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Domingo, 14 de Janeiro de 2007, 09h:00 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Eu, Marilena e Januária

     Depois de alguns muitos dias fora do ar, estou de volta. Na marra, confesso. O problema não é de preguiça como alguns podem imaginar, claro que uns dias de folga incentivam a inércia, mas meu problema é uma total desmotivação. Mais que isso, saturação de paciência, saco cheio mesmo. A vontade de entregar os pontos é enorme, porque acompanhar o cotidiano político sem se sentir assim, só para quem tem os tais nervos de aço que tanto Bob Jeff cantou.
 
   Desenvolvi uma moderna modalidade de pânico: pânico da notícia. Só eu e Marilena Chauí desenvolvemos essa doença no Brasil. hahahaha.
 
    Bem, mas depois de uma semana sem vontade nem de ler ou escrever, comecei a querer reagir. Ligava o computador e as notícias eram sempre as mesmas. Que coisa!, parece novela que não é preciso acompanhar diariamente para entender e sacar o final. Desligava e ia pra praia. No outro dia tentava novamente.
 
   Quando estava me curando, vi a triunfal presença de Maranhão na posse de Lula, o mesmo Maranhão que meses atrás juntou seu bando, invadiu e depredou o Congresso Nacional. Um tapa na cara dos brasileiros que nunca ousaram cometer vandalismo, terrorismo ou qualquer outro ilícito. Enojada desliguei mais uma vez o computador. Liguei a TV para me inteirar dos ataques no Rio e acabei assistindo a duas matérias deprimentes. A primeira foi o medieval enforcamento de Saddam Hussein. Enforcamento? É muito grotesco pro meu gosto, acho que isso só vai aumentar as atrocidades, mas...
 
    A outra matéria foi uma entrevista do ex-deputado federal Eduardo Paes (PSDB), aquele que se mostrou combativo durante seu mandato e que chamou atenção do País nas intermináveis CPIs do governo Lula. Naquele dia o Eduardo falava como secretário estadual de Turismo do governo de Sérgio Cabral (PMDB). Levei um baita susto! Não, não era ele!, ou era? Céus!, era ele mesmo! Eduardo estava falando dos seus projetos para o Rio de Janeiro e das benfeitorias que o governo Lula fará no estado.
 
    O que o medo de ficar fora do poder não leva uma pessoa a fazer, hein?
 
    Agora foi a vez do glorioso PSDB apoiar Arlindo Chinaglia para a presidência da Câmara. Sabe de uma coisa? Preciso cair na real e assimilar o fato de que o PSDB já foi. É na verdade um partido, digamos, sem vontade de ser um partido, que troca de roupa com a janela aberta, tal como a Januária de Chico Buarque. O PSDB está fadado a ser apenas o que é: um espectro do que já foi. Um partido do passado.
 
   E assim vou indo, ou vindo, não sei bem. Estou tentando voltar, mas a cada feito político sonho com um desfeito que nunca vem. Comentando sobre a revolução bolivariana de Chávez com um amigo, ele disse: " no Brasil é impossível fazer o mesmo, afinal, temos nossas instituições fortes".
 
   Quais instituições são essas? O Congresso Nacional, com seu batalhão de compráveis e que nem a sua estrutura física e seu simbolismo são respeitados pelo presidente da República? Os sempre aliáveis partidos políticos? A justiça que através da "interpretação da Lei" protege corruptos e os diploma? O povo, que se contenta com míseras rações e arroz e feijão? Quais são as instituições fortes que existem no Brasil?
 
   Aos poucos eu, assim como Marilena, vou conseguir me livrar da moderna síndrome de pânico pela notícia, até lá espero que a liberdade de imprensa ainda esteja vigorando, mesmo que dessa forma capenga.
 
    Ah, as férias?, foram ótimas, peguei muita chuva, mas descobri que tenho uma baita sorte. Ficar quase um mês no Rio de Janeiro e de ruim pegar só chuva não é para qualquer um, a maioria pega é bala mesmo. 
  
     Adriana Vandoni - é economista, especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ.  E-mail:
avandoni@gmail.com

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