Últimas

Quinta-Feira, 01 de Março de 2007, 23h:14 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Íntegra do discurso de posse de Paulo Lessa na presidência do TJ/MT

 ‘Um coração que crê realiza os seus sonhos’

Um novo momento para o Judiciário, que possa ser traduzido em maior estreitamento na relação com o jurisdicionado. Não quero nada menos que isso como resultado do período em que permanecerei na Presidência desta instituição.

E não me pretendo modesto nesse desiderato, porque entendo que a Justiça deve ser tratada como artigo de primeira necessidade para a cidadania.

Não me cabe outro papel como presidente do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso senão o de ser ativo executor de políticas que visem o efetivo cumprimento da finalidade do Poder Judiciário como instituição republicana.

Quero uma Justiça que seja efetiva bem além do ato de julgar, posto que julgar acaba por ser conseqüência da efetividade. Efetiva também em ações preventivas, para ser uma Justiça que provoque percepção de sua missão, de maneira a buscar a inibição da ilicitude com a sua presença e atuação marcantes e com a ciência permanente da execução do seu papel.

Com isso, espero desde já provocar uma mudança, o começo da construção desse novo momento, pois a sociedade passará a ter a sensação de uma Justiça atuante, cada vez mais constante. Uma Justiça que esteja a primar pela acessibilidade e efetividade.

Nesse sentido, começo as minhas palavras com os seguintes anúncios: É meta da gestão que está sendo empossada diminuir o tempo de julgamento dos processos, em especial nas ações que tramitam na Justiça de primeiro grau.

É meta desta gestão reduzir o estoque de processos, que ano a ano se avoluma em nossos escaninhos. É meta elevar o nível de satisfação da sociedade em relação ao serviço prestado pelo Poder Judiciário.

Caros juízes, estimados servidores:

O cidadão ou, se preferirem, o jurisdicionado doravante terá que ser recebido como cliente, em uma relação onde o cliente está com a razão, até porque não nos compete escolher clientes. E, para ‘clientar‘, usando uma expressão criada por uma grande empresa como sinônimo de atendimento, a Justiça precisará assumir uma nova postura, mostrar um novo semblante.

Esse é o nosso ideário. Desde já faço o chamamento para que todos, juntos, em colaboração decisiva -magistrados, servidores, operadores do direito e jurisdicionados em geral, todos -busquemos alcançar o ideal de Judiciário que a Nação espera, que o povo almeja. A cidadania exige um Judiciário cada vez mais acessível e efetivo.

Senhores,

Sou um homem que dedicou toda a sua história de vida aos interesses da Justiça, aos interesses do Judiciário de Mato Grosso. Acordo e durmo juiz nos últimos 27 anos. E, como digital do ofício, tento distribuir Justiça no meu cotidiano, pautando meu ser por virtudes como espiritualidade, humildade e integridade. São preceitos que persigo para me tornar um homem melhor e um juiz cada vez mais equilibrado e verdadeiro.

Agora, como gestor desta instituição, ombreado pelos eminentes desembargadores Rubens de Oliveira Santos Filho, nosso Vice-Presidente, e Orlando de Almeida Perri, Corregedor Geral de Justiça, tenho a grande oportunidade de tornar realidade todos os meus sonhos de oferecer uma Justiça acessível e efetiva.

Recebo, pois, com muita honra e redobrada responsabilidade a delegação e as atribuições que o cargo impõe. Não me faltarão disposição e coragem para exercer a Presidência do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso.

Em conversa com a minha equipe de trabalho, no começo deste ano, fui instigado a definir, em apenas uma palavra, o sentimento que me abate, o sentimento que me reina, o sentimento que me impulsionava em véspera de assumir tão relevante cargo.

Algo que resumisse em uma única palavra, em uma única expressão, todo o meu propósito para a gestão que se inicia. Ruptura! Isso mesmo: Ruptura! A palavra surgiu naturalmente...

Certamente, como fruto de anseio, da convicção de que existem coisas que podem mudar, que podem melhorar, pela certeza de que existem grandes tarefas por realizar. Não tenho medo de pronunciar a palavra ruptura, mesmo em ambiente tão tradicional, tão formal.

