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Sábado, 01 de Março de 2008, 15h:14 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:19

MEIO AMBIENTE

Em editorial, Folha ataca a resistência de Maggi

Governador recebe duras críticas pelo oportunismo de só vir a contestar relatório do Inpe quando os dados sobre desmatamento são negativos a MT

  Marcelândia, um dos municípios mato-grossenses que encabeçam a lista dos campeões em desmatamento, motivou editorial da Folha de S. Paulo, o maior jornal do país. Com o título "O erro de Marcelândia", o editoral foi publicado nesta sexta. Também detona o governador Blairo Maggi, maior produtor individual de soja do mundo e que contesta os dados do Inpe. Considera muito estranho essa resistência dos grotões e o posicionamento do governador. "Não estranha, assim, que a secretaria estadual de Meio Ambiente tenha saído em defesa de Marcelândia. Alardeou-se erro de 100% nas áreas ali desmatadas no período recente, segundo o Inpe (...). Ceticismo é o mínimo recomendável diante da alegação mato-grossense. Em primeiro lugar, o governo de Maggi não se queixava quando o Inpe ainda apontava queda no desmate, só após o recrudescimento flagrado por satélites. Depois, é sintomático acusar o erro crasso bem na véspera da exigência federal", ataca a Folha, no editorial.


Governador Blairo Maggi enfrenta crise na gestão ambiental

   Eis, abaixo, o editorial da Folha de S. Paulo desta sexta.

    "O erro de Marcelândia

    COMEÇA A contar segunda-feira o prazo de 30 dias para recadastramento de grandes propriedades rurais nos 36 municípios que mais desmatam na Amazônia Legal. Com a localização precisa desses imóveis, o governo federal planeja cotejá-los com imagens de satélite de áreas devastadas, para identificar responsáveis. É o Estado que chega, enfim, aos grotões do país, mas não sem encontrar resistência.
Marcelândia, em Mato Grosso, encabeça a lista. No Estado governado por Blairo Maggi (PR-MT), aliado de Lula, estão outros 18 municípios da relação. É o campeão.
    Não estranha, assim, que a Secretaria estadual de Meio Ambiente tenha saído em defesa de Marcelândia. Alardeou-se erro "de 100%" nas áreas ali desmatadas no período recente, segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). As matas estariam todas de pé.
     Ceticismo é o mínimo recomendável diante da alegação mato-grossense. Em primeiro lugar, o governo de Maggi não se queixava quando o Inpe ainda apontava queda no desmate, só após o recrudescimento flagrado por satélites. Depois, é sintomático acusar o erro crasso bem na véspera da exigência federal.
     O Inpe tem duas décadas de aplicação do sensoriamento remoto em vigilância da floresta. Destaca-se como liderança mundial no setor. Não está isento de falhas, decerto, mas controvérsias metodológicas como essa se resolvem com dados escrutinados por especialistas independentes, não técnicos a mando do governador interessado.
A tarefa que se impôs o governo federal nada terá de pacífica. O Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) publicou relatório segundo o qual, em 2003, o Incra tinha 302 mil registros de posse -cerca de 42 milhões de hectares, ou 23,7% da área de imóveis rurais amazônicos cadastrados- sem documentação oficial.
     São terras públicas ocupadas de modo indevido, em área equivalente aos territórios de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Paraíba. A coisa certa a fazer, ali, é retomar a terra ou exigir pagamento por ela. Impor a lei, enfim, como já se faz com a apreensão da madeira ilegal em Tailândia (PA)."

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Comentários (6)

  • hermes farias de amorim | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Esse editorial é uma clara demonstração do olhar vesgo e da falta de sensibilidade e de visão tosca tanto técnica quanto politicamente do governo estadual para com a gestão ambiental. Sem maquiagem, o editorial da folha de são paulo revela com nitidez que o órgão ambiental estadual está sem comando e totalmente dependente das decisões do setor agropecuário. Enquanto persistir esse quadro de alienação e distorção na área ambiental do estado, para vergonha de todos os matogrossenses só poderemos esperar escândalos, desvio de conduta, maniqueismo e tentativas insanas de encobrir a situação combatendo instituições sérias deste país como é o INPE. Tenha juízo governador, assuma os teus erros e tenha a coragem de rever a péssima gestão da sema.

  • Sidney Torres | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    O Governador Blairo Maggi foi alertado durante todo o ano de 2007 sobre os problemas que enfrentaria na gestão do Daldegan; mas continua teimando. Essa notícia demonstra que a situação já extrapolou os limites estaduais.

