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Segunda-Feira, 22 de Junho de 2009, 11h:55 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:23

CÂMARA DE CUIABÁ

Gestão Chica clona notas, empresa faliu e cobra R$ 33 mi


Advogado Abenur Amurami e dono da Masterflex Jeferson Figueiredo explicam, em entrevista ao RDNews, como ocorreu a clonagem que supera a R$ 500 mil e processam os responsáveis pelo crime
Fotos: Patrícia Sanches

   O processo indenizatório com mais de duas mil páginas, movido contra a Câmara Municipal de Cuiabá pelo empresário Antônio Jeferson Chaves de Figueiredo, proprietário da JF Indústria Comércio e Serviços de Móveis Ltda, com o nome fantasia Masterflex, apresenta uma lista com pelo menos 11 notas clonadas apresentadas na gestão Chica Nunes (PSDB), que presidiu o Legislativo cuiabano entre 2005 e 2006. Os valores superam a R$ 500 mil. O curioso é que o empresário garante nunca ter vendido diretamente para a Câmara, mas somente para o ex-vereador Helny de Paula (PR). O ex-parlamentar que hoje presidente a MTGás, órgão vinculado à estrutura do governo estadual, foi o coordenador da campanha do empresário Mauro Mendes (PR), que disputou sem êxito, o cargo de prefeito de Cuiabá no ano passado.

   Jeferson assume somente uma venda de R$ 1,8 mil para Helny. Segundo ele, "foram coisas pequenas pagas com a verba indenizatória". "Jamais recebi esses valores vultuosos e não sei como clonaram meus documentos”, reclama o empresário, que hoje é uma das testemunhas e vítimas apontadas pela investigação feita nas contas da gestão Chica, acusada de deixar um rombo superior a R$ 6 milhões. "Em princípio, eu estava na condição de investigado, mas provei para a Delegacia Fazendária que fui vítima".

"Levei um susto quando vi meu nome
envolvido nesse escândalo. Minha vida
virou do avesso e acabei indo à falência"

   Entre as notas fiscais clonadas e que estão na contabilidade da Câmara aparece a de número 000043. Originalmente, foi emitida à Procuradoria-Geral de Justiça, mas, curiosamente, a mesma nota está entre os documentos da Câmara e com valor diferente. Para a Procuradoria Geral da Justiça consta R$ 1,8 mil. Já a Câmara faturou R$ 47,7 mil. Datada de 7 de outubro de 2006, a nota original possui logomarca, endereço da empresa, CEP e telefone. O produto comprado pela PGE são 15 bases giratórias para cadeira, no valor de R$ 1,2 mil. Já o documento falsificado possui erros grosseiros e não tem sequer a logomarca da empresa. Ao invés de Jardim Ubatuba, a empresa se localizaria no Jardim Ubata. Não estão presentes ainda dados como o CEP e/ou telefone de contato.

   Desta vez o cliente seria a Câmara de Cuiabá. Os produtos que teriam sido vendidos pela fábrica de móveis ao legislativo são 180 caixas de guardanapo, 140 caixas de guaraná ralado, 180 caixas de suco concentrado, 75 caixas de leite, 150 caixas de leite integral, 210 caixas de água e 300 cubos de gelo, que totalizaram uma fatura de R$ 47,7 mil. A data da compra seria 24 de outubro do mesmo 2006.  O recebimento dos materiais é assinado por Alessandro Roberto Rondon de Brito, ex-secretário de gestão financeira da Câmara.

"Eu sei que estou mexendo com gente
muito perigosa e poderosa. Pessoas que
têm mandato, mas vou seguir em frente"

    Logo após ter seu nome envolvido no escândalo, Jeferson Figueiredo registrou boletim de ocorrência, em 16 de março de 2007, contra a Câmara de Cuiabá. “Levei um susto quando vi meu nome envolvido naquilo tudo. Minha vida virou do avesso e acabei indo à falência”, conta. Segundo o empresário, como o ramo era justamente as licitações, ficou impossibilitado de continuar no mercado. "Eu sei que estou mexendo com gente muito perigosa e poderosa. Pessoas que têm mandato, mas vou seguir em frente", afirma o empresário falido.