Vez que pretendo promovê-la com maturidade e consciência, buscando parcerias, dentro e fora deste Poder. Isto porque quero perseguir uma ruptura que vise a construção de um novo momento, a edificação de um momento de práticas que proporcionem mais agilidade no atendimento ao jurisdicionado e tornem este Poder totalmente transparente. Não é, portanto, uma ruptura qualquer. Não é velada, não é belicosa, não é injustificável.

É, naturalmente, viver o presente e enfrentar a realidade que o Judiciário atravessa em níveis nacional e estadual. Será estar de maneira decidida com os olhos voltados para o futuro, buscando com determinação a modernidade, explorando com decisão as novas tecnologias, investindo na capacitação permanente, cobrando com firmeza a agilização no ato de julgar, sendo contundente na fiscalização do cumprimento do mister daqueles que têm a missão de funcionar como Juiz e, principalmente, no informar e no formar, pois é fundamental que a sociedade tenha conhecimento mais apurado sobre o papel do Judiciário, sobre a sua ação e sobre o que esta instituição está conseguindo fazer, mesmo em tempos tão difíceis.

Mato-grossenses,

A posse desta diretoria do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso também marca a apresentação de uma publicação com o extrato do planejamento estratégico esboçado nas semanas que antecederam esta solenidade. Se também fosse resumir o documento, o faria em ‘atender bem o jurisdicionado’.

Esta meta resume todas as demais, mesmo aquelas que falam com o público interno ou visem atender o servidor. Atender aqueles para os quais nós existimos será nossa obstinação, porque para eles é a nossa destinação.

O Judiciário tem que estar presente para servir de equilíbrio entre as forças antagônicas da sociedade, em especial para aplacar a voracidade do Estado contra o cidadão. O Estado não pode tudo contra o cidadão e a Justiça tem que estar vigilante, atuante.

Permitam-me, então, propor uma reflexão, um questionamento, aproveitando a presença de tantas significativas autoridades, de tantas destacadas pessoas que permeiam o dia a dia da Justiça: Sabemos tudo o que devemos saber a respeito de jurisdicionado e jurisdição, porém, estamos conseguindo cumprir plenamente a nossa finalidade? E, se não o estamos, o que fazer?

Creio ser consensual que estamos longe de atingir com amplitude essa missão, longe de atingir plenamente a finalidade à qual foi criada esta instituição da República. Culpa única e exclusivamente do Judiciário? Entendo que não!

O bom funcionamento da Justiça é responsabilidade de todos, estejam eles instalados em quaisquer dos três Poderes da República e, inclusive, responsabilidade do conjunto da nossa sociedade, para a qual a Justiça existe e de quem se espera a sua defesa intransigente.

A Constituição do Brasil é muito clara: a estrutura de poder na República é tripartite, compreendida de Judiciário, Executivo e Legislativo. São três Poderes, cada qual com papéis bem definidos e bem especificados. O Executivo como estrutura arrecadadora e com as suas mais diversas obrigações governamentais. O Legislativo, com a responsabilidade de legislar, de estabelecer as regras para a sociedade e fiscalizar os demais Poderes. Cumpre ao Judiciário, por sua vez, o papel de garantidor da paz social, dirimindo os conflitos decorrentes do viver em uma sociedade cada vez mais complexa.

O exercício do papel constitucional de cada Poder, em especial do Poder Judiciário, não pode, não deve e não será aceito como sujeito à mera análise de caixa. Esse tipo de postura, comumentemente assumida vez ou outra pelo Executivo, admitida vez ou outra pelo Judiciário, testemunhada com freqüência pelo Legislativo, não pode continuar, tem que acabar.

Não se deve tratar nenhum dos Poderes da República como o ‘da vez’. Nem se deve eleger o beneficiário da ocasião; tampouco, qual será o prejudicado da hora. Esse tipo de entendimento é inadmissível e não pode ocorrer porque inexiste hierarquia nessa relação. Os Poderes são iguais. E devem funcionar em harmonia, voltados sempre para um ente comum, os cidadãos.

Portanto, com tranqüilidade e segurança, enfatizo que o Judiciário vai cobrar aquilo que lhe cabe como instituição republicana. Não estou falando de remuneração ou de privilégios. Estou falando de funcionamento pleno e correto da Justiça.

Educação, saúde e Justiça são artigos de primeira necessidade, que devem ser oferecidos para o cidadão, não importa o quanto custar. Povo sadio, instruído e protegido pela Justiça é um povo melhor. O resto é decorrência dessa decisão, inclusive a questão da segurança, que tanta aflição tem provocado em nossas comunidades.

