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Segunda-Feira, 08 de Janeiro de 2007, 06h:34 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

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Escola, motivação e desafios

 Há uma série de desafios no campo educacional, principalmente para o poder público. Por um lado, faltam estrutura, qualificação, recursos e novas diretrizes curriculares. O professor reclama da desvalorização profissional, sentida no bolso e, consequentemente, na mente, já que se vê impossibilitado financeiramente de investir mais na carreira.

    Ao estudante, falta, entre outras coisas, motivação. Em Mato Grosso, há cerca de 120 mil matriculados no ensino médio. Pelo menos 63% dos jovens de 15 a 17 anos (faixa etária usada como parâmetro) estariam fora da sala-de-aula. Numa análise simplória, ou eles optaram pelo trabalho e alegam indisponibilidade de tempo para estudar ou estão desmotivados.

    O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) concluiu um estudo com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE. Descobriu que em 2005, nada menos que 1,7 milhão de jovens entre 15 e 17 anos (16% do total) não frequentaram sala-de-aula. Conforme o estudo, três em cada quatro desses jovens (75%) não completaram o ensino fundamental, mas a maioria (68%) pelo menos chegou à 5ª série. O fato de ter filho também acaba dificultando a jovem estudar, assim como a necessidade de trabalhar. Mais uma outra preocupação chamou atenção do Inep: a falta de vontade de estudar, que acaba empurrando, em média, 40% dos jovens para fora do sistema de ensino.

    Hoje, de cada 100 alunos que ingressam no ensino fundamental, 59 terminam a 8ª série. E, dos que entram no médio, 74% conseguem chegar ao terceiro ano. Os demais ficam no meio do caminho por evasão ou repetência. Mato Grosso não foge dessa média nacional.

    Até a estrutura das escolas deveria ser repensada para atrair o estudante jovem. Essas instituições não são atraentes e, por incrível que pareça, isso interfere. A metodologia de ensino tradicional também desmotiva.

    O governo Lula já anunciou que pretende consolidar na prática um projeto audacioso e interessante na área da educação: transformar o ensino médio em obrigatório. Hoje, a obrigatoriedade só se limita ao ensino fundamental.

    Pelo decreto que está sendo preparado, alunos que terminam a 8ª série do ensino fundamental passariam a ter garantia de oferta de vagas e de condições de permanência na escola. Na prática, se o Ministério da Educação não conseguir atender a demanda, será responsabilizado judicialmente.

    Isso é um avanço, mesmo que vindo tardiamente. Infelizmente, muita coisa só funciona sob pressão. Ao assumir para si um comprometimento deste, o governo terá que arcar com as consequências. Mas, nesse processo, a sanção é secundária. O mais importante seria conscientizar e estimular o aluno a continuar estudando e, no caso dos desistentes, reconduzi-los à sala de aula.

    A intenção do governo federal é implementar algumas medidas, como a criação de uma bolsa para alunos do período noturno, além da expansão do Bolsa-Escola a jovens com idade entre 16 e 19 anos. Também pretende exigir dos Estados a garantia de estrutura, como escolas e professores, para não enfrentar tantos problemas quando tornar o ensino médio obrigatório.

    As escolas precisam tanto ser mais atrativas quanto encontrar uma forma de avaliar o aprendizado e oferecer mecanismos de recuperação ao longo do ano. Caso contrário, perderá cada vez mais alunos, contribuindo para a elevação do índice de analfabetismo, desemprego e violência.

    Romilson Dourado é jornalista, editor de Política de A Gazeta e escreve neste espaço às segundas-feiras (romilson_dourado@hotmail.com)

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