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Quinta-Feira, 13 de Dezembro de 2007, 07h:40 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:19

Artigo

Eu só queria entender

     Existem algumas coisas que realmente não "colam", mas a gente vai engolindo. Às vezes me lembro do cantor e compositor mineiro Zé Geraldo, quando ele canta: "isso tudo acontecendo e eu aqui na praça dando milho aos pombos". Então, já é hora de fechar a goela (aliás, a única coisa boa que nos é empurrada goela abaixo é a endoscopia - não que seja agradável...).
     É triste ver o senador Arthur Virgílio falando que o governo é inconseqüente ao manter a CPMF (espere, continuem lendo - eu também quero que ela acabe, eu juro). Ele falou que a dita cuja prejudica os pobres. Ou eu estou maluco, ou quem implantou essa monstruosidade foi a turma dele.
     É tão triste ver a turma do Lula que tanto atacou a CPMF, agora querer continuar com essa atrocidade. Você já reparou o quanto pagamos de impostos? Você recebe o seu salário e paga imposto de renda, paga a previdência e outras "cositas mas". Depois, tudo (ou nada) que sobra, serve para você comprar alimentos, pagar luz, água, etc, e, em tudo isso, paga mais impostos. Antes disso, todo o dinheiro que você saca, paga a tal CPMF. Caso sua conta entre no vermelho (cheque especial), você, por pegar dinheiro emprestado do banco, paga a tal CPMF. E o pior, se você resolve aplicar o seu suado dinheiro (tecnicamente, emprestando dinheiro ao banco), você paga a tal CPMF de novo. E quando resgata o dinheiro, paga mais uma vez! Decididamente fazemos milagre. Usamos muito pouco do dinheiro que recebemos para nós mesmos. Podia dizer que somos heróis por isso. Mas já não sei mais se somos mesmo heróis ou se somos um povo sem atitude ao aceitar tamanha improcedência (pra não falar outra coisa).
     Na edição de terça-feira, a Gazeta publicou uma matéria sobre a oficialização do pedágio na BR-320 (Transamazônica) em favor da etnia indígena tenharim (na região da estrada que passa por suas terras). O pior é que eles já cobram o pedágio extra-oficialmente. Guardam a área armados com lanças e flechas! A alegação é que precisam de dinheiro para comprar comida. Essa é outra situação daquelas que são difíceis de engolir. Ora, ou eu muito estou enganado (e posso estar, é claro), mas o governo disponibiliza uma imensa área aos indígenas para que eles possam preservar a sua cultura, seu modo de viver. Sendo assim com certeza é válido. Pra viver de acordo com as nossas regras, a coisa já muda. Da forma que está, a situação não fecha, não cola. Se eles precisam de dinheiro para comprar comida, significa que não estão usando a terra para o seu sustento, ou seja, para manter a sua cultura, idéia principal da reserva. Se não usam a terra, a reserva perde o sentido. Se perde o sentido, pode ser usada pelo estado, ou seja, a estrada pode passar lá, pois, até onde eu saiba, ainda estamos em território brasileiro (embora existam livros nos EUA dizendo que a Amazônia é terra mundial). O duro é que, se ainda fosse terra mundial, estaria bom, visto que também pertencemos ao mundo. Mas, estamos em uma situação que nós, brasileiros, estamos ficando quase proibidos de entrar em terras da região. Só nós brasileiros, é claro.
     Este fato nos remete a mais uma situação que já cansou. Muitos movimentos ou entidades de classe têm feio manifestos onde o prejuízo maior é a um terceiro. Está, já há tempos, um tal de fechar estrada, de fazer operação padrão em aeroportos, etc. Sem contar as passeatas pelo centro da cidade. A idéia é chamar a atenção da sociedade para o problema. Mas, você já imaginou se cada um de nós que fosse lesado por que alguém que resolveu nos chamar a atenção, também resolvesse aprontar por aí? Estaríamos em nosso direito, visto que também estamos sendo prejudicados por alguém que quis chamar a atenção. O país ia parar!
     O fato é que precisamos resolver os problemas de forma adulta. É preciso cobrar de quem pode resolver a situação. Por que não fazemos isso? Por que aceitamos quem não faz? É como diz o macaco Sócrates, antigo personagem de Orival Pessini: "não precisa explicar, eu só queria entender!"

Claudinet Antônio Coltri Júnior é consultor organizacional nas áreas de marketing e gestão de pessoas, cirurgião dentista, coordenador e professor universitário do Univag e escreve em A Gazeta às quintas-feiras (junior@coltri.com.br)

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