Proponho aos Poderes Executivo e Legislativo, doravante, o estabelecimento de um diálogo franco e construtivo como premissa basilar na relação cotidiana. Quero sentar periodicamente à mesa de reunião para a busca de soluções que visem a garantia de todos os direitos dos cidadãos, até porque paz social se alcança com a colaboração indistinta de todos.

Mas, que sentemos à mesa com respeito e obediência aos preceitos constitucionais. Mesa de trabalho onde devem se assentar os chefes dos três Poderes, porque a Constituição da República não criou um quarto, nem um quinto e nem um sexto poder. Devemos tratar iguais como iguais, Poder como Poder. Para que cada um, na sua esfera constitucional, com organização e metas, ordene as relações e aplaine as situações.

Senhores,

Se abrir as portas para o diálogo é o meu primeiro passo nesta relação profícua pretendida com os dois outros Poderes Constituídos, aproveito para resgatar a culpa do Poder Judiciário naquilo que não estamos cumprindo, com inteireza, a nossa missão.

Por muitos anos permanecemos fechados em uma redoma, julgando-nos inatingíveis, e não percebemos como drásticas ocorreram as transformações na sociedade e como rápido se elevaram os níveis de exigência da sociedade na prestação jurisdicional.

Agora, estamos correndo contra o tempo para evitar a descrença na Justiça, além de atuar simultaneamente em um cenário aonde é comum debitar para o Judiciário a culpa por inúmeras mazelas. É certo que nos últimos 10 anos a quantidade de processos ingressos no Judiciário cresceu cerca de 200 por cento. Mas também é verdadeiro que se demorou muito para adequar a estrutura judicial de maneira a enfrentar esse crescimento. Daí a existência de mais de 620 mil processos em estoque em Mato Grosso, um volume que atropela a nossa capacidade de resposta uma vez que recebemos, somente em 2006, cerca de 330 mil novas ações para julgamento.

Esse quadro preocupante abala a reputação e a imagem desta instituição, mesmo em que pese este Poder julgar praticamente a mesma quantidade de processos que anualmente recebe. No ano passado, por exemplo, foram julgadas mais de 320 mil ações em nível estadual.

É importante destacar, nesse aspecto, a atuação do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso como um dos mais ágeis no julgar, um dos primeiros no Brasil. Aqui se julga em tempo inferior àquele que na maioria dos outros Tribunais se demora a distribuir uma ação! Porém, os números gerais são assustadores: dados apurados recentemente pelo Conselho Nacional de Justiça revelam o ingresso de cerca de 59 milhões de ações no ano de 2005 no Judiciário brasileiro. O mesmo órgão também revelou, recentemente, comparando os anos de 2004 e 2005, que diminuiu a taxa de congestionamento, o que mostra o Poder julgando em maior volume.

Esses números, por outro lado, também indicam a imperiosa necessidade de ampliação dos quadros de juízes em nível nacional, assim como também que devemos investir mais no aparelhamento da Justiça de primeiro grau mato-grossense, a fim de que ela possa responder à altura as demandas que chegam aos Fóruns. Da mesma forma, que precisamos urgentemente de reformas que evitem o eternizar dos processos, acabando com a existência absurda das inúmeras alternativas para se adiar a conclusão dos julgados.

Em verdade, o despertar do Judiciário de Mato Grosso para a necessidade de uma estrutura judicante mais robusta e moderna começou há alguns anos, notadamente durante a gestão do eminente desembargador Leônidas Duarte Monteiro, quando da implantação do Projeto de Modernização do Poder Judiciário, do qual tive o privilégio de participar juntamente com o eminente Desembargador Orlando Perri. Desde então tal preocupação com a nossa eficiência passou a pautar as decisões dos dirigentes deste Poder, perpassando pela gestão do ilustrado Desembargador José Ferreira Leite, seguido do não menos ilustre Desembargador José Jurandir de Lima.

A nossa gestão vai consolidar essa disposição de mudança, pois já ficou evidenciado que querer torna possível, que querer é passo inicial para o realizar. Mas devemos reconhecer: ainda estamos em débito, tanto no estoque de processos quanto na presteza do julgar.

