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Quarta-Feira, 17 de Dezembro de 2008, 17h:14 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:22

Artigo

Explicando a Pagot

    Quero esclarecer a toda população de Mato Grosso, que soube por meio da imprensa a existência de um processo na Vara Criminal de Cuiabá, onde está marcada uma audiência para que eu me explique a Luiz Antonio Pagot. Não recebi qualquer notificação até este horário, o que provoca estranheza, uma vez que tenho endereço fixo, onde moro desde 1993, e conhecido, inclusive pelo próprio Pagot, que por duas ocasiões me buscou na porta da minha casa, uma vez para assistir uma palestra sua em Diamantino e outra para acompanhar o lançamento de uma obra próxima a Barão de Melgaço. Aliás, moro a menos de três quadras de Pagot, e ele sabe disso.

   No final de novembro, Pagot, autor do pedido de explicação na Vara Criminal, mandou que sua secretária ligasse em minha casa (ou seja, ele tem meu telefone) e pedisse meu endereço, eu mesma atendi e, como de costume, acreditando ser para envio de panfleto, folder ou qualquer coisa do gênero, forneci o endereço da clínica do meu marido. Trata-se de uma conhecida clínica no Jardim Cuiabá, na principal Avenida do Bairro, onde tem em letras garrafais: “Cassio Curvo”. Mesmo assim, nenhum oficial de Justiça me procurou nem em minha casa, nem na clínica do meu marido.

   Pois bem, segundo veiculado pelo Midianews, o Sr. Pagot quer que eu lhe explique matéria publicada em meu blog onde cito a Operação Imediata. Qualquer pessoa com mediana capacidade de interpretação teria compreendido a matéria, mas Pagot constituiu um advogado para ajudá-lo a entender e este pediu minha ajuda, então vamos lá.

   Ainda segundo o site Midianews, a matéria não compreendida por Pagot e por seu advogado, foram as que seguem abaixo, com as minhas explicações:

    Laços de família e de amizade, pura amizade! (14/11/2008 às 17:44:00h)

(http://www.prosaepolitica.com.br/index.php?id=4025 )

  (Adriana Vandoni) É o amoooorrrr. Veja só que azar! O vereador cuiabano Domingos Sávio (PMDB) está sendo investigado por compra de votos assim meio que sem querer. A suspeita de compra de votos só surgiu por que a Delegacia Fazendária de MT apurava denúncias de superfaturamento em uma obra do Centro Integrado de Segurança Comunitária (Cisc) de Santo Antônio do Leverger (a 34 km de Cuiabá).

    Durante a investigação a Delegacia Fazendária foi realizar busca e apreensão na residência do avalista da empresa Brasserv (responsável pela obra), o empreiteiro Paulo Leão, que é pai de Franciele Leão, secretária-adjunta de Cultura do Estado e namorada do vereador Domingos Sávio. Na casa dela, a Delegacia Fazendária encontrou uma lista com nome de vários eleitores e valores que seriam para compra de votos em favor do parlamentar.

    Além de namorada do vereador e filha do empreiteiro, Franciele é o braço direito do Sr. Luiz Pagot (foto). O acompanha como assessora desde o primeiro mandato de Maggi, quando Pagot foi secretário de infra-estrutura, depois Casa Civil, depois superintendente do Dnit e hoje aspirante a candidato ao governo de Mato Grosso. Os laços de amizade são tão grandes que Paulo Leão (pai de Franciele, sogro do vereador e avalista da empresa sob investigação) costumava acompanhar Pagot pelos corredores do senado enquanto este esperava a sabatina que o colocaria no Dnit, segundo disse o senador Heráclito Fortes.

    É, parece que neste caso a suspeita de compra de votos é pinto, como diria Bob Jeff.

    Ajudando a entender:

1. O empreiteiro Paulo Leão é pai de Franciele Leão.
2. Franciele Leão é filha de Paulo Leão, é namorada do vereador Domingos Sávio, é ex-assessora de Pagot e era seu braço direito na SINFRA, na Casa Civil, na Secretaria de Educação e no Dnit, até ser nomeada sub-secretária de Cultura.
3. Pagot é aspirante a candidato ao governo de Mato Grosso.
4. Paulo Leão (pai de Franciele, sogro do vereador e avalista da empresa sob investigação) costumava acompanhar Pagot pelos corredores do senado enquanto este esperava a sabatina que o colocaria no Dnit. Na terça-feira, dia 09 de dezembro de 2008, 18h05, o site MidiaNews publicou: “O nome de Luiz Antônio Pagot foi ligado à Operação Ação Imediata por conta do envolvimento do seu ex-assessor Paulo Leão, dono da Bras Serve [...]”. Até então eu não tinha conhecimento de que o empreiteiro Paulo Leão havia sido assessor de Luiz Pagot. Ou seja, ele era mais que “um amigo que acompanhava Luiz Pagot nos corredores do senado”, como eu publiquei, ele era sim um assessor de Luiz Pagot.

    Surpresa imediata!!!! (14/11/2008 às 18:47:00h)

(http://www.prosaepolitica.com.br/index.php?id=4028)

    (Adriana Vandoni) A delegada Alana Cardoso, titular da Delegacia Fazendária, responsável pela operação Imediata que investiga o superfaturamento de obras realizadas pelo governo do estado de Mato Grosso e que fez a busca na residência de Paulo Leão, dono da empresa suspeita Braserv, pai da secretária-adjunta de Cultura do Estado, Franciele Leão que é namorada do vereador Domingos Sávio e ex-braço direito de Luiz Pagot, foi inesperadamente e imediatamente transferida para atuar como adjunta em outra delegacia. (leia no post abaixo)

    É, há muito mais entre o céu e a terra que a nossa vã filosofia poder supor...