   Ação judicial

   Jeferson Figueiredo, que concedeu entrevista na redação do RDNews acompanhado do seu advogado Abenur Amurami de Siqueira, revela que, diante dos prejuízos, ingressou com um processo indenizatório na 5ª Vara Criminal de Cuiabá - veja mais aqui. O empresário quer R$ 33 milhões de indenização. Segundo o seu advogado Amurami, o valor foi calculado sobre a vantagem financeira que a empresa teria, o chamado lucro cessante, além de danos morais.

   Os réus do processo são os ex-presidentes da Câmara, vereador Lutero Ponce (PMDB), que também é acusado de deixar um rombo superior a R$ 3 milhões em sua gestão de 2008, e a hoje deputada Chica Nunes (PSDB), o ex-vereador e marido de Chica e prefeito cassado de Barão de Melgaço, Marcelo Ribeiro (PP), Benedito Élson Santana , Élson Benedito Santana Nunes, Silas Lino de Oliveira, Alessandro Roberto Rondon, Gonçalo Xavier Bolelho Filho, Lúcia Conceição Alves Campos e Ana Maria Franco de Barros. O Banco do Brasil, a Prefeitura de Cuiabá e a Câmara aparecem no processo como réus. “Apesar de não existir nenhum funcionário do BB envolvido no esquema, mesmo que culposamente (sem intenção de dolo) o banco contribuiu para com o delito”, explica o advogado da Masterflex. (Patrícia Sanches)

(17h20) - Helny confirma compra de R$ 1,8 mil e diz que tem nota fiscal arquivada

   O presidente da MT Gás e ex-vereador por Cuiabá Helny de Paula confirma que realizou compras junto à empresa JF Indústria Comércio e Serviços de Móveis Ltda, a Masterflex, no valor de R$ 1,8 mil. "Eu era vereador e tinha direito à verba de gabinete. Fiz as compras no total de R4 1,8 mil e tenho comigo uma via da nota que comprova a transação. Agora, o que foi feito com a segunda via não minha responsabilidade". Assim, Helny confirma a tese do proprietário da empresa, Antônio Jeferson Chaves de Figueiredo, de que as compras foram feitas num valor bem abaixo do que mostram as notas supostamente clonadas pela Câmara de Cuiabá.

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Comentários (14)

  • MARCOS | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    A IMPRENSA TEM QUE DIVULGAR TODOS OS PODRES DESSES CALHORDAS AS VESPERAS DAS ELEIÇÕES, E O T.R.E. TAMBEM, VEJAM OS PROBLEMAS AGORA, SE ESTIVESSEM PRESOS NINGUEM TERIA A MORAL DE COBRAR, MAS PARECEM INUTEIS A FRENTE DE TAIS PROBLEMAS TEMOS QUE COBRAR DE TODOS, AFINAL VOTAMOS OBRIGATORIAMENTE. QUEREMOS E EXIGIMOS QUEIRA O S.T.F. OU NÃO, AS FICHAS SUJAS DE TODOS, QUEM ESTIVER LIMPO E CAPAZ FICA, QUEM ESTIVER ENROLADO VAI PARA FORA, O POVO TEM QUE SABER.