O mesmo Conselho Nacional de Justiça revelou que, das reclamações que chegam contra o Judiciário, mais de 50 por cento criticam a lentidão, criticam a demora, reclamam do atraso. A frase é antiga, foi recitada por um brasileiro exponencial, Rui Barbosa, porém, ela continua muito atual: ‘Justiça atrasada é Justiça desqualificada, não é Justiça‘. E eu endosso o dito de Rui Barbosa, afirmando: Justiça lenta não é justiça, é injustiça. É injustiça praticada pelo próprio Estado que, por seu turno, está a cobrar do cidadão, de forma cada vez mais contundente, o cumprimento dos mais variados deveres.

Como agentes do Estado, precisamos dar exemplos de celeridade, de pontualidade, de presença, de atitude. Antecipo desde já que não vou coadunar e não aceitarei argumentos quaisquer que tentem justificar a lentidão em nosso mister.

Se a solução é ampliar os quadros judicantes, tenham a certeza que vamos trabalhar nesse sentido. Mas se a lentidão for decorrência de nossa própria ação, vamos agir! A grande contrapartida desta nova gestão administrativa será atacar a morosidade, confrontar e debelar a ineficiência.

A propósito, nesse sentido, conheço e anuncio toda a determinação, todo o arrojamento e toda a vontade do nosso Corregedor Geral de Justiça, o desembargador Orlando de Almeida Perri.

Um homem talhado para a função. Culto, estudioso, incansável. Que vai destinar toda a sua cultura e toda a sua determinação nas atribuições de competência da Corregedoria. A morosidade é um mal e, desde já, esta diretoria do Poder Judiciário está assumindo o compromisso de estar em posição diametralmente oposta a quem tolera essa situação.

Li, recentemente, que o problema do Brasil é a obsolescência. Ela pode ser verificada em um quadro que mostra que o nosso país evolui, porém, em uma velocidade bem menor que no resto do mundo. Que o Brasil não se adapta à velocidade necessária. Como alimentador desse quadro está o medo de mudanças. Queremos romper, pelo menos em nossa seara, com essa tendência. E profissionais como o desembargador Orlando de Almeida Perri e como o nosso Vice-Presidente Desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho são fundamentais para este momento.

Senhoras e Senhores

Esta gestão também tem como meta ampliar o nível de oferta de Justiça gratuita. O ideal, certamente, seria a gratuidade total, para finalmente tornar a Justiça acessível de fato e de direito para o cidadão. Mas, infelizmente, não é assim.

Somente o amadurecimento da sociedade fará com que ela tenha clareza do seu papel deliberativo e, assim, passe a determinar à classe política a criação de condições objetivas para que Justiça, educação e saúde sejam efetivamente oferecidas gratuitamente à sociedade. Pode aparentar contraditório sonhar com justiça gratuita se, recentemente, da lavra do nosso próprio Tribunal, houve proposta de alteração na legislação gerando elevação do valor das taxas judiciais.

Falo desse assunto com a coragem de enfrentar o tema em quaisquer ocasiões. Nem sempre se consegue realizar de imediato um sonho; às vezes, é preciso se render às evidências de uma realidade, ser obrigado a se render às evidências de um momento.

Reconheço que foi doloroso reclamar a atualização dos valores das taxas judiciais, mesmo levando em conta que as taxas estavam congeladas desde antes da edição da nova Constituição, em 1988. Mas não havia outra alternativa senão a atualização para fazer frente às despesas que não são cobertas pelo repasse constitucional periódico e que dependem basicamente do Fundo Funajuris. Despesas, aliás, que já asseguram a oferta de justiça gratuita em mais de 70 por cento do movimento forense.

Sei, inclusive, que estamos enfrentando críticas como as da Ordem dos Advogados do Brasil, que acusa de inconstitucional a medida. Mas para a OAB coloco na mesa um outro lado da questão, que em verdade deve mobilizar principalmente essa instituição, vez que ela representa agentes essenciais para o funcionamento da Justiça, os advogados.

Pergunto: Será que não é inconstitucional a Justiça ficar de pires na mão em busca de condições para atuar? Certamente que essa é a situação inconstitucional. Posto que Justiça de pires na mão é Justiça subserviente, aí sim, sujeita à circunstância de caixa.

