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Quarta-Feira, 18 de Julho de 2007, 01h:13 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

Delegado, eu quero saber!

     Eu e a revista Carta Capital, quem diria, concordamos em um assunto. A revista encaminhou ao Superintendente da Polícia Federal em São Paulo, delegado Jader Saadi, um questionário com perguntas que ficaram no ar durante as investigações do suposto dossiê comprado pelos aloprados do PT. O foco da curiosidade da Carta Capital é o delegado Edmilson Bruno, aquele que vazou as fotos do dinheiro apreendido com Valdebran Padilha e Gedimar Passos em um hotel em São Paulo. A revista quer saber qual foi o procedimento punitivo adotado pela PF contra o delegado Bruno.
     Meu interesse é quase esse. Quero saber onde foi parar o depoimento de Valdebran dado ao delegado Bruno no momento da prisão. Lembro-me claramente que Valdebran disse que foi até a sede da Polinter em Cuiabá conversar com Luiz Vedoin a mando de um homem, supostamente de Cuiabá. Primeiro disse que se tratava de um advogado, depois disse que era um homem, mas não se lembrava do nome, depois simplesmente que não queria revelar.
     Guardei bem essa informação por crer que a origem de todo esse suposto dossiê ou compra de calúnia, como eu prefiro tratar, começou bem antes da prisão dos dois aloprados em São Paulo. Teve origem aqui em Cuiabá e foi planejada por gente de Cuiabá. Só se tornou dossiê depois que foram pegos com a boca na botija. Além de bandidos, coitados, incompetentes, mas tudo bem.
     Passados uns meses o delegado Diógenes, que cuidou do caso, divulgou um relatório onde dizia que Valdebran foi até a sede da Polinter atendendo um chamado de Luiz Vedoin. Uai!, me perguntei na época, onde foi parar o tal que deu a ordem a Valdebran para que procurasse o preso?
     Eu e Carta Capital queremos informações. A revista quer ferrar o delegado Bruno (punir o investigador e salvar o investigado), eu quero ouvi-lo. O Brasil precisa da verdade e a verdade, se meu faro de detetive não falha, está em Cuiabá. Muitas coisas ficaram sem explicação, mas em especial e que considero primordial para desvendar o mistério, é quem mandou Valdebran procurar Vedoin? Quem mandou Valdebran negociar com Vedoin? E pelas denúncias, quem pagou?
     Na época comentou-se em Mato Grosso que antes de Vedoin ser contatado por Valdebran, alguém teria saído de Cuiabá com a missão de convencer um dos parlamentares envolvidos no esquema dos sanguessugas a envolver políticos adversários. Com a negativa do tal parlamentar, decidiram ir direto à fonte. Será isso boato? Se todos em Mato Grosso ouviram essa história, a Polícia Federal não ouviu?
     Pois bem, entrei nessa cruzada junto à revista Carta Capital. Ela pergunta à PF: A Superintendência apurou e sabe dizer que intenções moveram o delegado Bruno naquele episódio [das fotos do dinheiro]? Eu pergunto: o que foi feito do depoimento prestado pelos aloprados ao delegado Bruno? Existe um arquivo na superintendência em São Paulo? Ou jogaram fora o depoimento?
     Simplesmente não cabe na minha cabeça que este seja um crime sem solução. Mas será a Benedita que não existe uma só conversa gravada através de grampo, que indique o autor deste crime? Com toda a tecnologia e preparo que a Polícia Federal possui, é impensável supor que meia dúzia de aloprados conseguiu cometer um crime perfeito.
     É a imagem da instituição Polícia Federal que está sendo zombada.

Adriana Vandoni é economista, especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ, professora do curso de pós-graduação em Gestão de Cidades (www.prosaepolitica.com)

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