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Domingo, 22 de Abril de 2007, 07h:00 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

OPERAÇÃO LACRAIA

Denúncia compromete pré-candidatura de Jaime

Senador e virtual candidato ao governo concederá entrevista para negar ligação com esquema

  O senador Jaime Campos (DEM) concede entrevista coletiva nesta segunda (23) para negar tráfico de influência ou qualquer envolvimento em esquema de grilagem de terras, fraudes cartorárias e crimes contra o sistema financeiro. Seu nome foi citado numa conversa telefônica entre duas mulheres presas na Operação Lacracia por envolvimento na quadrilha e agora deve ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal. A remessa de peça dos autos já foi feita pelo juiz federal Julier Sebastião da Silva, da 1ª Vara de Cuiabá, já que o democrata possui foro privilegiado.

  Recém-empossado senador após sair das urnas do ano passado com 781.182 votos (61,1% dos válidos), Jaime pode ver comprometido o sonho de disputar o governo do Estado em 2010 devido à Operação Lacracia. Com repercussão nacional, a denúncia começa a trazer desgaste político. Jaime Campos já comandou o Estado (91/94) e foi prefeito de Várzea Grande por três mandatos.

   Uma das principais lideranças dos Democratas, o ex-peelista vinha ensaiando até ruptura com o governo Blairo Maggi (PR), já que não tem espaço no grupo da turma da botina para viabilizar a candidatura majoritária. 

   De acordo com a Polícia Federal, funcionários de cartórios falsificavam e forjavam registros e títulos de propriedades rurais, que posteriormente eram usados na obtenção de empréstimos e financiamentos bancários por "clientes" do bando. O Ministério Público Federal em Mato Grosso suspeita que o senador tenha agido em defesa da ex-tabeliã Helena Jacarandá, que está presa. Ela tinha sido afastada do Cartório de Registro de Imóveis de Barra do Garças e, segundo as investigações, fora reconduzida ao posto graças a interferência do senador democrata junto ao Superior Tribunal de Justiça.

  No pedido de investigação contra Jaime encaminhado ao juiz federal Julier Sebastião da Silva, da 1ª Vara Federal, o procurador da República Mário Lúcio Avelar afirma que o senador "supostamente promove os interesses da organização criminosa junto a elevadas instâncias do poder público, mormente perante o Superior Tribunal de Justiça, a fim de restabelecer a investigada Helena Jacarandá à frente do cartório de registros de imóveis de Barra do Garças".

   O diálogo

   Avelar transcreve um pequeno trecho diálogo em que o nome do senador é citado pelas corretoras de imóveis Lucélia Parreira e Maria de Lourdes Dias Guimarães. Segundo o MPF, Lucélia era braço direito de Helena Jacarandá, e Maria de Lourdes, sua ex-funcionária. Maria de Lourdes afirma, no diálogo: "Qual será que foi o político forte que (interrompida)." "O Julio Campos", diz Lucélia. "Ahn?", fala Maria de Lourdes. "O Jayme Campos, que ele é senador. (...) Ele que conseguiu", responde Lucélia.

   A PF descobriu, durante os nove meses de investigação, que a organização promovia fraudes em cartórios de registro de imóveis em Barra do Garças e Água Boa (ambos em MT) e e Baliza (GO). A maioria das escrituras era propriedade da União ou não existia. Mesmo assim servia de garantia na obtenção de empréstimos por "clientes da quadrilha", de acordo com a PF. 

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Comentários (3)

  • Amado Amador | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Segundo declaração, o senhor Jaime Campos possui mais de 20 mil hectares em Mato Grosso adquiridos após sua passagem pelo governo do estado no começo dos anos 90. Apenas terra, sem contar outros bens e empreendimentos. Suponho que tendo exercido o cargo de governador e, sendo maçom, todas as portas são abertas facilmente e, assim, os negócios são agilizados com maior facilidade para si que para qualquer outro cidadão mato-grossense. Entretanto, há uma seta que aponta sempre este senhor aos conflitos agrários em Mato Grosso. Por Deus, espero viver o suficiente para ver os homens chegarem a verdade encoberta pelos irmãos Campos e seus aliados. Pelo bem do povo mato grossense e suas gerações.

  • edgar jose | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Cada povo tem o politico que merece.

  • Ricardo Araujo | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Não podemos dar crédito a duas mulheres criminosas que sem conhecimento algum com um senador digam isso ou aquilo, isso é muito mais imaginação do que verdade delas.

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