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Quinta-Feira, 19 de Novembro de 2009, 18h:49 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:24

ELEIÇÃO NA ORDEM

Grupo mantém hegemonia; Stábile abre porta rumo ao TJ


Na carroceria de caminhão, presidente da OAB-MT Francisco Faiad, um dos principais cabos eleitorais da candidatura situacionista, discursa ao lado do presidente eleito Cláudio Stábile, nesta 5ª, no início da noite
Fotos: Lislaine dos Anjos

  O grupo de Francisco Faiad consegue uma hegemonia jamais registrada nos 76 anos da história  da Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso. Com a vitória de Cláudio Stábile nesta quinta (19) para três anos de mandato, a situação vai completar 15 anos de administração ininterrupta. O mandato de Stábile vai até 2012. Neste processo eleitoral, o atual presidente Francisco Faiad foi espécie de "estrela" mas, por outro lado, sua gestão acabou se transfomando em "saco de pancada" pelos oposicionistas.

   A partir dos anos 1990, o grupo passou a conduzir a Ordem com Maria Helena Póvoas, que foi promovida à desembargadora. Rubens de Oliveira, que era vice-presidente e que hoje ocupa também cadeira de desembargador do Tribunal de Justiça, veio em seguida. O bloco situacionista lança para presidência Ussiel Tavares, que fica seis anos no posto. Com forte apoio da ala jovem da advocacia, Francisco Faiad, ex-vereador por Alta Floresta, garante sua eleição à presidência da OAB e, três anos depois, reconquista o mandato, que encerra agora. Nos dois processos eleitorais, Faiad enfrentou uma "inflação" de concorrentes. "Bateu" todos nas urnas.

   Nomes que atuavam na oposição passaram a se juntar ao grupo de Faiad, como de Almino Afonso, um dos derrotados na briga eleitoral pela comando da Ordem. Por outro lado, outros se distanciaram, como o próprio Scaravelli, que está licenciado da presidência da Caixa de Assistência da Ordem, José Patrocínio e Francisco Sgaib. Faiad foi o principal cabo eleitoral na campanha vitoriosa de Cláudio Stábile. O processo eleitoral foi marcado por grandes estruturas de marketing, comunicação e logística montados pelos dois candidatos, que chegaram a partir por acusações mútuas. Eles criaram ambientes e condições similares às de disputa a cargo eletivo de prefeito.

  Em princípio, Stábile, um advogado de fala mansa, centrado e que demonstra ter bom trânsito junto à categoria, estava um tanto resistente em encarar o desafio. O bloco da situação, sem candidato, passou a empurrar Faiad para o projeto do terceiro mandato. Como a oposição começou a bater duro, recuou e conseguiu convencer Stábile a entrar na disputa. Com atuação nas áreas cível e trabalhista, ele havia assumido o cargo de diretor da Escola Superior de Advocacia e já foi do Conselho Estadual da OAB em três gestões, duas sob Ussiel (1998/2000 e 2001/2003) e no primeiro mandato de Faiad (2004/2006).

   Stábile já figurou, sem sucesso, na lista sêxtupla pelo quinto constitucional da OAB para cadeira de desembargador. A conquista da presidência da OAB pode ser a senha que ele precisava para abrir as portas do Judiciário, com vistas a sua promoção para desembargador quando concluir o mandato, a exemplo do que ocorreu com os ex-presidentes Maria Helena Póvoas e Rubens de Oliveira.

    Contraponto

    Mas nem tudo deveria ser festa na OAB-MT. A entidade não demonstra tanta evolução e vai consumindo o capital de credibilidade que conquistara. Assim, está se reduzindo cada vez mais a uma estrutura antiguada, pouco representativa, autoritária em alguns momentos e, acima de tudo, corporativista. É evidente que associações profissionais têm a legítima tendência de procurar fazer valer os interesses de seus membros. Os problemas começam quando essas organizações se tornam maiores do que sindicatos, o que se fato deveria ser, e passam a interferir diretamente em decisões do Estado e na vida de todos os cidadãos.

   Isso se constata na OAB. Possivelmente até por seus méritos pretéritos, a Ordem angariou um poder que poucas categorias têm, que é de indicar juízes para tribunais. A entidade é legitimada para uma série de ações judiciais de grande impacto e conseguiu transformar seu estatuto em norma federal, que diga a 8.906, instituída em 1994. Ali, solidificou em lei uma série de privilégios difíceis de justificar, como a imunidade concedida ao advogado, "em juízo ou fora dele", para os crimes de injúria e difamação e a apropriação dos honorários de sucumbência, originalmente a indenização que a parte perdedora devia à vencedora para ressarci-la dos gastos processuais. São por essas razões que os advogados precisam repensar a entidade, sob pena de continuar o "statu quo". (Romilson Dourado)

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Comentários (8)

  • ze do pvo2 | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    PARABENS E VIVA A CENSURA, SEU BLOG NO MINIMO DEVE SER COMPRADO OU VC TEM SE VENDIDO A ALGUM GRUPO, PODE VETAR EU CONCORDO AI EU CONCORDO, SABIA QUE EXISTIA A DITADURA MILITAR MAS A DITADURA JORNALISTICA, EM PLENO SECULO 21, RETIRE SEU TERMO COMENTAR ENTÃO, COLOQUE, CONCORDAR, CAI BEM PRA VOCE E SEU GRUPO.

