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Domingo, 25 de Março de 2007, 08h:59 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

VARIEDADES

Em nova fase, Serys circula entre as mais ricas

  Senadora se distancia das massas e é destaque em inauguração de boutique em Brasília

  A senadora Serys Marly (PT), divorciada, mudou o seu perfil político. Não é mais aquela parlamentar combativa de quando ocupou cadeira de deputada estadual. À época, liderava as massas junto com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra na luta pela reforma agrária e junto com as minorias. Da tribuna na Assembléia Legislativa, ela denunciava o governo do Estado, apresentava dossiê, cobrava reivindicações da classe operária e partia para o ataque a qualquer crítica que recebesse.

   Primeira mulher a ser eleita senadora por Mato Grosso, em 2002, quando obteve 574.563 votos, Serys Slhessarenko que, após a separação de Leonardo Slhessarenko, passou a usar Marly no sobrenome, se distanciou das bases. Está mais presente na burguesia, expressão muito utilizada nos movimentos de esquerda quando se referem aos abastados.

   A senadora mato-grossense, derrotada ao governo estadual no ano passado, foi, por exemplo, uma das 1,5 mil personalidades convidadas entre as mulheres mais ricas para a inauguração, na última terça, do novo prédio da butique Magrella, a Daslu de Brasília.

   A Folha de S. Paulo deste domingo (25) traz a reportagem sobre o assunto e destaca a presença de Serys. Clique aqui (para assinante) ou leia reprodução abaixo da matéria com o título 'Mulheres mais ricas da corte desfilam chanéis em butique'.

 Mulheres mais ricas da corte desfilam chanéis em butique

Festa de loja multigrife em Brasília reúne 1.500 personalidades da alta roda

Nova sede de 3 andares e 1.500 m2 da Magrella, considerada a Daslu do Distrito Federal, tem bar, champanheria, bistrô e café

PAULO SAMPAIO
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA

Como retrato de uma época, a festa de inauguração do novo prédio da butique Magrella, a Daslu de Brasília, dá de dez a zero em "Maria Antonieta", o filme de Sofia Coppola que ganhou o Oscar de figurino.
A festa, realizada na terça-feira, não pode ser encarada como excentricidade de cineasta ou visão particular de um artista: aquilo é vida real.
Sem constrangimento de declarar, peça por peça, as grifes que estão usando, as mulheres mais ricas da corte desfilam seus chaneizinhos pelos 1.500 metros quadrados do prédio de três andares, bar, bistrô, champanheria, café, tudo muito clean, e gargalham descontroladamente entre um canapé e um grito de "Olá, querida!".
Uma senhora cinqüentona, a boca repuxada mais para o lado esquerdo, cabelos longos como os de uma menina de 12 e um minivestido balonê colorido, explica que não é difícil adivinhar quem assina seu brinco composto por duas coruscantes bolotas pingentes:
Olha só, diz ela, tem um C e um D grandes: Christian Dior.
A Magrella existe há 35 anos e tem esse nome porque sua dona, a empresária Cleuza Ferreira, 60, tinha 47 kg (para 1,60 m) quando a inaugurou.
"Na época, as mulheres eram mais encorpadas", lembra.
Cleuza gosta de dizer que nasceu "simples", se desfez de um Fusca para se capitalizar e, no começo, vendia roupas "importadas" do Rio.
Seu primeiro negócio foi uma franquia da então bombada butique carioca Company; depois vieram lojas da Zoomp, Forum, Le Lis Blanc e Armani, um total de 11 -além da Magrella, a única (e poderosa) sobrevivente.
"Há três dias que eu só choro!", diz a empresária, para dimensionar sua felicidade.
"Chora sim, querida, chora que você merece", diz a atriz Marianne Vicenthini, mulher do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PD, antigo PFL).
Alguém ali ao lado solta um "hum!" e diz que ela, Marianne, sim, tem motivo para chorar de verdade. Conta que leu em uma notinha cifrada de jornal que Arruda estaria para deixá-la por uma amante.
A reportagem vai checar com a primeira-dama.
"Que jornal? Daqui de Brasília?", quer saber Marianne, rindo muito, meio surpresa. "Está tudo bem, tudo bem."

