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Segunda-Feira, 04 de Fevereiro de 2008, 23h:15 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:19

VARIEDADES

Desvirtuado, carnaval começa a perder tradição

  Acho que estou ficando velho, mesmo aos 39 anos. Decidi prestigiar o tradicional carnaval de Santo Antonio de Leverger neste domingo (3) com minha esposa Suely, o filhão Jonathan, de 13, e a minha sobrinha-filha Aline, de 18 anos. Encontramos por lá um casal de amigos. Formamos o que se costuma chamar de galera. Pular que é bom, nada!. Fomos bater papo numa casa alugada a poucos metros do palco central, enquanto a garotada se divertia no meio do povão.

   Para tentar "controlar" os adolescentes, que se juntaram a outros, fizemos espécie de uma escala. A cada meia-hora um adulto tentava localizá-los, tudo para saber se, com eles, estava tudo bem. São por isso que eles chamam os pais de caretas. Nessa brincadeira, sai de lá às 3h, com o compromisso de estar de pé às 6h para trabalhar.

    Queria retornar para casa muito antes, mas a garotada não deixou. Minha preocupação por estar atualizando o blog-site virou obsessão. Acabei interferindo na vida de toda a minha família, que ora entende, ora fica na bronca. Acabou-se a vida social.

    Mas, voltando ao carnaval de Leverger, a festa popular estava indo até bem - mesmo tendo que conviver com nomes de blocos com batismo irreverente ou exôtico, tipo "Pêlo Meu Saco", "Seu... Que Brilha", etc. -,  quando sobe no palco o MC Chaparral e o seu DJ. Os dois vieram do Rio. Sai de cena o ritmo carnavalesco para dar lugar ao funk e ao rapper. Algumas letras das músicas são um convite ao mundo das drogas, da violência e do sexo. Não demorou cinco minutos, acontece a primeira briga. A polícia age rápido e tudo se acalma. Do palco, Chaparral gritava assim, para instigar os foliões:

- O homem que não cantar essa é bicha, é veado! E a mulher que não cantar é sapatão!

   Eu e Suely ficamos numa saia-justa. Fizemos de conta que o recado não era para a gente. Assim, o MC continuou. Aí veio a infame "Dança do Créu" - veja a letra aqui.

   Em 40 minutos de show, MC Chaparral pronunciou, ora em conversa com a galera, ora cantando, diversas vezes as palavras maconha, fumar, Jesus, etc. Aí, não teve jeito. Me apressei para voltar para casa. Da próxima, vou para o Vinde e Vede.

  O Carnaval de Santo Antonio de Leverger, que possui 15 mil habitantes, a maioria na zona rural e que neste período de festa popular acolhe número de visitantes três vezes maior que sua população, não merece ver sua tradição desvirtuada. Desculpe, caro leitor, mas não poderia deixar de fazer esse registro, aliás, oportuno para o debate. (Romilson Dourado)


Integrantes do "Seu... Que Brilha", um dos tradicionais blocos carnavalescos de Santo Antonio de Leverger

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Comentários (13)

  • JTARRUDA | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    já pulei diversos carnavais em sto antonio, o melhor desde o meu nascimento, sempre gostei. O carnaval lá ficou ruim não por causa dos blocos, mais porcausa da infiltraçção de cuiabanos com carros de som os MCs da vida, com dança da garrafa, egua poco, e os axe que não tem letra só malicia. Sem contar com o transpórte dos favelado de cuiaba que vão lá só para brigar.O que está faltando é a intervençao do poder publico.

  • Carlos | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Infelizmente este é também o meu sentimento em relação ao carnaval.

    E não foi só em Leverger que o carnaval perdeu sua tradição.

    Aqui em Cuiabá, há um clube de tradição (não precisa nem citar o nome) realizou uma matinê no domingo digna de nota de pesar.

    Além de faltar tudo no bar (Refrigerantes, água, etc., inclusive respeito com os pais e a criançada), o DJ não parava de tocar funk. Em nenhum momento tocaram músicas infantis ou de carnaval.

    obs. Diziam que o baile era para as crianças.

  • Vânia | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Caro Romilson,
    Tive que sair de casa agora à noite e as ruas de Cuiabá e Várzea Grande estão assim: Carros passando no sinal vermelho, camionetes com (muita) gente na carroceria, carros em altíssima velocidade, sem condição de trafecabilidade (sem luz, sem para-choque, sem retrovisor)... Uma locura!!! E, ai, tenho que culpar a sociedade que se presta a esse papel de irresponsabilidade, pela alegria. Que Alegria justifica tamanhas infrações??

