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Quinta-Feira, 12 de Julho de 2007, 09h:03 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

Desenvolvimento com justiça social

     Para iniciar este primeiro de uma série de artigos que farei a respeito do desenvolvimento do estado de Mato Grosso, motivado pelas recentes reportagens sobre ZPE (Zona de Processamento de Exportação), reitero a pergunta que já fiz em outras ocasiões: - O que mais almeja a sociedade brasileira senão a estabilidade política, instituições consolidadas e permanentes, valores morais e éticos reconstruídos, obediência à Constituição Federal, e o que é mais importante para o nosso povo, desenvolvimento econômico, trazendo em seu bojo, emprego, educação, saúde e a cidadania plena?
     A indagação, por si só, tem algo de insólito, de paradoxal, pois a única saída para o nosso estado, e consequentemente nosso país, é um amplo pacto social, que privilegie o homem, o trabalhador e os humildes, na mantença de sua dignidade. E, assim, por que não perseguir, se cremos, em determinada solução que convém a todos, sem distinção de classes ou grupos? O nosso estado já exigia, e exige, ainda hoje, mudanças. Clama insistente pelo desenvolvimento econômico, viés obrigatório para uma sociedade mais justa e menos discriminatória.
     Não é a primeira vez que me aposso do ânimo de escrever sobre o desenvolvimento de nosso Mato Grosso, e nesse resgate da memória vem junto um senso de civismo, de responsabilidade comum, com a noção de dever para com a sociedade. Torna-se urgente repensar o próprio estilo de governar, a maneira de ser e agir, conferindo nas ações maior simplicidade, melhor qualidade no atendimento aos investidores, maior rapidez nas aprovações de seus projetos, para a real implantação de seus empreendimentos.
     Para que haja concretamente o desenvolvimento econômico, é necessário entender que o capital financeiro não tem pátria ou lugar definido. Sua bandeira é do infinito. Vai realmente se instalar onde lhe sejam asseguradas as condições de estabilidade econômica e social e em seu bojo as concretas possibilidades de lucro. É ingênua utopia imaginar-se que o empresário investidor queira assimilar restrições que, de uma forma ou de outra, venham comprometer suas margens, apenas movidos por sentimentos nobres ou por solidariedade política, principalmente num estado como o nosso, com gravíssimos problemas estruturais.
     Com o governo de Carlos Gomes Bezerra (1987/1990), que tive a honra de ser secretário de Indústria, Comércio e Turismo, e ser testemunho no deslanche do processo desenvolvimentista, expresso estratégica e prioritariamente pela industrialização de nosso estado, transformando a nossa produção agrícola, agregando-lhe valores e criando empregos em nosso estado, surgiu o Prodei (Programa de Desenvolvimento Industrial), o primeiro programa de incentivos fiscais do País!      Conseguiu-se, também, com muita luta, a aprovação da ZPE de Cáceres, inexplicavelmente paralisada, e que volta atualmente aos noticiários econômicos de nosso País, como estratégica e fundamental para o crescimento econômico; teve início a fabricação do açúcar, que alicerçou as destilarias existentes para hoje transformar o nosso estado em um dos maiores produtores de açúcar e álcool, e agora o biodiesel; e a Ferronorte, com a liberação de incentivos da SUDAM e outros setores que foram desenvolvidos, que falaremos nos próximos artigos.
     O governador Carlos Bezerra jamais mediu esforços. Tornou como prioridade de governo o atendimento a empresários que se dirigiam a nosso estado para os devidos investimentos. Dedicou-se a explorar exaustivamente os potenciais de nosso estado, a seu ver inesgotável, para contribuir com o desenvolvimento de nosso País. Colocou toda a máquina administrativa a este propósito, inseriu neste processo as entidades de classe produtivas e motivou toda a comunidade para o definitivo progresso de Mato Grosso.
     O governador Carlos Bezerra provou, com suas ações, que o desenvolvimento econômico não depende única e exclusivamente do consenso político e sim da linha dialética e do programa de governo adotado, e a participação de toda a comunidade, atos constantes na experiência histórica do seu governo. Um governo de realizações, apesar da feroz oposição que lhes movia determinadas facções da sociedade, principalmente o setor radical ambientalista que, por exemplo, atrasou irresponsavelmente, por quase três anos, a instalação da Cervejaria Antarctica, indústria exemplo de proteção ambiental.
     Com seu carisma, programa de metas definido, pronto atendimento aos investidores, o governador Carlos Bezerra revolucionou a fisionomia econômica de Mato Grosso. Pôs em marcha o processo de industrialização e abriu para todos os mercados o nosso estado, diversificando totalmente a produção agrícola e industrial. Foram US$ 2,5 bilhões de investimentos em três anos e meio de governo, que propiciaram a criação de 40 mil empregos diretos, com total dedicação à saúde, à educação, segurança pública, saneamento básico...
     Sempre lúcido e objetivo, o governador Carlos Bezerra dizia, em suas palavras dirigidas nas reuniões com empresários e investidores, que “se quisermos promover o desenvolvimento econômico, devemos proceder uma transformação social, mobilizando os recursos humanos, políticos, entidades organizadas” e, ainda, “quando um governo decidido, toma nas mãos os seus próprios destinos, em sintonia com a sociedade, com a intenção de minimizar os seus sofrimentos e angústias, combatendo a miséria, a pobreza absoluta, fazendo ressurgir o homem, como elemento vital,  não há força política ou ideológica capaz de lhe deter os seus passos!”.

Edson Tarcísio de Oliveira Campos, ex-secretário de Indústria, Comércio e Turismo de Mato Grosso( edsontarcisio@hotmail.com )

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