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Sábado, 22 de Setembro de 2007, 11h:09 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

CONFRONTO

Governo cogita "sacrificar" indicado ao Dnit

Por trégua com oposição, líderes governistas tentam acordo que retiraria Luiz Antonio Pagot do começo da lista de nomeações; tucanos resistem ao nome

SILVIO NAVARRO
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Líderes da base governista no Senado articulam um acordo que pode sacrificar a indicação de Luiz Antonio Pagot para a direção do Dnit (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes) em troca de uma trégua da oposição para retomar as votações e aplacar a pressão sob o presidente da Casa, Renan Calheiros.
Reservadamente, Renan deu aval à operação. A avaliação dele é que a disputa para aprovar o nome de Pagot tem se refletido em derrotas para ele. Além disso, como a indicação irrita o PSDB, poderia servir como aceno para a reaproximação.
A pauta da Casa está trancada à espera da votação de medidas provisórias. Quando isso ocorre, somente indicações de autoridades podem ser votadas. O nome de Pagot é o primeiro da fila. O governo tentou votá-lo duas vezes nesta semana, mas não conseguiu colocar 41 senadores no plenário -mínimo necessário para segurar o quórum de votação. Renan insistiu nas votações.
Para que a indicação perca a prioridade basta que um senador proponha a alteração da ordem de votação. Isso, entretanto, abriria caminho para que seu nome fosse rejeitado.
Pagot foi indicado pelo governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR). Ele é filiado ao PR e foi secretário de Infra-Estrutura do Estado. Sua indicação para o Dnit foi aprovada em sabatina no dia 7 de agosto -por 17 votos a 6- pela Comissão de Infra-Estrutura da Casa.
Braço operacional do Ministério dos Transportes, também cota do PR na Esplanada, o Dnit gerencia orçamento anual de quase R$ 12 bilhões -somados restos a pagar.
O PSDB resiste à indicação de Pagot. Na sabatina, o senador Mário Couto (PSDB-PA) o criticou por ter omitido que trabalhou no Senado entre 1995 e 2002, mas simultaneamente trabalhava em empresa privada. Esse acúmulo de empregos seria ilegal.
Pagot afirma que o Senado sabia que ele tinha dois empregos e atribui a resistência a questões locais, como a rivalidade com o ex-senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT).
Diante do impasse, líderes do governo cogitam deixar a indicação de lado. "Se esse for o problema para desobstruir a pauta, não me oponho. A discórdia está sendo o Pagot. Tem outras matérias que a oposição quer votar", disse o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO).
"Se houver acordo e possibilidade regimental de suspender a votação em andamento, eu concordo. É uma indicação que há meses enfrenta problemas", afirmou a líder do PT, Ideli Salvatti (SC).
Caso isso ocorra, o governo tentará votar outras indicações, como a de Paulo Lacerda para chefiar a Abin (Agência Brasileira de Inteligência).
Apesar da obstrução, os partidos de oposição aceitam votar algumas indicações e projetos do governo caso consigam dar prioridade na pauta para três itens: o projeto que acaba com sessões secretas em votações de cassação de mandato, a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que determina o voto aberto, e o projeto que afasta da Mesa senadores com processos no Conselho de Ética. Desses três itens, apenas o primeiro deve passar.

"Melhor nome"
O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), afirmou ontem que se Luiz Antonio Pagot ficar fora da presidência do Dnit poderá ser nomeado para qualquer secretaria do governo estadual. "É o melhor nome que temos", afirmou.
Maggi disse que conversou com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e o ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais) no fim da semana passada sobre a demora na nomeação de Pagot, que precisa ser aprovada no Senado. "Eu disse que [se fosse necessário] retiraria o nome [de Pagot para o cargo]", afirmou Maggi.
A resposta dos ministros, segundo o governador, foi: "Nós precisamos dele [Pagot] no governo [Dnit]".
Além de ter sido secretário estadual de Educação e de Infra-Estrutura, Pagot trabalhou de 1993 a 1999 como consultor do grupo André Maggi, que pertence ao governador. De 1995 a 2002, foi diretor-superintendente da Hermasa Navegação da Amazônia, outra empresa de Blairo Maggi.


Colaborou HUDSON CORRÊA, da Agência Folha, em Campo Grande

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