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Sábado, 22 de Março de 2008, 11h:34 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:19

FATALIDADE

Dono de chalana admite culpa por acidente

Embarcação passou por reforma por mais de 3 anos ao custo de R$ 500 mil; empresário lamenta e diz que está quebrado

   O dono da chalana “Semi To-à-Toa”, que afundou no rio Cuiabá último dia 9, Semi Mohamed Said, disse que assumirá a responsabilidade de ter colocado um navegador sem habilitação para conduzir a embarcação, que transportava 22 pessoas. "Não houve irregularidades. O que aconteceu foi uma fatalidade", argumentou. O acidente resultou em 9 mortes.

   Semi contou também que em função da mudança do tempo, o comandante José Gonçalo, preferiu que todos passassem a noite no rio. Somente pela manhã, quando o tempo já estava melhor, é que se seguiu  viagem. "Se houvesse irresponsabilidade, Gonçalo poderia ter continuado a viagem, assim como sugeriram alguns turistas", comentou. O proprietário revelou ainda que Joaquim da Rosa Santos, que estava na chalana como piloteiro (piloto de barcos pequenos), possuía habilitação para navegar, porém, Semi não o colocou como comandante.

   "Poderia mentir e ter colocado o nome dele como navegador, porém, prefiro assumir a culpa. Gonçalo pilotava melhor do que eu ou o Joaquim, que possuímos habilitação. Era ribeirinho e conhecia muito bem o rio e o local onde aconteceu o acidente". Semi  Mohamed observa também que nunca existiu fiscalização na região. "A maioria das chalanas são navegadas por pessoas sem habilitação. Estou sendo crucificado para ver se agora corrigem as falhas que sempre existiram. Somente após o acidente é que vem sendo feito fiscalização e se tem discutido sobre o assunto. O fato está repercutindo até em Corumbá (MS). Pelo que soube, uma chalana foi proibida de navegar por não ter ninguém habilitado", explicou.

    O empresário revela que gastou cerca de R$ 500 mil para adequar a chalana que ficou pronta no final de 2007, após quatro anos de reforma. A embarcação era uma das mais procuradas pelos turistas na região. De acordo com informações de Semi, a embarcação já estava reservada até final de abril, além de já possuir reservar para 2009. "O grupo que viajou uma semana antes do acidente já havia reservado a chalana para o próximo ano", contou.

     A embarcação contava com quatro quartos equipados com uma cama de casal e duas de solteiro, ar-condicionado, televisão, frigobar e banheiro. O refeitório possuía um espaço amplo e confortável, climatizado, som ambiente e televisão. Quatro barcos menores com três cadeiras, caixa térmica e viveiro para iscas, muito utilizado pelos turistas que queriam pescar. Os que preferiam ficar na embarcação, contavam ainda com churrasqueira, freezer, fogão, deck com cadeiras para banho de sol, televisão e dois banheiros no convés. A diária da chalana era de R$ 1,5 mil.

   Atualmente, Semi, que trabalha como despachante, dependia da chalana para sobreviver, pois a renda de seu escritório em Cuiabá não é suficiente para pagar suas despesas. Ano passado, por problemas particulares, penhorou a Pousada Semi Tô-à-Toa em Porto Cercado, município de Poconé, onde está morando atualmente "de favor". Semi está endividado e tem recorrido aos parentes para pedir ajuda, pois ainda não sabe o que irá fazer. "Estou em parafuso. Não tenho mais condições de pagar minhas dívidas, já cancelei meu cheque especial e não sei o que fazer", desabafou.

   Tragédia

   O acidente com a chalana que transportava 22 pessoas aconteceu na madrugada do dia 9 deste mês. Nove pessoas morreram e 13 foram resgatadas com vida. Esta semana, os sobreviventes prestaram depoimentos à Agência da Capitania dos Portos, em Cuiabá. O balizamento do local da tragédia já foi realizado com a sinalização das margens esquerda e direita do rio Cuiabá, mas o definitivo será realizado na próxima semana por uma equipe que virá da Capitania dos Portos do Pantanal, de Ladário (MS).

   Semi disse que não há nada que justifique o acidente. Segundo explicou, a chalana não tombou, portanto, não houve uma manobra arriscada. "A chalana afundou em pé. A tragédia deve ter sido ocasionada por um redemoinho que atingiu a traseira da embarcação, fazendo com afundasse com tanta rapidez", relatou.

  Os sobreviventes relataram que a chalana afundou em segundos. "Só conseguiu se salvar quem estava no convés, pois aqueles que se encontravam dentro da embarcação não tiveram tempo para sair. Pelo que informou o Corpo de Bombeiros, das 9 vítimas, 2  estavam no banheiro, a cozinheira no refeitório e os demais na cabine”, explicou. (Alline Marques)

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Comentários (7)

  • Bartolomeu | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Cáceres está quebrado. Seus festivais, suas festas, sua política. Pena, uma linda região.

  • marcia | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Coitado, deve ser difícil depender de parentes, aqueles que você não fala com eles, e morar de favor então nem se fala, igual o seu irmão morava e você chegou e mandou sair, vendeu a casa e passou a máquina na casa que era do seu pai, você lembra disso?E quando o seu pai morreu nem foi vê-lo.Que pena, espeo que você supere tudo isso, coitada da Aninha para superar tudo isso.

  • luiz carlos cintra | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Sr. Redator,

    Guardadas as devidas proporções, este acidente me lembrou o caso do Titanica, on de diziam que o navio era impossível de se afundar, e deu no que deu. Em ambos os casos, creio que foi imperícia de seus condutores.

    Obrigado.

  • ROBERTO DE ARRUDA | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Onde esta a marinha neste caso, na verdade a Marinha em Cuiabá e Caceres so serve pra crescer bunda, pois nunca fui abordado por essas espécies que estao ali para zelar do rio, comparo a Marinha de Cuiaba e Caceres com o IBAMA, so servem para pedir propinas.
    ISSO É O brasil

  • vior | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    o semi assumiu aculpa, e aqueles bacanas do manso , de barão de leverger, poconé com seus iates, sem habilitação? sera que a marinha vai dar conta de fiscalizar todos?

  • Walter santos | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Olhando assim a grosso modo, dá uma ligeira impressão que esta chalana não é proporcional a altura x largura.

    Será que ela não seria mais alto do permitido?

    um abraço ao pessoal do site rdnews.

  • Leocadio Melo | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    A Marinha, à exemplo do Exército e da Aeronáutica, só serve para gastar o nosso dinheiro.

    A Marinha não fiscaliza os rios, o Exército não fiscaliza as fronteiras e a Aeronáutica não fiscaliza o espaço aéreo.

    Três instituições absolutamente inúteis

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