Um top, R$ 10.000
Tornada uma instituição na cidade, Cleuza hoje trabalha com marcas como D&G, Armani, Lanvin e Prada, além de ainda representar a Les Lis Blanc e vender Reinaldo Lourenço, Walter Rodrigues, Ricardo Almeida e mais de 30 estilistas nacionais caros. Um modelo exclusivo ali pode custar R$ 15 mil, mas, informa sua assessoria, a média é R$ 5.000.
Perto da champanheria, Tatiana Monteiro de Barros, representante da grife italiana La Perla, conta que no Brasil só existem três tops iguais ao que ela está usando. "Um foi vendido em São Paulo [ela não diz o nome da proprietária], o outro está aqui na Magrella."
Quanto custa?
"Dez mil... Mas tem 3.500 cristais Swarovski!", justifica.
Lia Socha, braço direito de Cleuza há 31 anos, explica que existe um controle na venda das peças duplicadas.
Em geral, Socha pergunta à cliente em que festa ela pretende ir com a peça, para evitar o fenômeno das "peruas gêmeas". Só vende um modelo igual depois que a primeira compradora usa o dela pela segunda vez.
"Também não dá para segurar a roupa pra sempre", diz Socha, que agora estendeu o controle ao Rio e a São Paulo.

Nada a temer
Apesar de não revelar os números de seu negócio, Cleuza afirma ser "um exemplo de cidadã em dia com o fisco".
"Não tenho o que temer", ela garante, quando alguém lembra o tombo da empresária Eliana Tranchesi, dona da Daslu, acusada pela Receita Federal de fraude em importação, formação de quadrilha e falsidade ideológica.
"Amo essa cidade. Você conhece outra igual?", pergunta Cleuza em voz alta, como uma atriz de teatro, enquanto sobe mais um degrau da escadaria que leva ao segundo andar. Um casal chega perto, e ela diz, olhando para a reportagem.
"Eles são milionários e vêm aqui só pra me dar um abraço. Não é fantástico?"
Entre os 1.500 convidados estão a mulher do ministro Nelson Jobim, Adriana; a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT); e Cristiane Constantino Foresti, "filha do dono da Gol", que está de Pucci e Gucci.
Uma lourinha aguada entra no local com a mãe, e um dos asseclas de Cleuza diz: "Essa menina é um amor, linda, todo mundo na cidade adora".
E quem é?
"Filha do embaixador da Suíça", responde outro convidado. "Olha o jeitinho de modelo..."
"Não é da Suíça, é da Dinamarca", corrige a primeira.

No colo
O convidado famoso -local ou nacional- ganha um grito de boas vindas:
"Cleucy! Cleucyyyy!"
Cleucy é a festejada mulher do empresário Luiz Estêvão de Oliveira, que responde a processo por crimes de peculato, estelionato, corrupção ativa e passiva, uso de documentos falsos e formação de quadrilha.
Ela está com a filha Ilca, que solta uns gritinhos agudos quando avista algum conhecido. "Bruno, olha isso, tô sendo entrevistada!"
Ourtro convidado importante chega. Cleuza exclama:
"Tufiii! Me carrega no colo!"
O dono da Forum abarca Cleuza com os dois braços, enquanto cinco fotógrafos se aproximam para registrar o momento.
Tufi Duek chegou com Natalie Klein, filha do dono das Casas Bahia, que pegou um jato particular emprestado e levou de carona Adriane Galisteu e respectivos assessores.
"A gente não enfrenta apagão aéreo, porque sai do Campo de Marte, mas de qualquer maneira precisa de autorização para decolar. A vantagem é que você voa a hora que quer, entende?", explica Klein, dona da NK Store, em São Paulo, uma espécie de "dasluzinha".
Galisteu conta que está ensaiando um espetáculo com Juca de Oliveira e Bibi Ferreira. "O teatro é o alimento da alma, é o ofício do ator, árduo, difícil", diz a apresentadora, ajeitando no braço a pulseira-releitura da fita do Senhor do Bonfim, feita em ouro e brilhantes.
Será que ela ficou triste com a notícia do namoro de Deborah Secco com Roger, seu ex, publicada por uma revista de fofocas? "Imagina, a Deborah é minha amiga. Gosto mais dela do que dele", diz.
Em outro canto da sala, o Amaury Jr. local entrevista Tatiana Mares Guia, sobrinha do ministro. "Que noite emocionante! Obrigado pelo presente que você nos deu, Cleuza!", diz ela para a câmera.
Agora é a vez da socialite Vivianne Piquet: "A Cleuza é uma mulher fantástica, que trabalhou muito para conseguir o que tem, e venceu. É uma pessoa que eu acho chique não pela maneira de vestir, mas pela atitude na vida..."
Cleuza Ferreira gosta de reforçar sua imagem de "mulher de fibra".
"Tudo o que dizem é verdade: fui deixada pelo meu marido, sim, ele fugiu com outra, sim, mas essa história de que me deixou na miséria não existe. Ele está aí, pela festa. É o pai dos meus filhos...", ela diz.
Sem parar de rir, com uma flûte de champanhe na mão, Cleuza segue em frente. (Folha de S. Paulo)

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