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Sexta-Feira, 09 de Novembro de 2007, 07h:51 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:19

Artigo

Desmate, o vilão mercantilista

     O avanço desenfreado que fez da pecuária o vilão número um da Amazônia nos últimos quinze anos foi o assunto do artigo anterior. Agora quero abordar sobre o segundo vilão, o desmatamento, que alimenta o primeiro. Embora não gostaria de falar de nenhum deles. Afinal, não se trata de plantar grãos ou criar gado, não faço apologia contrária a isso. A situação está na falta de escrúpulo por parte de quem desmata e queima a floresta na busca do delírio pelo poder econômico, na defesa do interesse de poucos.
     Planejamento, sustentabilidade, manejo, consciência, ética, responsabilidade com o clima e com o social, pouco se vê disso na prática. Então, deve-se dar vazão à defesa dos que desmatam e queimam? Ou nos dados que os satélites mostram diariamente, nas fotos e nos estudos com números agravantes sobre a devastação barata das nossas florestas?
     Até quando iremos ouvir a historinha de que a parte desmatada da Amazônia é pequena, e que não oferece risco? É melhor ficar de olho. Assim começou a destruição da mata atlântica. Hoje, já não existem 97% daquele bioma. Ou o governo cuida e fiscaliza a contento e estabeleça um planejamento sério na região amazônica, ou a situação se agravará ainda mais, mediante as atuais condições e perspectivas pouco otimistas, considerando o interesse de quem planta de tornar a Amazônia, o Cerrado e onde for possível em quintais canavieiros. Será que o avanço da queima e do desmate já não é um alerta suficiente? Tenho a sensação de que a Amazônia está virando um tabuleiro mercantilista. Quem dá mais? Quer pagar quanto? Se o lance da vez for a cana, vamos plantar e faturar. Agora com a oportunidade do etanol, há quem pense que esteja diante da solução para mundo, e não é nada disso. É apenas uma alternativa de energia que ainda não é limpa, e, que deve ser muito bem ponderada.
     Enquanto o governo não trocar a cultura do "tapa-buraco", como faz com as estradas brasileiras, e de agir só em curto prazo, perderá o meio ambiente e o desenvolvimento sociocultural da nação. No primeiro semestre deste ano, o relatório da Situação das Florestas no Mundo, publicado Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), mostrou que nos últimos quinze anos, o mundo perdeu em torno de 20 mil hectares de florestas diariamente.
     Somente na América Latina, foram em torno de 64 milhões de hectares extintos, desde 1990. Entre os dez países que reúnem 80% das florestas primárias, dentre eles o Brasil, houve as maiores perdas nos últimos sete anos. Mostra ainda o relatório que o mundo reduziu a perda anual líquida de superfície florestal em torno de 7,3 milhões de hectares, um aparente progresso, que de 2006 para cá tem aumentado em taxas preocupantes, com focos de queimadas e desmates. O Brasil continua como maior desmatador da América do Sul. Responde por 73% das perdas florestais na região.
     Cerca de 30% da Terra são cobertos por quase 4 bilhões de hectares de florestas, que mediante o alargamento dos desmatamentos e queimadas, o plantio de árvores e a expansão florestal natural reduziram significativamente. Segundo o Greenpeace, foram eliminados 17% da cobertura florestal da Amazônia Brasileira nos últimos 35 anos, sendo as principais causas, a exploração ilegal de madeira e a crescimento da agropecuária.
     E os impactos? O calor e a estiagem aumentam na região Centro-Oeste. O rio Araguaia está secando. Surgem no meio do rio Negro áreas com gramíneas e bancos de areia. No Norte do Mato Grosso, presenciei recentemente, córregos e rios que já não existem mais, alguns possuem apenas vales de areia sem jorrar vida por ali. Em 2001, quando publiquei minha primeira matéria sobre esse assunto, já fazia um alerta sobre o potencial hídrico de Chapada dos Guimarães, que estava secando.
     A verdade é que os biomas são partes de um mesmo organismo vivo. Se não cuidarmos das nascentes no Cerrado, é óbvio que os rios na Amazônia secarão, o Pantanal terá períodos de maior estiagem e mudará todo o ritmo de uma biodiversidade existente.

Jair Donato é jornalista em Cuiabá, consultor - Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida (jairdomnato@gmail.com)

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