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Sexta-Feira, 17 de Julho de 2009, 16h:45 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:23

TRANSPORTE

Ferrovia: pela cassação da ALL

   A América Latina Logística (ALL), herdeira da concessão por 90 anos da Ferronorte/Brasil Ferrovias está blefando, conforme anunciei nesta coluna no início do ano. As obras não foram reiniciadas, não existe previsão da chegada dos trilhos até Rondonópolis e muito menos até Cuiabá.
                  
   Já se passaram mais de 8 anos que o trecho Alto Araguaia-Rondonópolis-Cuiabá  não saiu do papel. Ou seja, é uma irresponsabilidade da ANTT, Agência Nacional de Transporte Terrestres, ter aprovado um acordo por meio de troca de ações entre os controladores das empresas Ferronorte e ALL, sem qualquer preocupação com o prazo de entrega das obras.

   É mais um descaso do Ministério dos Transportes com Mato Grosso. A ALL começa quando quer, prioriza o que bem entende e entrega quando quiser.
                  
   A empresa ALL está muito mais preocupada em adquirir malhas ferroviárias existentes e divulgar nos jornais e revistas o seu patrimônio de mais de 20 mil quilômetros de trilhos, incluindo sua rede de 8 mil quilômetros na Argentina, do que propriamente investir em Mato Grosso.

   O presidente da ALL, senhor Bernardo Hees, aliás, não gosta de Cuiabá, do nosso clima,  da nossa gente e, por isso, aqui nunca vem. Ele só pensa no retorno financeiro. E a maior prova do que eu escrevo foi o financiamento de mais de R$ 1bilhão no BNDES, que a ALL do senhor Bernardo Hees conseguiu, mas não para investir em Mato Grosso. Ele preferiu investir na Argentina.
                  
   Por ser um grupo privado, a ALL não respeita a história da ferrovia, de todos os seus participantes, da luta liderada por um cuiabano nascido no Coxipó da Ponte, da luta da imprensa, dos empresários, trabalhadores e políticos de todos os partidos por mais de 30 anos.

   A ALL não respeita, enfim, a população mato-grossense que aguarda há décadas a ferrovia até Cuiabá. Há um século atrás, o  escritor Euclides da Cunha defendeu essa ligação pelos trilhos, no livro “Contrastes e Confrontos”.
                  
   Portanto, diante desse descaso com Cuiabá e Mato Grosso, diante do uso indevido dessa concessão, dos prejuízos econômicos e sociais ao nosso Estado e do atraso inexplicável há vários anos, peço  publicamente ao MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL E A JUSTIÇA FEDERAL - para o bem público – que encaminhe a  cassação da  detentora do contrato de concessão , a ALL, e que entregue na responsabilidade  da UNIÃO a construção da Ferrovia Senador Vuolo, a exemplo do que já acontece com a Ferrovia Norte-Sul e a Transnordestina.

   Somente dessa maneira, o Governo Federal poderá cumprir o que determina a Lei número 6.346 de junho de 1976, que incluiu no Plano Nacional de Viação a ligação ferroviária São Paulo-Rubinéia (SP)-Aparecida do Taboado (MS)- Rondonópolis (MT)- Cuiabá (MT).
                   
   Da forma como está colocada é só enganação. O nosso Estado não merece esse tratamento inconseqüente e irresponsável para um projeto da maior envergadura como este. Como bem disse o ex-presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, "pode-se enganar a todos por pouco tempo, pode-se enganar alguns o tempo todo, mas não pode enganar a todos o tempo todo.” Esse descaso só contribui para a morte da ferrovia e a favor do fortalecimento de um  modelo de transporte voltado totalmente para as rodas do caminhão, mais caro, mais poluente e mais individualista.
                  
   Qual será a próxima desculpa? Não sabemos, mas continuam inventando.

   “Aquele que diz uma mentira não sabe a tarefa que assumiu, porque está obrigado a inventar vinte vezes mais para sustentar a certeza da primeira", Alexander Pope.

   Vicente Vuolo é filho do senador Vicente Emílio Vuolo, autor do projeto 312-A,  transformado na Lei 6.346/76 – Ferrovia São Paulo-Rondonópolis-Cuiabá.

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