   Talvez se a delegada não conseguisse descobrir nada, poderia até virar secretária de segurança pública, tal qual o delegado Diógenes... ô raça!!

   Ajudando a entender:

   Antes da explicação, uma ressalva ao Sr. Pagot e seu advogado: no blog a posição das matérias é inversa. Quanto mais cedo é publicado, mais abaixo fica. Logo, quando eu digo (leia no post abaixo) estou me referindo ao post publicado primeiro.

1. A delegada Alana Cardoso foi a responsável pela operação Imediata, que investiga o superfaturamento de obras realizadas pelo governo do estado e que fez a busca na residência de Paulo Leão.
2. Paulo Leão é dono da empresa suspeita Braserv, pai da secretária-adjunta de Cultura do Estado, Franciele Leão.
3. Franciele Leão é namorada do vereador Domingos Sávio e braço direito de Luiz Pagot.
4. A delegada Alana Cardoso foi “inesperadamente e imediatamente” transferida para atuar como adjunta em outra delegacia. Segundo o Houaiss

Inesperada = adjetivo e substantivo masculino
1    que ou o que não se esperava; que ou o que causa surpresa; que ou o que ocorre de modo imprevisto
2    que ou o que de repente muda de aspecto, enfoque ou característica Imediatamente = adv.
1  Logo, sem interrupção, sem a mínima demora: "Germano pára diante do barril, abre-o com arrebatamento nervoso, e voltando-se imediatamente ao sargento-mor que tinha os olhos postos nele, exclama: - A pólvora está molhada, senhor!" (Franklin Távora, O matuto)
2  No lugar imediato, sem intervalo; CONSECUTIVAMENTE: Ele veio imediatamente atrás de mim.
3  Sem intermediário; DIRETAMENTE.

6. Vamos fazer aqui uma importante distinção entre a liberdade de expressão e direito à informação. Ao reproduzir o fato: “a delegada foi transferida”, esta é uma informação susceptível de prova de verdade. No caso, é de conhecimento público que a delegada foi transferida. Mas ao dizer as frases: “de modo inesperado e imediato”; “ha mais entre o céu e a terra que a nossa vã filosofia poder supor”; e “Talvez se a delegada não conseguisse descobrir nada, poderia até virar secretária de segurança pública, tal qual o delegado Diógenes...”, estou emitindo a minha opinião e meu juízo de valor, e estes, devido à própria natureza abstrata não são passíveis de contestação. É minha opinião e expressá-la é um direito que a Constituição Federal me concede. (CF, art. 5°, IV)

  Concluindo, acredito que a sociedade tem direito de saber quem é filho de quem, quem foi assessor de quem, porque, afinal de contas, quem sai aos seus, não degenera. A simples menção da assessoria de Pagot o incomodou: imaginem o que será na campanha, caso ele realmente convença a si mesmo de que tem condições de disputar o Governo de Mato Grosso. Reafirmo, com todas as letras, que o dono da Braserv é Paulo Leão, pai de Franciele Leão, namorada do vereador Domingos Sávio e ex-assessora de Luiz Antônio Pagot. Vou reafirmar isso quantas vezes for necessário, nesta ocasião e em outras futuras. Os fatos são os fatos. A mentira, em tempos democráticos, não vira verdade. Pode vir Pagot e a tropa toda de botina.

  Porém, espero que ele tenha entendido desta vez, mas, em caso negativo, posso desenhar. Basta me dizer.

   Adriana Vandoni é economista, articulista e especialista em administração pública pela Fundação Getúlio Vargas (www.adrianavandoni.com.br)

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Comentários (6)

  • Ari Wojcik | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Presada Adriana

    Gostei muito do seu artigo, entretanto a explicação detalhada do mesmo está melhor ainda.
    Espero que voce não precise desenhar.

    Abraço
    Ari

  • ROBERIO | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    AH BOM AGORA ENTENDI, E OLHA QUE NÃO SOU UM DOS VASSALOS DO TAL GOVERNADOR

  • Juca | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Adriana Vandoni, parabéns pela matéria ,eu diria até que enfim aparece alguém na Imprensa com raça pra falar á verdade ´pois infelizmente o que se ve são pessoas que se dizem profissionais porém querem apenas acomodar situações ,vá em frente fale a verdade doa á quem doer ,mas cuidado hem essa turma não mede consequencias ,estamos todos com os olhos voltados para esse desenrolar ,quem diria né o Vereador com cara de mauricinho metido a honesto hein! Eta Leverger so tem tranqueira ,também só hospeda enrrosco ,VOTE .

  • ronan rafael | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    KKKKKKKKKKKKKKK

    quer lápis colorido ??? eu tenho dos meus sobrinhos ...

    eu te empresto para vc desenhar !!!!!

    kkkkkkkkkkkkkkk

    Será que desenho o pessoal vai entender ????

    afff

  • monteiro | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Parabens Adriana,

    Em seu brilhante artigo...

    abraços.

  • Rosangela | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Continuo tirando meu chapeú para você...parabéns pela sua eloquência explicação, mas acredito que ele ainda vai querer ver seus dotes artistico também. Abs

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