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Quinta-Feira, 31 de Maio de 2007, 14h:02 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

INVESTIGAÇÃO

Jonas nega ter recebido "mimos" de empreiteiro

   O senador Jonas Pinheiro (DEM) divulgou nota em que tanto ele quanto a esposa, ex-deputada Celcita Pinheiro, negam qualquer envolvimento com o empresário Zuleiro Veras, da Gautama, construtora acusada de cometer fraudes em licitações com superfaturamento de obras e pagamento de propina a políticos. O nome do democrata, segundo reportagem na Folha online, aparece numa relação de 225 pessoas, entre parlamentares, ex-deputados, governadores, ex-governadores, prefeitos, ex-prefeitos, ministros de estado e do Tribunal de Contas da União que supostamente teriam sido “agraciados” pela Gautama - clique aqui e leia mais sobre o assunto.

    "Não conheço o empresário Zuleido Veras e que, portanto, nunca fiz nenhum negócio com empresas dele, muito menos com a Gautama, nem tive qualquer contato com integrantes daquela empresa", afirma o senador. "Quero registrar também o meu inconformismo por ver meu nome inserido nessa lista de agraciados com mimos da empresa".

Confira a íntegra da nota assinada pelo senador Jonas Pinheiro

"Fui surpreendido com a matéria do articulista Kennedy Alencar, da Folha de São Paulo, veiculada na Folha Online, e com outras de igual teor, divulgadas por jornais e por portais eletrônicos do estado de Mato Grosso, nas quais é apresentada uma lista de pessoas que teriam sido “presenteados” pela Gautama, empresa que está sendo acusada de estar envolvida em esquema de superfaturamento de obras e de fraudes em licitações governamentais.
As matérias relatam que foram identificadas pela Polícia Federal, na lista da empresa Gautama, 225 pessoas, entre governadores, ex-governadores, prefeitos, ex-prefeitos, ministros de estado e do Tribunal de Contas da União, deputados federais e ainda dezoito senadores.
Quando tomei conhecimento dessa notícia, a minha surpresa foi muito grande, tanto quanto a minha indignação.
Não entendo como o meu nome possa integrar uma lista de “agraciados” pela empresa Gautama, quando jamais tive relacionamento com ela e jamais auferi qualquer vantagem dela. Também não me consta que meu Gabinete no Senado Federal tenha recebido algum brinde, como canetas, gravatas ou bebidas daquela empresa, como foi sugerido nas notícias.
Mesmo com a ressalva feita pelos autores das matérias de que o fato de o nome fazer parte dessa lista não significa que a pessoa seja suspeita, creio que a divulgação dessas acusações, sem uma comprovação, é leviana, é desrespeitosa e é, principalmente, tendenciosa. Alguém se regozija ou ganha prestígio ou tem outra espécie de compensação para disseminar esse tipo de notícia na imprensa.
A responsabilidade por esse ato cabe, primeiramente, a quem fornece essas notas à imprensa e que são chamadas por ela de “fontes”; pessoas que divulgam informações, conseguidas sabe-se lá como, para os veículos de comunicação, com interesses escusos, muitos dos quais, suponho, até inconfessáveis.
É lamentável, porque, na prática, a imprensa divulga uma matéria acusatória dessa natureza com todo o estardalhaço, e, depois de apurados os fatos e inocentados os acusados, ela noticia esse resultado numa matéria lacônica e breve e num espaço infinitamente menor.
Assim, o que fica marcado para sempre na mente e no espírito dos que recebem essas notícias é a imagem denegrida pela primeira informação: aquela que acusa e que denigre.
A contestação do acusado, mesmo que consistente, por ficar em segundo plano, não corrigirá o estrago que já foi feito. O estrago político e, mais que tudo, o moral, que acaba alcançando a nossa família, e enodoa e prejudica nossos filhos e netos.
Deixo registrado e bem evidente que não conheço o empresário Zuleido Veras e que, portanto, nunca fiz nenhum negócio com empresas dele, muito menos com a Gautama, nem tive qualquer contato com integrantes daquela empresa, seja aqui em Brasília, seja em Mato Grosso, meu estado, seja em qualquer outro lugar. Quero registrar também o meu inconformismo por ver meu nome inserido nessa lista de “agraciados” com “mimos” da empresa Gautama ou com vantagens de qualquer natureza por ela distribuída. E mais: quero que fique registrada ainda a minha profunda repulsa a essa divulgação leviana."
JONAS PINHEIRO
Senador da República

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