, tenta miná-los? Será que este estilo também funciona?

   Acho que ele não tem estrutura para enfrentamento político público quase que cotidianamente. Vai se recolher e tentar comer o Jaime de outra forma.

   Ele vai ter que se acostumar também com as traições ou defecções políticas. Depois da eleição de 2008, quando todos já estarão de olho na de 2010, começarão as mudanças no seu grupo. A classe política olha para o governador que vai entrar e não para o que vai sair.

   Será até divertido observar como vai se comportar o Blairo e seu grupo frente a uma nova e diferente situação política.

Alfredo da Mota Menezes escreve em A Gazeta às terças, quintas e aos domingos (pox@terra.com.br)

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