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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2007, 02h:22 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:19

Artigo

Homicídio doloso ou assassinato?

     É deveras triste e aterrorizante, o que aconteceu na cidade de Poconé neste domingo. Um dia que deveria ser de prazer e de alegria, transformou-se em terror e desespero.
     Um adolescente de 14 anos, Diego, e sua irmã, Katherine, de 21, foram brutalmente atropelados e mortos, arrastados por mais de 200 metros na moto em que estavam,  por um irresponsável, provavelmente bêbado, dirigindo uma camioneta , que sequer teve a coragem e a dignidade de parar e prestar socorro às vítimas de seu ato criminoso.
     Os dois irmãos estavam indo para a casa de seu Avô, quando foram surpreendidos pelo carro, que em alta velocidade, sacramentou o crime. A menina – sim, menina, pois tinha apenas 21 anos -, teve morte instantânea e o menino, Diego, foi trazido para Cuiabá e faleceu logo após o sepultamento da irmã.
     Esse ato consumado, é fruto da soberba, da arrogância, da irresponsabilidade daqueles, que em situação financeira mais “privilegiada” pouco se importam com os mais humildes.
     Além de fugir covardemente, o causador das mortes, que se chama Cesair, segundo me informaram, é um fazendeiro “forte” e havia  saído  de um leilão.
     A família das vítimas,  gente simples,  tem medo até de exigir providências e sair em busca de seus direitos, pois os mais poderosos sempre tem como se defender.
     Conclamo a população de Poconé a sair em defesa dessas pessoas, vítimas de um matador que não usa arma de fogo, mas um carro como objeto para matar.
     Conclamo a Polícia, os Poderes Constituídos, Ministério Público, Prefeito, Vereadores, enfim, todos os que, no exercício do Poder e com espírito de cidadania e respeito aos direitos de todos os cidadãos, se empenhem incansável e corajosamente para colocar na cadeia, esse irresponsável que ceifou duas inocentes vidas.
     Conclamo o Sr. Secretário de Segurança Pública, os Deputados o Governador, para que se atenham e atentem a este caso que poderia ter acontecido com qualquer um de nós, inclusive com seus próprios familiares, para que cobrem ações que punam o culpado. A imortalidade não é dada a ninguém,  nem mesmo aos que detêm o poder. É um bom motivo para pensar no assunto e voltar a sentir perplexidade, diante de atos horripilantes e bem reais e comuns como este.
     Conclamo a sociedade, que tem presenciado abusos e injustiças, a sair às ruas deste País e deste Estado para exigir seus direitos, como fazem povos de outros países, inclusive na América do Sul. Que sintam a dor de outrem, que poderia ser sua.
     Homicídio doloso ou assassinato?
     Que importância tem o termo correto ou as palavras técnicas que forem cabíveis ao caso, quando se tem a morte à espreita, por abusos e maldades, que nascem e proliferam no coração de pessoas como este motorista mortal e de seres humanos, que usam tão pouco sua capacidade mental e,  ainda assim, só o fazem para o mal.
     Exigir Justiça neste caso, mais do que um dever de todos nós, é obrigação das autoridades competentes, que não podem mais se omitir diante de tanta perplexidade das pessoas que ainda carregam senso de amor ao próximo e que presenciam o desabamento do mundo ao seu redor, que apodrece, carcomido pela omissão, covardia, corrupção, pelo poder do dinheiro e dos que podem mais.
     Duas jovens vidas ceifadas, além de muitas e muitas outras que já vimos, não podem ser simplesmente consideradas como um caso policial, mas um motivo para pensarmos e reagirmos, porque se todos se acovardarem, um dia, quando não houver mais ninguém para reclamar e lutar, acontecerá com qualquer um de nós. Não tenham dúvidas disso e nem de que,  ninguém virá em nosso socorro.
     Diego e Katherine,  assim como seus familiares, esperam eM Deus, que a Justiça seja feita,  o mínimo que se pode esperar, diante de tanta dor.

 

Oriana Paes de Barros é procuradora federal aposentada e pecuarista

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