  • Hiram de Tiro | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Perfeita leitura, Romilson. Estrutura antiquada, perda da credibilidade e, finalmente, porta aberta ao TJ, objetivo de fim-de-carreira do vitorioso.

  • luiz do cpa | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    a OAB é uma filial do PSDB... tanto é verdade que manga rosa apoiou o candidato do faiado.

  • HErnan Escudero | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    PRezado Romilson, sei que já passou a presente matéria da ordem do dia mas de uma forma significativa, acredito em uma proposta para a seriedade com que vc leva a imprensa na net: NÃO DEIXE QUE NINGUEM EXPRESSE SUA OPINIÃO SEM DEIXAR UM NOME IDENTIFICÁVEL E SEU ENDEREÇO ELETRÔNICO - POIS O QUE NÃO SE PODE É TER COMENTÁRIOS ESCONDIDOS NA CLANDESTINIDADE PRECEDIDO POR UMA CONFIRMAÇÃO DO E-MAIL E RESPECTIVO NOME OU CODINOME

  • Antonio Pigmeu | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Matéria errada. Leitura errada. 1) Maria Helena não sucedeu Rubens de Oliveira, e sim o próprio Ussiel Tavares, eleito pelo Conselho. Na época, os membros da OAB poderia se candidatar a vagas no quinto, o que ficou proibido posteriormente; 2) A OAB paga os pecados de abrigar advogados cretinos, como um tal Fernando Henrique, que, para não perder sua bocada em 20% de 9 milhões de uma causa, articulou com o juiz Julier Sebastião para tirar Faiad do cargo. Faiad sofre desgaste por causa de sua luta para proteger o advogado, na garantia de suas prerrogativas. A OAB, antes de tudo, é uma entidade de advogados e que, por conta da falta de organismos sérios (a contar de setores da própria imprensa) é obrigada a fazer a defesa da sociedade.

    Resposta - A correção já foi feita no texto. Obrigado, Pigmeu, pela observação. Atenciosamente - Romilson Dourado

  • JOSÉ CARLOS | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Que vergonha!!! Estábile ganha a eleição com a frase de discurso Aha Uhu!!! A OAB É NOSSA!!!

    Eu patrticularmente já sabia disso! O Grupo do Faiad apenas confirmou o que já sabia, ou seja, que eles tratam a OAB como se exclusivamente sua fossem.

    O que me impressiona é que eles conseguem movimentar uma massa de jovens advogados que não fazem a menor idéia do quanto eles somente ultilizam a ORDEM para fins exclusivamente particulares.

    Penso que a a Frase Aha Uhu!!! A OAB É NOSSA!!! soaria melhor se fosse:


    Aha Uhu!!! A OAB É MINHA!!!! FAIAD

    OU...... No máximo .....


    Aha Uhu!!!! A OAB É MINHA!!!! FAIAD e USSIEL!!!

    Lendo engano jovens advogados!!! Vocês são apenas massa de manobra dos mesmos que vêm usando a OAB em proveiro próprio a decádas!!!

    ACORDEM!!!!!!


    PREFIRO PERDER DIGNAMENTE!!!! A GANHAR DO LADO DESSE GRUPO

  • Antônio Pigmeu | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Ainda tá errada a leitura. Aliás, sem uma leitura histórica, não é possível se buscar acertos no presente. E isso não é conversa de historiador não! Bom.. Aos fatos! Maria Helena Póvoas, da forma descrita, parece ter deixado o cargo para ser desembargadora. Errado... Ela só veio a ser desembargadora anos depois, muitos anos, com o apoio de quase 100% do Conselho Seccional, após um memorável discurso que encheu os olhos de muita gente! Ussiel não ficou seis anos como presidente, mas apenas cinco. Quem usou a Ordem como trampolim, vamos dizer assim, para chegar a desembargador foi Rubens de Oliveira, eleito presidente e deixou o cargo para ocupar a vaga. Ussiel foi eleito pelo conselho. O jornalista imparcial Enock Cavalcanti pode descrever melhor essa passagem de Rubens por lá. Rubens que, aliás, apoiou o candidato derrotado, João Vicente Scaravelli, cujos asseclas acusavam o vencedor, Claúdio Stábile, de querer ser candidato a desembargador - quando a legislação atual não permite. Ponto... Consertem ae..

  • zé do povo | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas.
    Queira, por gentileza, refazer o seu comentário.

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