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Terça-Feira, 26 de Junho de 2007, 09h:06 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

Janelas de oportunidades

     Mato Grosso está diante da sua maior oportunidade histórica para dar o salto qualitativo em seu modelo econômico saindo da posição de uma economia primária agroexportadora para uma economia agroindustrial. Há quase uma década muitas das variáveis geopolíticas e econômicas importantes para o crescimento econômico de uma região conspiram de forma favorável ao progresso de nosso estado. As chamadas janelas de oportunidades foram abertas para que Mato Grosso deixe de ser apenas um estado produtor de bens primários exportáveis mas com base produtiva pouco diversificada.
     No entanto, aparentemente essas janelas de oportunidades podem não estar sendo muito bem aproveitadas de forma tal que transformem-se em ações concretas que modernizem o perfil da economia do estado e, por conseguinte, melhore a qualidade de vida de sua população.
     Há muitas décadas a economia mundial não convive com uma onda seqüente de pujança econômica como a dos últimos anos. Puxado pelos países de economias emergentes, esse ciclo mundial de crescimento econômico consecutivo está fortalecido pela ausência de grandes crises mundiais e pela maior preocupação dos países com estabilidade fiscal. Ao mesmo tempo, no âmbito interno, após um período de letárgicos períodos de crescimento no estilo vôo de galinha ("stop and go"), a economia brasileira sinaliza índices de crescimento melhores para os próximos anos, sustentados por estabilidade monetária e fiscal e boa performance dos fundamentos macroeconômicos.
     Mato Grosso pode perder os bons ventos das janelas de oportunidades se não estivermos bem preparados para o momento econômico mundial e nacional. Caso contrário, os investimentos produtivos que poderiam ser implantados em nosso estado irão para outras regiões concorrentes. E quem são os concorrentes diretos de Mato Grosso na disputa pelos investimentos públicos e privados que são imprescindíveis para o nosso futuro? Estados como os de Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, regiões da Bahia, Minas Gerais e Maranhão que possuem solos e climas parecidos aos de Mato Grosso e apresentam infra-estrutura e logística de transportes melhores que as nossas. Sem contar as agressivas políticas de incentivos fiscais. Para citar apenas alguns exemplos, visto que o espaço não permite alongar. A maior feira de negócios agrícolas do Brasil, a Agrishow, que deixou de ser realizada em Mato Grosso, foi o maior sucesso no município de Eduardo Magalhães, no interior da Bahia. O megainvestidor George Sóros vai investir US$ 900 milhões na construção de três usinas de etanol. Em Mato Grosso do Sul. A Petrobras anunciou a construção de dois importantes polidutos para transporte de álcool e diesel. Um ligará a refinaria de Paulínia a Senador Canedo, em Goiás. O outro o porto de Paranaguá a Campo Grande (MS).
     Para não ficarmos apenas na desagradável posição de usufruir apenas os efeitos laterais do ciclo de pujança econômica mundial e das melhorias previstas para a economia brasileira, torna-se vital destravar gargalos que ainda dificultam o crescimento econômico de Mato Grosso. Não temos um grande plano estratégico de desenvolvimento formulado por todos os agentes econômicos do estado, as instituições públicas, entidades empresariais, terceiro setor e universidades. O transporte ferroviário ainda está mal equacionado. O hidroviário nem existe. O rodoviário precisa de mais investimentos para sua modernização, integração e adequação ao aumento da produção do estado. A educação formal precisa cumprir sua tarefa primordial de melhorar o nível de renda da população ao facilitar seu acesso ao mercado de trabalho qualificado.
     A posição de Mato Grosso não é desesperadora. Longe disso. Suas condições edafo-climáticas, boa governança pública e o espírito empreendedor do seu trade empresarial o tornam uma região privilegiada para se tornar um dos mais competitivos estados brasileiros no novo processo de desconcentração industrial do país, assim como se tornou na agropecuária. Mas é importante sabermos que não estamos sozinhos nessa luta fratricida por novos investimentos que são a locomotiva do desenvolvimento econômico de qualquer região. Nossos concorrentes estão atentos e não dormem nunca.

Vivaldo Lopes é economista, especialista em administração financeira pela FIA/USP, consultor da Fundação Getúlio Vargas ( vivaldo@uol.com.br )

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