A questão das taxas judiciais é de responsabilidade coletiva, na qual, por enquanto, para aqueles que podem pagar, pagar-se-á taxas proporcionais ao valor da causa, porém fixadas em 1 por cento e com teto limitador. O debate sobre custas judiciais, com a sociedade, com a OAB, com o Ministério Público e com quaisquer outras instituições ou setores da sociedade deve levar em consideração um ponto inquestionável: os recursos apurados pelo Funajuris servem principalmente para financiar a Justiça Gratuita, assim como também para ajudar na construção de estruturas que abrigam os órgãos da Justiça e servem para o atendimento condigno ao jurisdicionado.

Enfrento a questão, portanto, com desenvoltura e tranqüilidade, pois sei que o errado é abdicar aos sonhos e deste, em especial, guardo vigilância: a Justiça, como bem de primeira necessidade para a cidadania, deve ser gratuita. E um dia será! Eu tenho a crença de que um dia alcançaremos esse nível de organização, para que a sociedade esteja plenamente satisfeita com a presença da Justiça e a oferta de educação e saúde de qualidade.

Colegas juízes,

Anuncio um grande esforço de comunicação que se praticará de agora em diante, ao qual espero o engajamento de todos os magistrados e dirigentes desta Instituição. O trabalho empreendido pelo Poder Judiciário, dentro das limitações amplamente conhecidas, é rotineiramente transformado em terra arrasada, decorrente do desconhecimento da sociedade tanto sobre o nosso papel, quanto do nível de atendimento às tarefas que nos são colocadas.

Vejo pelos noticiários que praticamente se acostumou a culpar o Judiciário pelos mais variados problemas, como se as leis que facilitam a soltura de presos fossem elaboradas pelos juízes, como se as cadeias que não prendem fossem de responsabilidade dos juízes, como se as dezenas de alternativas legais para obstaculizar a conclusão definitiva dos processos judiciais também fossem de iniciativa dos juízes.

Esse saco de pancadas não estará mais disponível. Escolham outro depositário para a culpa do mundo. Vamos empreender o esforço que for necessário para acabar com essa sina. Esforço de comunicação e vigilância jurídica se preciso for.

Pois entendo que a informação é um bem público e que a comunicação com o jurisdicionado é uma obrigação do Judiciário, até em obediência ao preceito constitucional que exige da administração pública a publicidade e a transparência dos seus atos e ações.

... Antes de encaminhar as falas conclusivas, não poderia deixar de prestar uma homenagem especial às pessoas que me são queridas e pelas quais tenho coragem para enfrentar todos os desafios que a vida tem me proporcionado até o momento.

Falo da minha querida esposa Déa Maria de Barros e Lessa, companheira de todas as horas, nas lutas, nas dificuldades e nas alegrias, que me dá forças quando preciso para vence obstáculos que não raras vezes se apresentam intransponíveis.

Falo dos meus queridos filhos Paulo Inácio e Fábio, jóias raras que Deus me deu e que me são motivo de muito orgulho. Da minha filha por opção Andréa e meu genro Roberto Lúcio, através dos quais Deus me deu dois lindos e queridos netos: Yam e Roberto. Das minhas noras Aline e Andréa e das minhas netinhas que adotei com muito amor: Amanda, Bibi e Ananda.

Finalmente, quero enaltecer e agradecer ao Todo-Poderoso Deus por esta oportunidade de estar ocupando este honroso cargo, que é Dele, como o são todos os cargos daqueles que detêm o poder de decisão sobre a vida e o destino dos nossos semelhantes. Sabemos que Mato Grosso, de alguns anos para cá, tem sido alvo de verdadeiros desastres e muitos escândalos de repercussão nacional, que em muito prejudicam a imagem desta terra e a do seu povo. Repercussão negativa que facilita o sensacionalismo midiático; e, também, onde varejam armações satânicas de pessoas descompromissadas com a verdade, cujo objetivo é o de apenas se promover e denegrir a honra e o nome de autoridades locais de forma generalizada, misturando o joio e o trigo, confundindo e pondo em dúvida a opinião pública.

