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Quarta-Feira, 25 de Abril de 2007, 17h:08 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

LEGISLATIVO

Fui atacado pelas costas, diz senador Jaime

   Da tribuna, o senador Jaime Campos se defendeu da acusação feita pelo Ministério Público Federal e negou suposto tráfico de influência junto ao Superior Tribunal de Justiça no sentido de manter no Cartório de Registro de Imóveis de Barra do Garças, a tabeliã Helena Jacarandá, presa há cinco dias pela Polícia Federal na Operação Lacraia.

   "Eu desconheço esse fato em sua totalidade e subi na tribuna para lavar a minha honra", destacou Jaime, ao iniciar a leitura do discurso. Disse que foi atacado pelas costas e classificou a denúncia de elocubração. Jaime afirmou que "nunca se apropriou indevidamente de um pedaço de terra".

Confira abaixo a íntegra do discurso de Jaime Campos, que nesta quarta se defendeu das acusações da tribuna do Senado.

"Senhor presidente, senhoras e senhores senadores;
Rica em casos de bravura e coragem, a literatura nacional cunhou no linguajar de nossos antepassados uma expressão ao mesmo tempo lírica e dramática, quando movia os ofendidos à "lavar a honra com sangue".
Pois bem, subo a esta tribuna hoje para também lavar minha honra. Mas o farei usando a verdade; não o vermelho da vingança, mas sim o límpido e transparente véu da inocência.
Fui atacado pelas costas, vitimado pela sanha de chacais da dignidade alheia, que sobrevivem na ribalta às custas da ética e da moral daqueles que são desprovidos de ódio e revanchismo. No final da última semana fui tomado de surpresa pelo envolvimento de meu nome na chamada "Operação Lacraia", deflagrada pela Polícia Federal em três estados, entre eles Mato Grosso.
Trata-se de uma investigação para apurar a participação de proprietários rurais, cartorários, bancários e funcionários públicos em grilagem e fraudes contra o sistema financeiro. Uma apuração necessária e pertinente, principalmente em regiões de acentuada atividade imobiliária.
O absurdo, no entanto, é subtrair de um diálogo telefônico despretensioso qualquer suposição de minha atuação no tráfico de influência junto a credenciados organismos da justiça brasileira, como o Superior Tribunal de Justiça. A conversa entre dois personagens sem importância nesta trama, que citam indevidamente meu nome, motivou o enredo de uma obra de ficção frágil e mal elaborada.
Pura elucubração. Devaneio de quem enxerga sombra no próprio horizonte. Pura infâmia, um crime contra a honra.
Primeiro, porque nunca tive a oportunidade de transitar por tão excelsa instituição como o STJ. Depois, pelo respeito que devoto aos membros desta entidade, jamais teria a ousadia de fazer qualquer gestão a personalidades de tanto saber jurídico.
Assacar contra mim, imputando-me a ação de tráfico de influência, é o mesmo que atingir a integridade da maioria dos ministros do STJ. Pois, nada menos que cinco deles deram pareceres ou julgaram uma demanda entre dois cartorários da cidade de Barra do Garças, que se arrasta desde 2001, e hoje tentam, de forma ardilosa, envolver meu nome. Esta conclusão é obvia, posto que está lavrada em decisões deste Tribunal e publicada na internet.
Portanto, imaginar que doutos guardiões dos princípios jurídicos nacionais vivem a mercê da cantilena de políticos e de seus interesses, significa o mesmo que cuspir na ordem pública brasileira, zombar da independência do Judiciário e rasgar nossa Carta Magna.
Senhor presidente, senhoras e senhores senadores;
Desafio qualquer pessoa sensata deste país a encontrar um palmo de terra que tenha requerido a organismos públicos federais, estaduais ou municipais. Mesmo como governador e prefeito, nunca tomei um terreno devoluto sequer para o meu patrimônio pessoal. Também desafio quem quer que seja a apresentar uma cédula que comprove operações financeiras de minha titularidade em bancos oficiais ou particulares. Tudo o que possuo é fruto de meu esforço; conquistado com suor e lágrimas.
Minha vida é transparente. Tudo o que tenho está declarado. Não me envergonho de meus bens, porque são o resultado de sacrifícios e privações de um homem que abandonou o luxo e a ostentação e encontrou na lida sua alegria cotidiana. Labutar, para mim, é bem mais que um ofício; é sim uma forma de honrar as tradições de minha gente e de minha família.
Não tenho medo do trabalho ou da luta franca; temo sim a covardia e a traição. Elas são vícios entre os seres rastejantes; pois entre os altivos são veneno mortal. O que agora alguns denominam Justiça, mais parece perfídia.
Desta mesma água contaminada, muitos dos senhores são obrigados a beber. O mesmo embuste do qual são vítimas; não porque seus detratores buscam o justo, mas porque fustigam o lixo de suas vaidades.
Senhor presidente;
Não posso me acovardar diante das acusações que me fazem. Devo sim, rechaçá-las com veemência e indignação; porque minha honra não foi esculpida na areia rala dos incautos. Foi sim, temperada em argila dura dos oleiros de alicerces firmes e seguros.
Repudio a vinculação de meu nome a qualquer espécie de fraudador ou grileiro. Sou homem de notória vida pública e como tal convivo com a sociedade mato-grossense de forma franca e aberta.
Que fique bem claro: não faço e nunca fiz tráfico de influência. Faço sim a defesa de injustiçados. Faço sim a proteção dos pobres e desvalidos.
Cheguei a esta Casa portando a delegação de mais de 60% dos eleitores de Mato Grosso. Não por acaso, mas porque as pessoas conhecem minha conduta. Com muita honra, sou um político tradicional; pois guardo em minha atividade o que esta palavra tem de mais elevado, ou seja, coerência, respeitabilidade e honestidade.
Portanto, senador Antonio Carlos Magalhães;
Não aceito estes ataques. Eles são falsos e mentirosos. São viciados e respondem apenas a deformação de autoridades que antes de pensar em promover justiça, se interessam em alimentar o próprio ego.
São tão absurdos e vazios que se baseiam em comentários pinçados de conversas inócuas que só servem para emoldurar a maneira asquerosa com que buscam comprometer a vida de terceiros.
O diálogo entre duas senhoras do município de Barra do Garças chega a ser bizarro, quando elas dizem que "pode haver um político grande" intermediando uma disputa entre cartorários no STJ.
Seria mesmo cômico se não fosse trágico manchar a honra de alguém nesta trama sórdida.
Por isso, senhor presidente, denuncio o sistemático desrespeito aos homens públicos desta nação, como forma de implantar uma ideologia de desarticulação da classe política, notadamente dos parlamentares, visando à preparação de um estado de inércia que leve a decomposição dos institutos democráticos do país.
Hoje em dia, basta ser político para ser suspeito.
Precisamos reagir! Antes de tudo, somos homens e mulheres honrados que ajudam a construir um futuro mais justo para o país. Pois, quando nossa democracia esteve ameaçada, foram os políticos que ofereceram o peito contra as balas da opressão.
Fomos nós que lutamos contra a intolerância. E vencemos! Agora temos que lutar contra a prepotência e a arrogância daqueles que se consideram donos das leis e da moralidade nacional.
Ofereço até minha vida nesta luta, jamais a minha honra! Era o que tinha a dizer.
Muito obrigado!"

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