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Segunda-Feira, 30 de Abril de 2007, 09h:42 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Hidrovias, boicote e integração

      Chega de ficarmos iludidos como nos velhos tempos, achando que o mundo seria dividido entre mocinhos e bandidos, quando as ideologias, aparentemente, decidiam por nós. Em época de globalização, mocinhos e bandidos já saíram de cena. A real divisão é entre quem tem a responsabilidade de andar à frente de seu tempo, identificando para onde o mundo está indo, e quem ainda vive como nos filmes de John Wayne.
     O grande desafio é fazer com que o desenvolvimento para todos sobreponha-se ao vazio ético acirrado pelo desaparecimento, temporário ou definitivo, das utopias revolucionárias.
     Nessa nova era, o Brasil clama pela integração, física e operacionalmente nos sistemas de transportes, envolvendo rodovias, ferrovias, hidrovias,portos, dutos e aeroportos. É por aí que o mundo está indo: tira-se de cada modal de transporte o melhor aproveitamento, para reduzir distâncias, ganhar tempo, baixar fretes e tornar nossos produtos mais baratos no mercado interno e mais competitivos no mercado externo.
     O Brasil está na competição geoeconômica e isso incomoda oligarquias, que sabem para onde o mundo está indo, mas usam a ingenuidade de quem vive como nos filmes de John Wayne para criar nuvens de fumaça. Trata-se de uma aliança em que os espertos permanecem ocultos, enquanto os ingênuos, geralmente alguns membros de entidades respeitáveis, são os que aparecem como defensores de interesses difusos.
     Não é por acaso que hidrovias fundamentais, como a Araguaia-Tocantins e a Teles Pires-Tapajós, que ajudariam acelerar o desenvolvimento de Mato Grosso e nos levar para onde o mundo caminha, tenham sido objeto de brigas judiciais. Nesse caso, as nuvens de fumaça parecem esconder uma estratégia maior, cujo objetivo é impedir que o Brasil saia de sua secular condição de ser apenas potencialmente uma das nações mais ricas do mundo. O verdadeiro objetivo dessa aliança entre espertos e ingênuos não é proteger o meio ambiente, como dizem por aí, mas impedir a implantação das hidrovias.
     Não me arrisco afirmar com convicção de que hidrovias são o modal de transporte que menos agride o ambiente, até por não ser especialista no assunto. Mas é oportuno enfatizar que os EUA aproveitaram os seus recursos hídricos e hoje dispõem de uma malha hidroviária que alcança quase 47 mil km, por onde 33% da produção desse país é transportada.
     Estudam apontam que hoje, no Brasil, há disponível uma rede hidroviária que alcança cerca de 28 mil km naturalmente navegáveis. Porém, menos de 2% da produção brasileira é transportada por esse sistema. Pouco mais de 5 milhões de toneladas são escoadas por hidrovias. O custo dos investimentos em obras de transportes aponta que a hidrovia é a modalidade mais barata para manter e operar. Apesar disso, o Brasil levou muitos anos para iniciar o aproveitamento de todo esse potencial.
     O governo deveria investir nas principais hidrovias brasileiras, que, juntas, interligariam quase todo o país, de norte a sul, inclusive com o aproveitamento da chamada multimodalidade.
     Segundo dados do Ministério dos Transportes, os números da navegação interior no Brasil ainda são inexpressivos, se comparados ao transporte efetuado sobre pneus e trilhos. As rodovias ainda escoam cerca de 60% das cargas brasileiras. As ferrovias são responsáveis por 21% do transporte. A navegação marítima de cabotagem leva 16% da produção nacional. As hidrovias transportam, timidamente, pouco mais de 1% da carga brasileira por tonelada/km.
     É preciso mudar isso. Já num mundo sem mocinhos e bandidos, rumar com passo firme em direção à modernidade, sem reinventar a roda. Esse é um dos principais caminhos para se reduzir o chamado custo Brasil.


Romilson Dourado é jornalista, editor de Política de A Gazeta e escreve neste espaço às segundas-feiras

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