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Sexta-Feira, 15 de Junho de 2007, 09h:07 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

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Disputa no Paço de Couto Magalhães

     Não é ano político-eleitoral, mas existe toda uma movimentação enorme nos principais municípios mato-grossenses, porém com a cobertura ainda acanhada dos meios de comunicação da região. Talvez porque estes consideram cedo demais, afinal a eleição só ocorrerá ano que vem. Contudo, é preciso observar, vive-se agora um momento especial, em razão de uma série de denúncias, desanuviando o quadro de corrupção do país, propício então para uma série de embates, entre os quais a respeito da própria condução das administrações públicas, em sua imensa maioria capenga e bastante distanciada do cidadão, o que viabiliza a conversação em torno dos possíveis pré-candidatos à chefia do Executivo local. Resultados que por certo servirão de base para a montagem do cenário político de 2010. Daí a importância do movimento preliminar com vistas às disputas nas principais cidades do estado em 2008. Cuiabá, Rondonópolis e Várzea Grande, possuidoras dos maiores contingentes de eleitores de Mato Grosso, desse modo, tornaram-se cobiçadas. Vários são os interessados. Mas quem chama mais a atenção não é outro pretendente senão Júlio Campos. Esse filho do "Seu Fiote" se mostra entusiasmado com a idéia de voltar à arena político-eleitoral. O seu retorno parece até uma viagem ao passado, nem poderia ser diferente, uma vez que pretende disputar o cargo de prefeito da Cidade Industrial, do qual, não muito distante, saíra para o governo do Estado, e deste para o Congresso Nacional, no primeiro instante como deputado federal e em outro, na condição de senador. Vitórias que descrevem uma vida e realçam uma passagem. Perdeu uma eleição, quando tentou reconquistar a cadeira de governador, justamente para o seu maior adversário político, Dante de Oliveira, uma espécie de rememoração de brigas entre peessedebistas e udenistas, tão vividas na época de seus pais. Abatido, fez da família o seu refúgio e dos ombros amigos-familiares, o lugar de repouso. Passou a atuar nos bastidores, o que sabe fazer com maestria e desenvoltura invejável, cujo empenho abriu-lhe as portas do Tribunal de Contas. A obrigação de conselheiro o retirou da peleja político-partidária. Passou a ser um simples eleitor, porém jamais deixou de alimentar o sonho de um dia reingressar ao tabuleiro de xadrez da política. No dia do anúncio dos números finais das eleições de 2006, apresentou-se descontraído. As desconfianças nasceram daí, agora estas se mostram mais convincentes ainda, com o diz-que-diz-que que corre solto lá pelas bandas do Paço de Couto Magalhães, arrancando sorrisos da velha guarda várzea-grandense, fazendo Jaime Campos descumprir o que havia prometido e inibindo os ensaios iniciais de Wallace Guimarães, Murilo Domingos, Nico Baracat e Maksuês Leite. Os democratas umedeceram e os outros partidos assistem a tudo de camarote, sem pressa alguma para se posicionarem, até porque nada têm como opções.
     Júlio Campos pode até renunciar da idéia de candidatar-se a prefeito de Várzea Grande, uma coisa, porém, é certo, o anúncio de seu retorno mexeu com o quadro da política local que, diga-se de passagem, mostrava-se taciturno em demasia, sem quaisquer perspectivas de mudanças, até porque inexiste renovação na militância das agremiações partidárias, sentidas na própria Câmara Municipal que apresenta feições antigas, razão pela qual se registra a ausência de embates entre o Executivo e o Legislativo, e a falta deste traz enormes prejuízos aos munícipes e à cidade. Aliás, a possibilidade do reingresso do ex-prefeito só se abre em função das enormes lacunas existentes no cenário político-eleitoral do município. O que oxigenaria a disputa do ano que vem.

Lourembergue Alves é professor da Unic e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos ( lou.alves@uol.com.br )

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