  • José Eduardo dos Santos Filho | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    O tal Silas Lino era sócio do Rui e do Jeferson. Esse cara aqui agora tá falido e quer tirar proveito da situação.
    Este cidadaõ é cupincha do Perminio, da Thelma e de mais alguns iluminados do PSDB por isso quer se aparecer, mas não adianta espernearem, O caso tá na justiça e cabe a ela decidir. Com relação a Barão meus caros, força politica não se discute e o Marcelo é o cara que vai governar Barão pois ganhou com 500 votos de frente. Não adianta mais chega de sofrer chega de chorar, querendo ou não o nosso prefeito ELEITO merece voltar e foooooooooooooooooooora Ribeiro Torres. E qto a vc Jeferson não acredito que tenha alguém nesse mundo que queira sujar as mãos e nem perder tempo em pensar de fazer alguma coisa contra vc seria perda de tempo meu jovem.

  • Júlia Martins | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    aff esse povo di novo; olha o suco ai gente que nem nas contas do Lutero.. esse povo ainda tá no poder fazendo o q?

  • Fernando Pessoa | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Duas coisas me saltam aos olhos:

    Primeira: Pelo amor de tudo que é mais sagrado, me respondam por que todos esses que participaram dessa esbórnia continuam soltos para cometerem os mesmos delitos? Sei que Chica Nunes goza de imunidade em função do cargo que ocupa, mas e os demais? Por que ainda não foram jogados em uma cela fria para pensarem sobre tudo o que fizeram de errado? Aguardo resposta.

    Segundo: Por que o Sr. Wilson Santos ainda não deu ordem aos seus vereadores para que esses votassem a favor do afastamento de Lutero Ponce da Câmara? Por que o seu teleguiado Procurador do Município e presidente da comissão de ética do PSDB não deu parecer favorável pela expulsão de Chica Nunes? Ora, senhores, para mim está claro que WS coaduna com tudo de podre que está acontecendo aí. Aguardo, ansioso, por respostas!!!

  • Denise | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Na verdade ao ler a nota original, ela foi emitida para a Procuradoria Geral de Justiça e não a Procuradoria Geral do Estado como informado na reportagem. Ou seja, eles clonaram uma nota emitida ao Ministério Público! Aguardo ansiosa o término dessa investigação!

  • marcos | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    se essa quadrilhia fizerão isso com cuiabá terião que ser presos ainda hoje porque amanhã o TRE esta preste a dar o poder maximo do municipio vizinho ao Sr. Marcélo Ribeiro uns dos componetes dessa quadrilhia e nada mais nada menos que marido da chefe Sr. Chica Nunes.Esse municipio e com certeza uns dois mais sofrido dos estado, principalmente se falando em caso de politica. Ja pessou espulsando o Lutero Ponce e a Sr. Chica para onde eles eria atuar ou falando melhor aonde eles vou pois os aliados do Sr. Marcelo já estão cantando vitoria pois já até pedirão a chave da prefeitura segundo um conhecido meu lá de Barão, coitado desse povo se eles soubece oque os espera erião todos amnhã até o TRE e impedirião essa sacanagem pois Baraõ não tem culpa e não merece servir de fonte de renda para essa quadrilhia de malandros que só quér se da bem nas custas dos outros Deus tenha dor de voçês Melgacensses.

  • rodrigo | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    AI TEM COISA FEIA E CABELUDA!!!
    ESE VALOR TERIA Q TER CARTA CONVITE, E O ´PAGAMENTO????
    COMO FOI EFETUADO??

    SERÁ QUE O BANCO TAMBEM ESTA NO ROLO???


    VAMOS INVESTIGAR

  • CARLOS RBERTO | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    NINGUEN SEGURA ESSA MULHER.

  • DIEGO | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas.
    Queira, por gentileza, refazer o seu comentário.

  • Pantaneiro | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Na última reportagem já tinha comentado, que Barão de Melgaço estava preste a virar um dos maiores escritórios de corrupção de MT, se realmente for confirmado a volta de Marcelo como prefeito desta modesta cidade. Abraão Lincon , disse uma vez que a humanidade chegaria a o ponto de se envergonhar de ser chamados de honestos,eu acho que esse momento já chegou. porque os nossos poderes constituídos já se envergonham de ser chamados de HONESTOS.

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