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Quinta-Feira, 12 de Abril de 2007, 10h:40 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Ecovia do Pantanal e seus limites

 

   O ex-presidente do Centro de Processamento de Dados (Cepromat), engenheiro civil e de segurança do trabalho, Adilson Reis, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Cáceres, comemora a série de audiências públicas programada pela Assembléia Legislativa para discutir o projeto de lei sobre gestão do Pantanal. No artigo abaixo, ele discorre sobre a questão ambiental e enfatiza a história do rio Paraguai. Confira.

 

    Considerando a série de Audiências Públicas propostas pela Assembléia Legislativa de Mato Grosso a respeito do Projeto de Lei, da lavra do Poder Executivo estadual, que “Dispõe sobre a Política Estadual de Gestão do Pantanal de Mato Grosso e dá outras providências”.
   Confessamos que nossa satisfação é muito grande, porque o assunto ganha espaço em todos os âmbitos, e, ao que parece, caminha finalmente para uma solução com ampla participação da sociedade, se for garantido pelos promotores, o conteúdo da “Seção II - Dos Princípios – Art. 3º - A Política de Gestão do Pantanal de Mato Grosso tem os seguintes princípios básicos: I - reconhecimento dos múltiplos saberes da população pantaneira, como contribuição para o desenvolvimento das potencialidades do Pantanal de Mato Grosso;” extraído da mensagem original do Poder Executivo.
   Daí vem a preocupação, porque as notícias que ouvimos, resultantes da etapa de Poconé, dão conta que o tal reconhecimento teve que ser duramente lembrado aos Senhores Deputados, e mais, quando se trata do Pantanal e seu entorno, onde está o planalto e suas múltiplas utilizações, que através de suas artérias, córregos, vazantes, etc, acabam por despejar efluentes nocivos sobre o principal canal de drenagem de toda a Bacia Sedimentar do Pantanal, que é o rio Paraguai.
   Portanto, achamos oportuno recordar a matéria da Revista Veja, edição nº1600 de junho de 99, que se reportou à “Descoberta do Paraíso”, levando-nos a tecer algumas considerações a respeito do nosso rio Paraguai e sua história como principal vetor da ocupação e desenvolvimento dos dois Mato Grossos, o nosso e o do Sul.
   Basta conhecer um pouco dessa epopéia, cantada em prosa, versos e imagens, para se concluir quão equilibradas com a natureza foram as atividades desenvolvidas pelos pantaneiros, que de forma tradicional, um tanto empírica e poética, por mais de dois séculos mantiveram o Pantanal da forma como hoje se encontra, em condições de ser mundialmente cobiçado como o “último reduto intacto da terra”, como se pronunciaram alguns “defensores” da natureza ao se colocarem contra algumas atividades históricas, como a própria navegação por este rio, em especial no trecho mais ao norte até a cidade de Cáceres.
   Pois bem, estes “defensores” se esquecem que os pantaneiros também evoluem, como toda a humanidade, que adquire conhecimentos científicos e é cada vez mais capaz de identificar os problemas bem como as soluções técnicas, que podem ser aplicadas ao seu ambiente, seja ele qual for, ajustando as suas edificações e equipamentos urbanos ou rurais, de forma a interagir com o meio onde se encontra, evitando, principalmente, os erros cometidos em outras plagas.
   Ultimamente este tema tem encontrado inclusive vontade política dos governantes que, “politicagens” à parte, começam a se municiar de conhecimentos gerados especialmente nas Universidades instaladas no entorno do próprio Pantanal, e estas por sua vez têm buscado no mundo todo, mais e mais informações, repassando-as gradativamente à todos aqueles que têm o privilégio de materializar os seus sonhos neste paraíso.
   O resultado destas ações combinadas é que me induziram, há algum tempo, sugerir a designação deste trecho da “Hidrovia do Mercosul” de ECOVIA DO PANTANAL, cabendo a esta e às futuras gerações mantê-la sempre merecedora desta condição, separando os interesses puramente comerciais de alguns falsos ambientalistas e de seus financiadores “alienígenas” - (estes de forma enfadonha, como em velhos discos furados, ainda vivem a repetir histórias fictícias utilizando termos como: “projeto da hidrovia”, “retificações”, “aprofundamentos, aberturas e fechamentos de canais”, “construção parcelada de hidrovia”, etc.) - da verdade estampada no bojo do Decreto nº 2.716, de 10/8/98, que Promulgou o Acordo de Transporte Fluvial pela Hidrovia Paraguai-Paraná (Porto de Cáceres/Porto de Nova Palmira), e mais recentemente nos trabalhos que buscam dar contornos aplicáveis ao tema, dentro dos conceitos da Avaliação Ambiental Estratégica e de Gestão Ambiental de todo o entorno, ratificando assim a vocação histórica do rio Paraguai e de todo o Pantanal...
   Fica a sugestão aos Senhores Legisladores e Governantes: ECOVIA DO PANTANAL... JÁ...! E MAIS, PELOS PANTANEIROS...
Portanto, que a nova Lei venha realmente AO encontro destes e não DE encontro, sob pena de continuarmos transferindo problemas do planalto para a planície...

Adilson  Reis é engenheiro civil e segurança do trabalho e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Cáceres (IHGC)

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