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Terça-Feira, 31 de Julho de 2007, 09h:04 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

Fatos da atualidade política

     Transito por três diferentes assuntos políticos. Começo pela transferência do título eleitoral do Luiz Pagot para a capital. Poderia fazê-la na maciota, mas, ao contrário, preferiu dar repercussão ao fato. Tirou fotos e fez alarde em torno do assunto. Acendeu a luz amarela na candidatura do Sérgio Ricardo.
     Meses atrás, quando o Sérgio já estava com o bloco de sua candidatura na rua, o mesmo Pagot veio de público e disse que o PR não tinha ainda um candidato definido para a capital. Provocou um alvoroço. Acreditava-se que ela falava pelo Blairo.
     O Sérgio ameaçou ir para o DEM e, como presidente da Assembléia Legislativa, começou a criar ali problemas a ações de interesse do governo. Veio o Maggi e disse que o candidato do PR era definitivamente o Sérgio. Desautorizou o Pagot. Acreditava-se que não haveria, como houve em 2004, racha no grupo do governador no apoio a uma candidatura na capital.
     Lá vem o Pagot outra vez e cria um clima de insatisfação interna no PR. O esquisito é que ele está com uma indicação para o Dnit. Talvez esteja arrumando o pulo do gato: se não der certo lá pula numa candidatura a prefeito na capital,
     Seria uma candidatura de risco. Nunca foi testado nas urnas. Pode ser uma surpresa para cima ou para baixo.
     Se perde a eleição, mesmo com um suposto apoio do PT, mata sua imaginada candidatura ao governo em 2010. Se for vice de um candidato do PT a coisa é também esquisita. Se perder, machuca-se eleitoralmente. Se ganha, deixaria a vice e sairia candidato ao governo? Um caso inédito na literatura eleitoral brasileira.
     Minha opinião é que é tudo onda, ele quer mesmo é o Dnit. Mas não deixa de ser estranha essa sua movimentação na contramão do que diz e promete o Blairo. Não acho que eles sejam tão astutos para estarem combinados e que consigam enganar todo mundo o tempo inteiro.
     As vaias ao presidente Lula estão surpreendendo. Parecia que ele navegaria em céu de brigadeiro em seu segundo mandato. Agora está com receio de vaias. O Lula usa o Nordeste e lugares como Cuiabá quando tem momentos de borrasca. Fez isso no caso do mensalão, está fazendo outra vez.
     As vaias têm que ser, como foi no Rio, espontâneas. Se as pessoas acharem que há uma disputa entre partidos e grupos, perceberem que estão sendo manipuladas, pode acabar essa novidade interessante que começa a ocorrer na política brasileira.
     O Lula vai aumentar drasticamente ações de marketing e propaganda do seu governo para criar clima contrário às vaiais. Já usou esse estratagema antes também.
     A internet tem ajudado nessa bronca contra o Lula. O que tem de piadas, manifestações e o escambau contra ele não está escrito no gibi. É um massacre diário. O PT está comendo mosca em não montar uma ação para neutralizar isso. A classe média tem acesso à internet, anda bronqueada com atos de corrupção e começa a se agitar.
     Cuiabá precisa do apoio do Maggi para receber mais recursos para o saneamento da capital. Algumas interpretações podem ser feitas se ele decidir apoiar essa iniciativa.
     Um, essa ajuda alavanca a candidatura do Wilson Santos para prefeito no ano que vem. O candidato do PR teria pela frente alguém cacifado com obra e ajudado pelo líder maior do mesmo partido. Dois, se mesmo assim ele der a ajuda aumenta sua estatura política em outros lugares e segmentos sociais.
     Três, se caminhar por essa trilha, talvez queira mesmo se afastar da política. Não estaria importando com regras não escritas dessa atividade humana que preceitua que não se deve ajudar adversários. Afastaria deixando algo de concreto para a capital na questão do saneamento. Seria uma novidade na política.

Alfredo da Mota Menezes escreve em A Gazeta (pox@terra.com.br)


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