Últimas

Sábado, 24 de Outubro de 2009, 20h:38 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:24

DEBATE

É proibido proibir

   A terminologia “Proibir” exprime decisão, por lei, ordem superior ou resolução, amparadas por previsões de penalidades, para prevenir algum tipo de ato: nas áreas militares, afeitas frequentemente a treinos de guerra, há indicativas placas expressando “proibida a entrada”. A proibição é correta uma vez que áreas de risco onde há atividades relacionadas a segredo de Estado não devem ser freqüentadas livremente. Em outros aspectos, proibir entrada de homens em aposentos íntimos femininos ou infantis, é razoável e plausível, como também "proibir" entrada de pessoas em salas de cirurgias .... No andar das hipóteses, há variados cenários em que o termo “Proibir” deve ser aplicado e se ajusta perfeitamente.

    "Proibir", outrossim, é um termo forte, agudo, intrigante e, a rigor, é utilizado em demasia, desnecessariamente e incoerentemente. O termo pode ser substituído por orientações e observações menos desconfortáveis e mais brandas - termos que exprimam respeito e  elegância, sabedoria e educação. Nas salas de embarques e no interior das aeronaves, por exemplo, as companhias e as administradoras aeroportuárias recomendam que “não se deve fumar, ligar laptops" ou celulares.  No fundo, é uma proibição, mas com mensagem não tão impositiva ou colidente.

    Recentemente, no metrô em São Paulo, deparei com uma tabuleta eletrônica: “pede-se para não fumar neste recinto”. Nos ambientes fechados, em Londres, se lê “No smoke, please”,  “not between, please” ou “not exceed the full”. São avisos restritivos, só que sem a truculência da expressão "proibir".

    Por estas bandas, o termo é banal, tão amargo que quase assusta! No gabinete do presidente da Câmara Municipal, há um aviso em papel sulfite, já de pontas dobradas, carcomido, não com ideia de orientar, mas flagrantemente de conter: “é expressamente proibida entrada de pessoas estranhas nesta sala”. E é uma sala de atendimento, não o gabinete. Para quem convive com as palavras a todo minuto, o termo “é expressamente” soa pálido, sem efeito, indiferente, mas para pessoas humildes, pode significar uma ameaça. Porque quem ousa “proibir  expressamente” pode se estar querendo passar uma expressão ameaçadora, exagerada, frontal, e que medre.

   Em alguns supermercados e lojas lá está a frase inibidora, postada, dura, irredutível, estulta: “é proibido ....”, ao invés de “por favor, não acesse este corredor... “. O aviso proibitivo, simplesmente pela força que é, também traduz fastio ou indiferença à gentileza, cordialidade e inteligência.  Nos anos 60, Caetano Veloso talvez empanzinado com tanta proibição compôs “É proibido proibir”, claro que mais focada nos fanfarrões da ditadura.

   De qualquer forma, vendo tantos “É Proibido” sem razão, em gabinetes, jardins, bares, lojas, órgãos públicos, vendo a imposição e agressão sobrevalendo-se aos termos mais educados e sutis, assimilo a canção de Veloso.  Chega de proibição!!

   (*) Claro que não posso deixar de observar que, quando não há artigo na construção da frase, a expressão não deve sofrer flexão, ficando o masculino como genérico: é proibidO entrada, ou se houver o artigo “ProibidA A entrada”.

   Jorge Maciel é jornalista em Cuiabá

Postar um novo comentário

Comentários

  • Comente esta notícia

Reconhecimento de um governo ruim

pedro taques 400   Pedro Taques (foto) recorreu a uma observação feita pela mãe, professora Eda Taques, de que fora melhor senador do que governador. No horário eleitoral, o candidato ao Senado, agora pelo SD, menciona a frase da mãe para, em seguida, dizer que reconhece que sua atuação em...

Apoiado por deputados bolsonaristas

jose medeiros 400 curtinha   Um dos vice-líderes do Governo Bolsonaro na Câmara, o deputado José Medeiros (foto), do Podemos, vem recebendo apoio na disputa ao Senado de vários parlamentares bolsonaristas. O chamado núcleo duro do presidente no Congresso Nacional está com Medeiros, entre eles os deputados...

Justiça barra ficha suja em Poconé

clovis martins 400   A Justiça Eleitoral barrou em Poconé o ex-prefeito Clovis Damião Martins (foto), considerado ficha suja. Está inelegível por oito anos. Filiado ao PTB, ele foi condenado pelo TCU por irregularidade insanável que configura ato doloso de improbidade administrativa. Enquanto...

3 estão fazendo pesquisa em Cuiabá

Três institutos de pesquisa entraram em campo na capital nesta semana para levantar as intenções de voto para prefeito. São eles: Malujoa Comunicações, que geralmente divulga os resultados no site Olhar Direto; a Voice Pesquisas e Comunicação, do site Midianews; e Real Time Big Data. A Voice poderá tornar públicos os números apurados da pesquisa a partir de segunda (26), enquanto os outros dois estão autorizados...

Marino enaltece Leitão para o Senado

marino franz 400 curtinha   O empresário e ex-prefeito de Lucas do Rio Verde, Marino Franz (foto), anunciou apoio a Nilson Leitão (PSDB) para o Senado. Disse que conhece o candidato tucano de longa data, desde quando este foi prefeito de Sinop e assegura que Leitão é preparado, representa muito bem a região e o...

Magali de fora em General Carneiro

magali vilela 400   A ex-prefeita de General Carneiro, Magali Vilela (foto), que se lançou novamente à disputa ao Executivo, foi barrada pela Justiça. Teve o registro indeferido, já que está inelegível por ter sido condenada à suspensão de seus direitos políticos em...