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Domingo, 13 de Maio de 2007, 07h:31 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

VARIEDADES

Dom Pedro Casaldáliga critica papa e vê tensão

    Bispo emérito de São Félix do Araguaia (a 1.159 km de Cuiabá), o polêmico e contundente dom Pedro Casaldáliga, 79, critica, em documento, a postura do papa Bento XVI, que abre neste domingo (13) a 5ª Conferência do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, em Aparecida (SP).

   Casaldáliga é defensor da Teologia da Libertação é já sofreu sanção imposta pelo antecessor de Bento XVI, o papa João Paulo II. O bispo divulgou um documento no qual conta que, "às vésperas da conferência estourou o processo do nosso querido Jon Sobrino, um gesto mais do que suspeito". Se referia ao fato do Vaticano tornar pública uma advertência ao padre espanhol Jon Sobrino, de quem recebeu uma carta recentemente.
   Jesuíta radicado em El Salvador, o padre é um dos expoentes da Teologia da Libertação, a corrente da Igreja Católica voltada para transformações sociais. Quando era cardeal, Bento 16 foi crítico dessa corrente.

     As conferências, convocadas pelo papa, são reuniões de bispos que discutem a linha de ação da igreja. Na América Latina e Caribe, ocorreram anteriormente no Rio de Janeiro (1955), em Medellín, na Colômbia (1968), em Puebla, no México (1979), e São Domingos, na República Dominicana (1992).

   Com seu estilo polêmico, Casaldáliga avisa: "Se alguém, na conferência, atacar a Teologia da Libertação, haverá quem responderá". Segundo ele, "enquanto houver pobre, haverá Teologia da Libertação". "Quem está na cruz agora são os pobres. A cruz da miséria, da violência, da marginalização. O trabalho nosso é descer os pobres da cruz".

     Trajetória

     Casaldáliga sofre de mal de Parkinson e de hipertensão. Autor de mais de 60 livros, ele viu obrigado por decisão do Vaticano a deixar a Prelazia de São Félix do Araguaia, da qual foi responsável por 33 anos. Renunciou ao cargo em fevereiro de 2003, quando completou 75 anos.

   Natural de Catalunha (Espanha), Casaldáliga chegou a Mato Grosso em julho de 1968, em pleno regime militar, com a missão de catequizar a população da Amazônia. Em outubro de 71, foi o primeiro a denunciar a existência de trabalho escravo no Brasil. No mesmo ano, divulgou a primeira carta-pastoral, intitulada "Uma Igreja da Amazônia em Conflito com o Latifúndio e a Marginalização Social".

   A partir dessas denúncias, a prelazia se tornou referência para os movimentos de oposição à ditadura militar. O bispo foi alvo de ataques pelo fato de ser encarado como foco de guerrilha. Por isso, foi preso e torturado pelos militares. Apaixonado por índios, posseiros, negros e peões, Casaldáliga é considerado um combatente das injustiças sociais e políticas. Foi ameaçado de morte diversas vezes por adversários da reforma agrária.

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Comentários (4)

  • Francisvaldo Assunção | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Mais uma vez vemos a Igreja Católica andando na contramão da história, ao invés de lutar pela inclusão dos excluídos (que não são poucos), dificulta o trabalho de seus seguidores que carregam esta bandeira. Lutamos pela Reforma Agrária com Apoio da Comissão Pastoral da Terra - CPT, acreditando na justiça social através da distribuição justa de terras. visitem o nosso blog http://mttp.blog.terra.com.br

  • Francisvaldo Assunção | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Mais uma vez vemos a Igreja Católica dificultando o trabalho de seus seguidores que lutam pela inclusão dos excluídos (que não são poucos). Lutamos pela Reforma Agrária com apoio da Comissão Pastoral da Terra - CPT, acreditando na igualdade social através da distribuição justa de terras. Visitem o nosso blog http://mttp.blog.terra.com.br

  • Juca Lemos | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    O Papa deveria também ter visitado as favelas da grande São Paulo etc..., bem como, os acampamentosde sem terras,e também visitado as Igrejas no Araguaia, conhecer as violências cometidas ao povo de Deus. Parabéns, Santo Bispo Dom Pedro.

  • Maria José Santos Moura | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    É possível que alguns desconheçam (afinal, a ignorância campeia esse país), mas o fato é que os anos 60 e 70, para a juventude brasileira, foram testemunhas de uma tragédia humana, que jamais poderá ser esquecida: a tentativa de um grupo fascista impor o pensamento único entre nós. Sob argumento de combater o comunismo, fizeram exatamente o que combatiam. Um único pensamento, uma só ideologia, um poder central, uma economia estatizante, uma casta de privilegiados... o silêncio
    Mulheres e homens, adultos e jovens, por pensarem diferentes, foram perseguidos. Alguns (felizes) foram deportados, outros trucidados. Uns foram humilhados, outros, em número expressivo, maltratados, torturados, privados completamente da sua dignidade humana e, por fim, mortos.
    Pois bem, nesse período nebuloso vivido, os agentes do famigerado e extinto SNI chafurdaram a vida Dom Pedro Casaldáliga – detalhe: chafurdar continua sendo prática comum dos tais agentes. Tudo porque ele dava voz aos que não tinham. Denunciava, agia. Porém os militares nada encontraram. Tentaram, por diversas vezes, plantar mentiras. Nenhuma colou. Ao fim do obscurantismo vivido pelo país, “eles” recolheram-se às baias, enquanto Dom Pedro Casaldáliga continuou a manter a mesma dignidade de antes, provando que a autoridade moral é conquistada por aquilo que se diz e FAZ.
    Hoje, diante do fanatismo e dos conchavos na luta pelo poder, prática que um dia caracterizou os militares e a direita e que hoje atinge uma parcela daqueles que se intitulavam grupo de esquerda, o Bispo mantém o mesmo idealismo e a mesma integridade de seus propósitos, conservando-os inalterados aqueles mesmos demonstrados no começo da sua luta.
    Também nunca é demais lembrar o apelo dirigido pelo Papa João Paulo II na Carta Apostólica Tertio millenio adveniente: “Assim, quando o segundo milênio já se encaminha para o seu termo, é justo que a Igreja assuma com maior consciência o peso do pecado dos seus filhos, recordando todas aquelas circunstâncias em que, no arco da história, eles se afastaram do espírito de Cristo e do seu Evangelho, oferecendo ao mundo, em vez do testemunho de uma vida inspirada nos valores da fé, o espetáculo de modos de pensar e agir que eram verdadeiras formas de antitestemunho e de escândalo”.
    Pelo seu passado e presente, especialmente no momento em que a sociedade vive uma profunda crise ético-moral, Dom Pedro terá sempre voz.

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