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Terça-Feira, 27 de Abril de 2010, 23h:26 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

TRANSPORTE

É preciso pensar em quem paga pelo transporte, alerta Procon

Gisela Viana de Souza   “É preciso pensar em quem paga pelo sistema de transporte”. A afirmação foi feita pela superintendente do Procon no Estado, Gisela Viana de Souza, durante a audiência pública, realizada no Hotel Fazenda Mato Grosso, nesta terça (27), com o intuito de apresentar e debater o projeto do novo sistema de exploração das linhas mato-grossenses de transporte de passageiros. Ao fim da reunião, em torno de 20h, a maioria dos presentes se manifestou a favor dos empresários que atualmente exploram o setor, até porque eles lotaram o local. Durante a audiência, eles debateram, mas em raras ocasiões se referiram ao consumidor como o maior interessado. A manifestação da superintendente parece ter surgido para suprir a falta de usuários no local.
 
   Como um “puxão de orelha”, Gisela chamou a atenção dos empresários. Disse que o setor precisa reconhecer, primeiramente, a figura do consumidor para, na sequência, admitir que o sistema de transporte está longe de ser o ideal. “É importante que consigamos reconhecer que o sistema não funciona como deveria. Assim como outros setores, o de transporte recebe reclamações”, declarou . “Ninguém aqui pode dizer que o serviço é de qualidade”, acrescentou.

   Enfática, a superintendente defendeu a necessidade de licitação. “Vivemos num Estado de Direito”, disse. Em tom de reprovação da resposta dos empresários ao processo licitatório, ela continuou a crítica. “Vocês não são vulneráveis. Olha a estrutura jurídica e administrativa que vocês possuem. Isso aqui é um circo e é algo que não sabemos. Tudo isso é um lobby legítimo, porém vocês foram pagos. Ficar gritando só vai protelar o problema”. Ao encerrar essa fala, Gisela foi vaiada por menos de 50 pessoas que ainda permaneciam no Hotel Fazenda: uma maioria de empresários e funcionários do setor. A superintendente do órgão de Defesa ao Consumidor não se abalou e manteve seu posicionamento. “Falo com propriedade e em nome do consumidor”, concluiu a sua manifestação na audiência.

   Gisela entende que sempre vai haver demandas, mas lembra que o consumidor precisa se defender e insistir para que transformações aconteçam. Ela elenca algumas demandas, como garantir ao idoso a reserva, gratuita, dos primeiros assentos no ônibus, de acessibilidade e de assistência aos passageiros, quando os veículos quebram nas vias. A superintendente ainda lembra que sobram cobranças de taxas de embarques, extravio de bagagens e descumprimento de horário. “Além disso, o direito de escolha não está sendo respeitado. É preciso evitar, de todas as maneiras legais, o monopólio da concessão de linhas”, ressaltou, em entrevista ao RDNews.

     Mesmo com a pouca ou quase nenhuma participação do usuário do transporte de passageiros intermunicipal, Gisela reconhece a importância da audiência. “A participação do consumidor ainda é pequena, contudo toda discussão é sempre válida. Penso que o setor poderia ter enriquecido este debate com propostas objetivas. Essa aversão a mudanças causa insegurança jurídica”, avaliou. A superintendente promete fazer as contribuições ao projeto. “Já estamos estudando propostas e vamos provocar o consumidor a dar sua contribuição”. 

   A participação do Procon não agradou aos donos de empresas que exploram atualmente as linhas intermunicipais. Assim que a audiência terminou, Gisela foi abordada aos gritos por um empresário, visivelmente irritado, que discordou dela.

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Comentários (6)

  • Jean M. Van Den Haute | Quarta-Feira, 28 de Abril de 2010, 12h09
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    A Ager não está preparada para reestruturar e explorar o sistema de Transporte Estadual. Isso exige profissionais altamente capacitados para mexer em tempo real com programas informatizados altamente sofisticados. Trazer mais um a Consultoria para fazer um "Plano Estático" já obsolete antes de ser colocado em prática é simplesmente dar continuidade aos mais de 40 anos de atraso que o Brasil tem no ramo do transporte de passageiros.