  • marcelo bueno paez | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    A área ambiental do Estado de Mato Grosso é uma irresponsabilidade só, toda semana têm escândalo noticiado por ampla imprensa nacional e internacional, e aqui em são paulo, onde resido, a pergunta de todos que se preocupam com o assunto é a seguinte: será que não existe órgão ambiental neste Estado??? Povo matogrossense, me responda, por favor.

  • Sentinela | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Os Dados do INPE

    O que o governador do estado e estes políticos aproveitadores entendem de meio ambiente, de dados de sensores remotos para contestarem os números do INPE, um “instituto de excelência” respeitado não só no Brasil, mas no mundo inteiro, um instituto composto por doutores nesta área, os pioneiros no Brasil nesta área. Eles é que formam os poucos doutores na área de geoprocessamento e sensoriamento remoto que existem no país, quem é ele para chamar alguém de mentiroso e irresponsável.
    Irresponsável é quem contesta um dado cientifico sem base para tal, quais são os dados científicos que o estado de Mato Grosso produziu desde 2005 ? (muito embora a dinâmica de desmate realizada neste período seja dúbia, pois o estado contratou uma empresa que forneceu um serviço de péssima qualidade, que deixa margem a muitos erros, empresa esta que já recebeu da SEMA desde 1999, pasmem, quase Cr$ 44.500.000,00, segundo o próprio relatório da CPI), o estado não possui sequer uma base cartográfica confiável, as ultimas imagens de satélite compradas pela SEMA são de 2005.

    Falta investimento e interesse do governo, alem do mais falta gestão na SEMA, os técnicos de carreira que entendem desta área foram todos colocados a disposição e estão espalhados pela secretaria exercendo outras funções, quando uma equipe extremamente qualificada estava se formando, muitos deles tinham especialização, mestrado e doutorado, esta foi esfacelada por não atender aos anseios políticos e financeiros da atual gestão, em seus lugares foram colocadas pessoas que não entendem nada, são comissionados e terceirizados.

    A empresa Tecnomapas esta fazendo a dinâmica de desmate do estado dos anos de 2006 e 2007, CADE A LICITAÇÃO DESTE SERVIÇO????? QUANTO VÃO RECEBER POR ESTE MAIS ESTE SERVIÇO???

    ATÉ QUANDO ESTA EMPRESA VAI CONTINUAR ADMINISTRANDO TUDO NA SEMA?????


    Onde esta a comissão da CPI que não toma providencias???

    ONDE ESTÁ O MINISTERIO PUBLICO ESTADUAL E FEDERAL????????

  • Miguel Miranda de Moraes | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    VERGONHA!!!ESSA SERIA A PALAVRA PARA EXPRESSAR A PERSISTENTE SITUAÇÃO DO SETOR AMBIENTAL DE MATO GROSSO. O GOVERNADOR, SEM DÚVIDA, JÁ FOI ALERTADO MUITAS VEZES, HÁ VÁRIOS MESES SOBRE A FALTA DE GESTÃO NA SEMA, E AS MANOBRAS, ARMAÇÕES E PERSEGUIÇÕES ENGEDRADAS PELA TURMINHA QUE ELE COLOCOU NA SEMA. OS PREJUIZOS MORAIS, INSTITUCIONAIS E AMBIENTAIS AO ESTADO JÁ SÃO CONSIDERÁVEIS, E SUA LINIÊNCIA PODE LHE CUSTAR MUITO CARO TAMBÉM NA ÁREA POLITICA. ESSA SITUAÇÃO DE INÉRCIA DÁ MUITA MARGEM A SUSPEITA DE INFLUÊNCIAS E INTERESSSES PESSOAIS E EMPRESARIAIS, QUE ESTÃO SENDO COLOCADAS ACIMA DOS INTERESSES DE GOVERNO. SENÃO, O QUE PODE LHE APRISIONAR EM TOMAR A DECISÃO QUE TODA A SOCIEDADE ESPERA, MUDANÇAS NA SEMA E NA POLITICA AMBIENTAL DO ESTADO?

  • Angelo Bocaiuva | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Esta provado que não funciona em nenhuma esfera de governo "REELEIÇÃO". Cadê aquele governador que fazia acontecer com justiça, e que não temía nenhum aproveitador, enfrentava os injustos pelo povo. Esse é o governador que elegemos. Desconheço o que está ai, e ainda se diz fazer senador, governador na próxima eleição. DUVIDO...

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