  • Ademar Adams | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    É a dura realidade Romilson. Não dá mais vontade de sair de casa. Qual o sentido desse tipo de música? O palavrão gratuito, o incentivo ao consumo de drogas. Eu já desisti,e refiro ficar longe de tudo isso. Quem tem filhos menores, ainda tem de passar por esse tipo de via crucis.
    E digo mais, o nome dos blocos de Santo Antônio, com esse palavrões eu não acho que seja irreverência. Acho que é apelação chula, que torna vulgar o que deveria ser apenas popular.

  • Evertom Almeida | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Sinceramente companheiro, você não é o único a pensar desse modo, ou eu sou careta de mais ou nasci na época errada...
    Não sou fã desses carnavais, acontece de tudo e nada ao mesmo tempo, prefiro ficar em minha residencia, procurando informações produtivas ou lendo um bom livro...
    Carnaval é igual a música alta, de péssima qualidade chega até ser considerada poluição sonora, bebidas, drogas, brigas e em alguns casos até a morte...
    No inicio só comentei que poderia ter nascido na época errada, pois acredito que um jovem de 18 anos deveria gostar disso, porém não consigo assimilar a transformação do real sentindo do carnaval...

  • medeiros | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Desvirtuado é pouco ô Romilson, o que tu viu em Sto Antonho, repetiu-se nos bairros periféricos de Cuiabá; a coisa está tão feia que faz corar ate o pessoal do "mingau"; não é a tôa que circula interessante análise na "net", veja:

    "Vai transar? O governo dá camisinha.
    Já transou? O governo dá pílula.
    Engravidou? O governo dá o aborto.
    Teve filho? O governo dá o Bolsa Família.
    Tá desempregado? O governo dá Bolsa Desemprego.
    Vai prestar vestibular? O governo dá o Bolsa Cota.
    Não tem terra? O governo dá o Bolsa Invasão e ainda te aposenta. É um circulo vicioso manejando a manada. Eeeh..oh..oh.. vida de gado... povo marcado... povo feliz."

  • leniel cesar | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Somos Santoantoniense de sangue e coração, sabe em toda minha vida nunca pulei carnaval em outro outro lugar a não ser em Leverger!!Venho acompanhando a transformação do nosso carnaval,fico muito emocionada com o siriri.. os nossos curureiros.. pois, conheço cadapessoa,sua história,e principalmente a enorme garra em preservar as nossas raizes e cultura... Arrepio com a Bateria do Seu...Que Brilha, pois me traz lembrança do carnaval quando ainda eu era menina...´não tinha os trios eletrico e a disputa saudavel pelos foliões deste bloco era como Pau Brilhoso. Quem não selembra? Vem,vem.. vem pular no Pau.. vem vem é carnaval...è uma pena o bloco não ter conseguido adaptar-se ao novo estilo do carnaval...Sabe,aqui na minha adolescencia e juventude...já bagunçava muito com os amigos. 1994, fico espantada com a explosão do nosso carnaval, conhecido nacionalmente, sabe até recebemos a visita do grande carnavalesco Joãzinho Trinta... E atualmente, vem Pelô meu.. Saco, Garanahões,que agitam e são responsaveis pelo sucesso do nosso carnavla em Leverger.No comando desses blocos são jovens filhos de Carnavla que não medem esforços para garantir aos foliões a alegria do carnaval. Fico muito triste pelo desanpotamento do folião com o nosso carnaval, pois concordo que ao tentar mesclar demos uma vacilada,nadaque poderá ser melhorado para continuar sendo o Melhor Carnaval !!! Ah!Não posso esquecer ,que o charme da Mulher, desfila nas Caprichosas de Leverger!!! Sabe aoende quero passar carnaval,nos proximos anos... Claro,que é em Leverger.

  • José Marcondes Neto | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Meu tempo dessa muvuca também já passou, mas temos que aprender viver (não necessariamente conviver) com o contraditório e as diferenças... O mundo é plural, amigo Romilson - para o bem ou para o mal!
    Abços.

  • Laura | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Eu sempre achei que eu era cafona, e careta, por que nunca deixei meus filhos pular carnaval sem que eu estivesse presente. Mas vendo os comentários me senti melhor depois de muitos anos acompanhando o carnaval que não tem a minha preferencia, prefiro ficar em casa do que ver o que esta acontecendo por ai e concordo com a sua opinião, a letra da musica e convite são totalmente obsenas para nossos filhos e doi até de ouvir.

  • Jussania Dias Moura | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Isso Romilson é que porque voce não foi ao Parque Folia, lá era MC Serginho, quando ele estava no Palco era só briga localizada ai chega o BOPE e entrou e eu sai de fininho, antes de chegar na esquina escutei dois tiros, fui embora correndo para a segurança da minha família que por diversas vezes já brincou o carnaval no Parque.
    Tinha muita gente por lá.

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