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Segunda-Feira, 25 de Dezembro de 2006, 09h:53 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Irresponsabilidade socioambiental

     Irresponsabilidade socioambiental

        Eugênio Singer

     O último Relatório de Sustentabilidade de Cambridge, publicado em agosto de 2006, apresenta os resultados dos Diálogos Sustentáveis realizados entre 2003 e 2006, com mais de 400 especialistas em sustentabilidade de cinco países: Áustria, Quênia, África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos.

   Segundo o relatório, "a meta ou o propósito fundamental de uma boa economia é melhorar, de forma constante, o bem-estar de todos, agora e no futuro, com o devido cuidado à eqüidade, dentro das limitações da natureza e através do ativo engajamento de todos os participantes". Muito bem, até aqui nada de novo. Milhares de definições desta natureza têm sido realizadas desde o primeiro milênio, Aristóteles que o diga!

     Segundo o mesmo relatório, as principais falhas da economia atual são: a falta de educação; a falta de governança; o foco no curto prazo; a injusta distribuição de poder, riqueza e bem-estar; a fraqueza humana; os incentivos impróprios como o comércio não sustentável ou injusto; os custos de externalidades, desconsiderando valores sociais e ambientais; a falta de consenso coletivo sobre o propósito de longo prazo ou metas para uma boa economia; valores incompatíveis com a sustentabilidade e métricas erradas.

     O Relatório de Sustentabilidade de Cambridge indica ainda que a boa economia deva ser: inclusiva, focando no compartilhamento e benefícios globais; de longo alcance focando nas conseqüências e gerações futuras; desenvolvimentista e com melhoria contínua; eqüitativa na justa distribuição; sustentável; participativa; inovadora; diversificada; acessível no tangente a oferta de oportunidades e atenta ao bem-estar e qualidade de vida das pessoas;

   Todas as definições e métricas aplicadas ou resultantes destes diálogos parecem não conseguir romper a barreira tão desejável da sustentabilidade que a cada ano se torna mais virtual.

     Toda vez que avaliamos os resultados de algo que propomos e não conseguimos alcançar, estabelecemos novos indicadores, novas metas, novos paradigmas. No mundo empresarial dizemos que rodamos o PDCA e por meio de uma análise crítica estabelecemos as novas metas. A questão é que quando existe o consenso para a definição dos novos patamares, ou quando o avanço orgânico do desenvolvimento é tímido, a "coisa" vai mesmo é patinar!

      Um dos índices mais intrigantes que vi recentemente foi o Índice de Felicidade do Planeta (HPI). O HPI é uma métrica inovadora que mostra a eficiência ecológica com a qual o bem-estar humano é entregue. O conceito é básico, três macro-indicadores: satisfação, expectativa de vida e pegadas ecológicas. O HPI é a relação entre estas três variáveis: Satisfação de vida x Expectativa = HPI

      Os resultados podem surpreender, pois o paradigma ortodoxo de desenvolvimento econômico é abstrato no índice. O HPI procura mostrar as relações entre os fundamentais recursos planetários, a forma como são transformados e entregues para a sociedade, em termos da sua satisfação e expectativa de vida.

     De acordo com o HPI, os países mais "felizes" são a Colômbia, Panamá, Santa Lucia, São Vicente e Grenadinas e Vanuatu. Já no bloco inferior encontram-se Latvia, Lituânia e Rússia.

    O Brasil apresenta uma desvantagem intrínseca inicial muito grande. Por maior que seja nossa expectativa de vida individual e nossa satisfação, as pegadas ecológicas são tão ruins, que já começamos com um enorme deságio no HPI. Ocupando uma posição intermediária, o Brasil apresenta um HPI de 48.6 para uma expectativa de vida de 70.5 anos, uma satisfação de 6.3 e uma pegada ecológica de 2.2.

    Estas são conclusões interessantes que nos remetem a uma reflexão profunda para pensarmos no país que queremos, ou que metas são realmente alcançáveis e importantes para nossa sociedade. O fato é que as agendas recentes têm se perdido nas últimas décadas e o que temos encontrado mesmo são verdadeiras irresponsabilidades socioambientais. Mesmo assim, o solo é fértil, os recursos ainda são abundantes e, apesar da baixa estima, podemos virar este jogo. Sejamos felizes, mas conscientes com nosso consumo e pegadas ecológicas!

    Eugênio Singer, empresário e ambientalista, é sócio fundador da ERM Brasil e do Instituto Pharos e membro do Comitê Idealizador do Instituto DNA Brasil (Reprodução na íntegra do artigo publicado em A Gazeta em 25/12/2006)

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