Entretanto, mesmo em meio a esse quadro desfavorável, uso da coragem que teve Davi ao enfrentar o gigante Golias, temido por todos em Israel. Disse-lhe o gigante: ‘Sou eu algum cão, para tu vires a mim com paus? Vem a mim, e darei a tua carne às aves do céu e às bestas do campo‘. Davi, porém, disse ao filisteu: ‘Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém, eu vou a ti em nome do Senhor dos Exércitos de Israel, a quem tens afrontado. Hoje mesmo o Senhor te entregará na minha mão; e ferir-te-ei, e te tirarei a cabeça, e os corpos do arraial dos filisteus darei hoje mesmo às aves do céu e às bestas da terra; e toda a terra saberá que há Deus em Israel‘. Pois, como disse Davi, digo: ‘Esta terra também é de Deus e aqueles que nela vivem também terão N’Ele a superação.‘

Senhoras e Senhores,

Termino este discurso reafirmando o pedido de colaboração aos chefes dos Poderes Executivo e Legislativo, os senhores governador Blairo Borges Maggi e deputado Sérgio Ricardo, para que cada qual, em suas esferas constitucionais, possam atuar no sentido de tornar a Justiça acessível e efetiva. Pedido de colaboração extensivo a todos os operadores do Direito e à sociedade. Temos, juntos, uma grande responsabilidade.

Paz social interessa a todos os cidadãos. E não existe outro caminho senão a união de forças, pois Justiça, Educação e Saúde continuarão sendo o caminho mais rápido, pacífico e civilizado para as grandes transformações.

Ainda para o governador e para o presidente da Assembléia Legislativa, dedico as palavras derradeiras, citando alguém como Vossas Excelências, um político, só que um político do século XIX, Joaquim Nabuco. Nabuco tinha pressa, cobrava agilidade do Governo, combatia o adiamento da solução de um grave problema, a escravidão.

Ele disse: ‘Esperar, quando se espera alguma coisa, é sabedoria; mas esperar por esperar, esperar porque não há suficiência para resolver, e coragem para executar, é o pior de todos os partidos, é o maior de todos os erros’. A Justiça não pode esperar. Dizem que antes da hora não é hora. Depois da hora, hora não é. A hora é agora.

Muito obrigado

Postar um novo comentário

Comentários

  • Comente esta notícia

Rossato quer "minar" reeleição de Ari

dilceu rossato 400 curtinha   Em Sorriso, a capital nacional do agronegócio, a tendência é da disputa à sucessão no próximo ano ficar polarizada entre o prefeito Ari Lafin, do PSDB, e seu antecessor, Dilceu Rossato (foto), hoje filiado ao PSL. Embora se movimente nos bastidores, o deputado Xuxu Dal Molin...

Misael nem espera janela e sai do PSB

misael partido 400 curtinha   Misael Galvão (foto), presidente da Câmara de Cuiabá, nem esperou chegar a janela partidária de março para oficializar a saída do PSB, onde esteve filiado por três anos. Para não colocar o mandato em risco, o parlamentar consultou a Justiça Eleitoral e obteve...

TCE-MT aprova e elogia gestão Binotti

binotti 400 curtinha   O conselheiro interino do TCE, Isaías Lopes, rasgou elogios ao primeiro ano de mandato do prefeito e empresário Luiz Binotti (foto), de Lucas do Rio Verde. Relator das contas do exercício de 2018 da prefeitura, com aprovação unânime pelo Pleno, Isaías destacou que os resultados...

Primavera fará 4 intervenções na BR

leonardo 400 curtinha   Com recursos próprios, a Prefeitura de Primavera do Leste fará quatro intervenções na BR-070, no perímetro urbano, com readaptação e construção de trevos para ajustar o trânsito a uma nova e moderna realidade do município com quase 100 mil...

Vice do DEM-Cuiabá elogia gestão EP

joao celestino 400 curtinha   O advogado João Celestino (foto), vice-presidente da comissão provisória do DEM de Cuiabá e ligado ao senador Jayme Campos, se mostra simpático à gestão Emanuel Pinheiro, do MDB. Aliás, na segunda, Celestino fez uma visita ao prefeito e elogiou a...

Prefeito Beto faz mistério sobre apoio

beto farias 400 curtinha   O prefeito de Barra do Garças, Beto Farias (foto), que está no segundo mandato e com a popularidade em alta, não revela quem apoiará para a disputa à sucessão, nem para aqueles aliados mais próximos. Quando perguntado, o emedebista costuma dizer que não está...

ENQUETE

facebook whatsapp twitter email

Como você avalia a decisão do Supremo de suspender prisão imediata após julgamento em segunda instância?

Concordo

Discordo

Tanto faz

Não se trata de pesquisa eleitoral, mas de um mero levantamento de opiniões de leitores do RDNews e do Blog do Romilson, com participação espontânea dos internautas. Resultado sem valor científico.