  • Anny | Quarta-Feira, 28 de Abril de 2010, 10h55
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    Concordo que o procon disse a administração e pessima e concordo em nos defender,o outro lado quem vai pagar e os funcionarios, milhares de desempregados nem todos vão ficar nas empresas muitas familias vão passar apertado que nem aconteceu cuiabá x varzea grande ate hoje teve gente que não recebeu,temos que pensar nos dois lado da moeda quem vai sofrer e a população, será que esse novo modelo vai funcionar? se mais de 20 empresas que estão atuando não estão dando conta imagina 8!

  • Nanda | Quarta-Feira, 28 de Abril de 2010, 09h43
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    Gostei muito do discurso da superintendente do Procon no Estado Gisela, pois se os políticos e demais superiores pensassem ou agissem dessa forma teríamos os nossos direitos e também deveres cumpridos.

  • DENIS BEZERRA | Quarta-Feira, 28 de Abril de 2010, 08h27
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    Muito bem ! O procon está certo sim em defender o usuário do transporte rodoviário de passageiros, pois é o papel dele, porém lembramos que os empresários estão brigando pela não monopolização que vai acontecer com o transporte intermunicipal dentro do estado onde apenas 8 empresas comandarão (vão deitar e rolar com o usuário)pois em cada região ela vai ter apenas uma escolha para poder estar viajando e hoje ela tem duas escolhas ou mais, isso sim seria brigar pelo direito do usuário e não pela implantação desse novo modelo de transporte de passageiros que ao meu ponto de vista não vai dar certo.

  • Jonas | Quarta-Feira, 28 de Abril de 2010, 07h34
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    Falar de transporte coletivo é falar da existencia de falhas em todos os setores, municipais como os estaduais; É preciso sim fazer modificações para uma melhoria e conforto do consumidor. viajar de uma cidade para outra em MT existe muitos desconforto e dificuldade, os onibus demoram horas para chegar e muitos estão sucateados, fora a passage que custa cara para nos consumidores. Ja os transporte coletivos da rede municipal é bem pior , pois muitos empresarios ficam com as linhas e não colocam onibus suficiente para nos consumidores; é o caso do Ribeirão do Lipa , que vai até o CPA; Nos horarios de pico a situação complica , os onibus voltam lotados , e quem espera no centro ( AV. Getulio Vargas ), não consegue pegar esse onibus, agente fica das 18 às 20 hs para poder voltar para casa, pois o outro ( Dispraiado Centro ), ja lota na Isaac Povoas.. Aqui em Cuiabá tem que acabar com essa maracutaia de um dono só ter varias empresas, ele não da conta de uma so vai dar conta de duas! Tem que abrir espaço para outras empresas , para outras funerarias etc..., isso é bom para o nosso povo, isso é copiar as coisas boas da Europa, faz parte da educação de uma coletividade, educação essa que esses empresrios que residem anos em Cuiabá e dizem que ja se tornou-se cidadão cuiabano deixar de serem ambiciosos , egoistas , mesquinha e adquirir novos onibus para Capital .

  • Ana | Quarta-Feira, 28 de Abril de 2010, 00h10
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    Infelizmente é por manifestações como ocorrido nessa audiência, que a população paga pelo preço de termos péssimos representantes (políticos), não generalizando, precariedades nos serviços que é de dever serem prestados à população. Foi público e notório o interesses políticos pelos empresários e vice-versa, aliás é ano eleitoral. A audiência foi marcada de forma desordeira por parte dos empresários que não respeitaram não somente as autoridades presentes, como os próprios usuários. Como disse a Drª Gisela, não olharam por nenhum momento para o interesse dos usuários estes, que compareceram, não sabiam nem o porque estavam lá.

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